Crítica | The Walking Dead – 5X07: Crossed

twd 5x07 crossed

estrelas 3,5

Obs: Há spoilers do episódio e da série.

Um episódio como Crossed já era perfeitamente esperado e, francamente, inevitável. E não achem vocês que concluirei que esse é um episódio ruim, pois, bem ao contrário, posso afirmar, com confiança, que, até agora, na 5ª temporada, Scott Gimple não errou de verdade.

Crossed é quase como a proverbial “calma antes da tempestade”, o episódio ponte entre o fantástico dueto de Carol e Daryl em Consumed e o potencialmente explosivo mid-season finale, Coda. É a primeira vez, em muito tempo, que a temporada aborda todos os personagens principais em uma narrativa no presente. Chega a ser estranho até, pois Crossed trafega entre três núcleos: o de Rick, com Daryl, Tyreese, Sasha e Noah partindo para resgatar Carol e Beth do hospital de Atlanta; o de Carl, com Michonne, Judith e o padre Gabriel na Igreja e, finalmente, o de Abraham, com Eugene, Rosita, Tara, Glenn e Maggie. Além disso, vemos Beth brevemente, lidando com o equilíbrio delicado de poder no hospital, com Dawn tentando desfazer uma ordem que ela mesmo deu que potencialmente matará Carol.

Com isso, talvez o núcleo do episódio – a tentativa de resgate de Carol e Beth – tenha se diluído um pouco. Mas esse é o preço a se pagar por um capítulo “do meio”, nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Mas Billy Gierhart mantém o comando do barco, com uma montagem que dá tempo para cada núcleo se desenvolver, valendo especial destaque – em um roteiro que inverte expectativas – para o plano de destruição total que Rick dita ao demais, somente para ouvir de Tyreese uma alternativa com menos violência que ele descarta imediatamente somente para ter, então, que receber um sermão pacifista de Daryl (logo ele!) concordando com Tyreese. É um momento de algo como um minuto apenas, mas que ratifica aquilo que testemunhamos na igreja em Four Walls and a Roof: Rick não tem mais meio termo, deixou seu lado sombrio tomar controle total de si e ele cada vez mais depende dos outros para se humanizar, como uma mensagem para nós na linha de que é a própria convivência em sociedade que nos impede de mergulhar em um estado feral.

Mas o plano de “troca de reféns” que Tyreese sugere não dá tão certo quanto eles imaginavam, levando a uma interessante luta entre Daryl e Licari, o policial que chega de surpresa no último segundo. Apesar de sabermos que Daryl não vai morrer assim desse jeito (Gimple não é louco de matar um dos mais queridos personagens da série de forma tão trivial), Giehart mantém o interesse e o suspense em um frenético e bem montado embate no chão entre corpos queimados de zumbis que ainda fazem o máximo de esforço para abocanhar os combatentes (só eu que lembrei aqui da luta entre Daryl e Merle patrocinada pelo Governador no mid-season finale da 3ª temporada?).

O resultado é que o grupo de Rick consegue capturar três dos policiais de Dawn, sendo que um deles, Lamson, depois de ter sua reputação elogiada por Noah, passa a cooperar com o grupo. Creio que propositalmente, o diretor tenha colocado Lamson sob uma luz calma, com uma trilha nervosa, mas quieta por trás, apenas para pontuar que essa ajuda toda não vem de graça. E dito e feito: basta Rick sair para Sasha burramente ser enganada por Lamson. E isso me leva a indagar se Noah estaria trabalhando com Lamson em algum plano maior, possivelmente para derrubar Dawn custe o que custar. Parece um exagero pouco provável, mas confesso que não consigo descartar a hipótese.

Se em Atlanta há muita coisa acontecendo, o mesmo não se pode dizer nos demais dois grupos.

Abraham continua ajoelhado, em silêncio, sem aceitar comida e bebida e quase sendo baleado por Maggie, com um Eugene catatônico exatamente no mesmo lugar que o vimos pela última vez em Self Help. Os roteiristas têm tanto tempo em mãos que se dão ao luxo de levar Glenn, Rosita e Tara para procurar água e, pasmem, pescar. Entendo que eles estão se recuperando do golpe que foi a revelação bombástica de Eugene, mas essa confraternização como se os três estivessem calmamente acampando simplesmente não funcionou para mim, soando muito mais como filler.

No grupo de Carl, vemos outro personagem se desequilibrando de vez. O padre Gabriel observa a tudo e a todos suando por todos os poros, tentando limpar o sangue do massacre dos canibais, lendo a mensagem de ódio que seu rebanho traído cavou na parede de seu templo e tentando, de toda forma, deixar aquilo para trás. A atuação de Seth Gilliam é mais uma vez muito convincente, a melhor do episódio de longe, mas não consigo vislumbrar para onde essa linha narrativa caminha e como ela se fecha com as demais. Parece-me que Gabriel não tem capacidade de sobreviver nem cinco minutos na floresta (ele nem mesmo consegue matar um zumbi, tamanho é o peso da culpa de seus pecados) e que o próximo passo natural é ele fazer com Carl, Judith e Michonne aquilo que disse que fez com sua congregação. Como ele conseguiria esse feito, realmente não sei.

Agora é ver como Gimple vai fechar a meia temporada e se ele aproveitará para enxugar o grupo de Rick com algumas mortes aqui e ali. Se Crossed foi a calmaria, podemos ter certeza que Coda tem potencial de ser um furacão.

The Walking Dead – 5X07: Crossed (Idem, EUA – 2014)
Showrunner: Scott M. Gimple
Direção: Billy Gierhart
Roteiro: Seth Hoffman
Elenco: Andrew Lincoln, Norman Reedus, Steven Yeun, Lauren Cohan, Chandler Riggs, Danai Gurira, Melissa McBride, Michael Cudlitz, Chad Coleman, Sonequa Martin-Green, Lawrence Gilliard, Josh McDermitt, Christian Serratos, Andrew J. West, Seth Gilliam, Andrew J. West, Christine Woods, Erik Jensen, Tyler James Williams, Keisha Castle-Hughes, Cullen Moss
Duração: 43 min. (aprox.)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.