Crítica | The Walking Dead – 5X06: Consumed

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estrelas 4,5

Obs: Há spoilers do episódio e da série.

Faltam apenas dois episódios para o hiato e Scott Gimple acerta mais uma vez com Consumed. Mas achei que ele erraria feio ao começar com um flashback pré-créditos mostrando o que Carol fez depois que Rick a mandou embora na temporada passada. Não que isso não seja algo interessante, mas duvidei que valesse um episódio completo.

Mas Gimple e os roteiristas Matthew Negrete e Corey Reed sabiam disso e esse momento no passado fica restrito mesmo ao começo do episódio e, depois, semelhante ao que vimos em Self Help, com Abraham, testemunhamos breves e silenciosos momentos chave com Carol, preenchendo pequenas lacunas sobre os acontecimentos envolvendo a personagem na temporada anterior. Nada essencial, na verdade, mas que funciona muito bem para ilustrar o presente de Carol. Quando a vimos em Strangers, ela estava sozinha, consertando um carro, claramente com a intenção de ir embora. Ela se tornou uma espécie de pária em seu próprio grupo, não se adaptando mais àquela vida, talvez porque ela acredite que consegue se defender muito mais eficientemente sem um monte de gente para atrapalhá-la (confesso que concordo, na verdade…) e/ou por achar que não mais pode proteger aqueles que ama, como não conseguiu proteger sua filha.

No entanto, a maior parte de Consumed se passa mesmo quase no presente, entre o final de Strangers e o final de Slabtown. A última peça do duplo cliffhanger de Gimple cai e, agora, temos um círculo fechado, com os próximos episódios provavelmente dedicados ao combate entre o grupo de Rick e o grupo do hospital.

E aquilo que muitos fãs esperavam há muito tempo aconteceu: Carol e Daryl têm seu tempo sozinhos. Vemos a dinâmica dos dois, com Carol mais fechada e Daryl mais aberto, em uma espécie de movimento convergente das personalidades dos dois. Como Carol bem diz, Daryl era um menino, agora é um homem. E ela própria era uma mulher amedrontada e, agora, ela é uma guerreira. Não há romance – creio que não há lugar na história para isso – e sim uma dinâmica muito boa, com os dois personagens mais safos e inteligentes da equipe original trabalhando em uníssono, quase sem falar e, aos poucos, dando vazão para suas personalidades modificadas, deixando a pratos limpos a relação ente eles.

Além disso, o episódio nos faz retornar à Atlanta. Sim, a cidade já havia sido vista em Slabtown, mas aquele episódio ficou confinado ao hospital. Agora, vemos o centro urbano novamente, de maneira semelhante ao que vimos lá nos sensacionais primeiros três episódios da primeira temporada. Até mesmo a icônica I-85, estrada usada por Rick a cavalo, aparece novamente, como a porta de entrada para a metrópole devastada. E, com isso, e focando em apenas dois personagens, Seith Mann cria um bom suspense que só amplifica a tensão e demonstra o quão azeitados são os dois guerreiros. O fogo é usado para atrair zumbis em uma estratégia perspicaz, com o mínimo de confrontação e, em termos de fotografia, vale especial destaque o jogo de claro e escuro quando Carol e Daryl chegam ao centro de reabilitação onde Carol e Sofia passaram uma noite há tempos imemoriais.

E os dois grande momentos de ação do episódio, ambos passados em pontes (regra do apocalipse zumbi: não passe por pontes e passarelas!), suprem o que de outra forma seria um capítulo tenso, mas sem ação. O primeiro deles, com Daryl e Carol tendo que literalmente se jogar do viaduto dentro de uma ambulância em razão de um ataque de zumbis já é, desde logo, antológico. E, o segundo, na passarela entre prédios com zumbis presos em barracas e sacos de dormir (fica a pergunta aqui: quem os matou dormindo, o pessoal do hospital?) e a chegada de Noah (Tyler James Williams), que literalmente faz a ligação (ou a ponte em uma ponte, para usar a metáfora óbvia, mas correta) entre Slabtown e esse episódio.

Com isso, as intrigantes narrativas paralelas de Gimple parecem ter chegado ao fim. Voltamos ao começo e o cenário está armado para a luta final, com apenas o grupo de Abraham ainda tendo que se juntar novamente ao de Rick (se é que isso acontecerá mesmo, claro). E esse conflito promete, mas espero que não seja uma mera reprise do ataque à prisão, só que com papéis invertidos.

The Walking Dead – 5X06: Consumed (Idem, EUA – 2014)
Showrunner: Scott M. Gimple
Direção: Seith Mann
Roteiro: Matthew Negrete, Corey Reed
Elenco: Andrew Lincoln, Norman Reedus, Steven Yeun, Lauren Cohan, Chandler Riggs, Danai Gurira, Melissa McBride, Michael Cudlitz, Chad Coleman, Sonequa Martin-Green, Lawrence Gilliard, Josh McDermitt, Christian Serratos, Andrew J. West, Seth Gilliam, Andrew J. West, Christine Woods, Erik Jensen, Tyler James Williams, Keisha Castle-Hughes, Cullen Moss
Duração: 43 min. (aprox.)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.