Crítica | The Walking Dead – 5X11: The Distance

estrelas 4,5

Obs: Há spoilers do episódio e da série. 

Mesmo para quem já leu os quadrinhos em que a série se baseou – como é o meu caso – The Distance é um episódio muito eficiente em criar e manter suspense e tensão por toda sua duração. O foco todo é em saber se Aaron, o novo personagem vivido por Ross Marquand que surge no finalzinho de Them, é do bem ou do mal.

O roteiro de Seth Hoffman não esmorece na dureza e teimosia de Rick Grimes, cujas ações por diversas vezes já salvaram o grupo. Rick é o guardião, aquele a quem todos olham quando há alguma dúvida. Sim, ele já passou por maus bocados pessoais que o desviaram do caminho, quase transformando-o em um animal selvagem, mas, graças ao grupo, ele perseverou e se desvencilhou dos problemas. Ao longo do tempo, com suas terríveis experiências com esse mundo novo, ele criou uma impenetrável e rígida carapaça que o tornou alguém incapaz de aceitar a bondade de estranhos.

É nesse ambiente que Aaron entra e não ajuda nada quando conta a Rick que ele vem vigiando o grupo há algum tempo, para ter certeza de que eles não são loucos varridos. Aaron, pelo menos externamente, é exatamente o oposto de Rick: arrumado, de feições limpas e muito educado no trato. Rick é um muro de tijolos e um muro que dá socos sem aviso. E o que Aaron tem a oferecer? Santuário. Algo que só causou desgraça até agora. Seja na prisão, em Woodbury ou em Terminus, Rick e seu grupo só encontraram a morte e não há nada que indique que essa mais nova promessa realmente é diferente.

Mas a esperança é a última que morre. Gimple estabelecera, em Them, que o grupo estava próximo de rachar, no final das forças. A promessa de santuário é simplesmente irresistível. Mas não para Rick, que permanece inamovível. A única pessoa que consegue entendê-lo e travar uma conversa no mesmo nível de sua paranoia é Michonne (finalmente Gimple faz bom uso da personagem) e, pouco a pouco, ela consegue convencê-lo de que eles têm que ao menos tentar descobrir o que Aaron realmente tem a oferecer.

Só que, como tudo na série, dirigir até a cidade fortificada de Aaron não é, como os americanos dizem, “um passeio no parque”. Rick decide, cautelosamente (ou não), viajar à noite e isso gera um dos momentos mais assustadores até agora, com o velho carro que eles dirigem acertando uma enormidade de zumbis na estrada vicinal paralela à que eles deveriam ter pego. A direção de Larysa Kondracki, nessa sequência, nos oferece dois pontos de vista, um em “primeira pessoa”, como um verdadeiro videogame em que seu objetivo é causar o maior estrago possível aos monstrengos em seu caminho (Carmageddon me veio à cabeça imediatamente) e uma visão aérea noturna absolutamente fantástica, em que a única luz é a do farol do carro.

A sequência toda, que continua pela floresta e desemboca na reunião do grupo com o resto do pessoal e o namorado ferido de Aaron, Eric (Jordan Woods-Robinson), não é muito longa, mas é extremamente eficiente em passar a agonia do momento, mesmo que os protagonistas sejam os mais experientes e letais do grupo de Rick (ele, Michonne e Glenn). Em poucas palavras, o roteiro troca a tensão ao redor de “quem é Aaron” para um jogo de sobrevivência arrebatador.

E o capítulo acaba nos dando uma rasteira. Achamos que veremos Alexandria, a cidade fortificada de Aaron, mas não, só vemos o grupo chegar aos portões, deixando a revelação para o próximo episódio. No entanto, essa sequência final tem ares de sequência de encerramento de série. Rick ouve o som de crianças brincando além do muro, parte para pegar Judith no banco de trás e vemos, sob seu ponto de vista, a muralha da cidade fora de foco em segundo plano. Gimple poderia encerrar tudo ali se quisesse, pois The Walking Dead, pelo menos em tese, não deveria ter um final mais feliz do que algo assim (descobrir a cura seria idiota demais).

Mas nós (especialmente aqueles que leram os quadrinhos) sabemos que o final ainda está longe, não é mesmo? Que venha o arco de Alexandria!

The Walking Dead – 5X11: The Distance (Idem, EUA – 2015)
Showrunner: Scott M. Gimple
Direção: Larysa Kondracki
Roteiro: Seth Hoffman
Elenco: Andrew Lincoln, Norman Reedus, Steven Yeun, Lauren Cohan, Chandler Riggs, Danai Gurira, Melissa McBride, Michael Cudlitz, Sonequa Martin-Green, Josh McDermitt, Christian Serratos, Alanna Masterson, Seth Gilliam, Tyler James Williams, Ross Marquand, Jordan Woods-Robinson
Duração: 43 min. (aprox.)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.