Crítica | The Walking Dead – 5X16: Conquer (Season Finale)

estrelas 3,5

Obs: Há spoilers do episódio e da série. Leia a crítica dos demais episódios, aqui.

Finalmente Morgan apareceu! E, ao longo desse tempo todo, pasmem, ele se tornou um ninja zen! Fará um grande par com Michonne alguma hora.

Mas, brincadeiras à parte, o fator cool da abertura pré-créditos – que, aliás, ecoa na sequência pós-créditos, com nossa espadachim favorita finalmente voltando à empunhar seu instrumento mortal – causa estranhamento e excitação ao mesmo tempo. O diálogo tensamente sereno entre Morgan e o membro dos Lobos (Wolves) dá o tom para a tensão que Greg Nicotero na direção e Scott M. Gimple no roteiro imprimem ao episódio de encerramento dessa primoroso 5ª temporada.

Diferentemente do que vimos nos três episódios anteriores, porém, Conquer não é perfeito. Gimple tenta abordar muitas questões ao mesmo tempo, indo e voltando para situações com uma montagem que não permite sequências mais alongadas. O resultado final dá uma sensação de exaustão ao espectador, mas não necessariamente uma exaustão boa, causada pela crescente tensão em Alexandria ou pelo encontro de Daryl e Aaron com, literalmente, caminhões de zumbis. A exaustão, aqui, é realmente pelo bombardeio de informações a que Gimple nos sujeita.

Não só vemos mais da exploração de Daryl e Aaron e o encontro deles com Morgan, como a continuação e desfecho da rivalidade entre Glenn e Nicholas, um conflito inusitado entre Sasha e Gabriel (depois que o padre covarde faz um passeio suicida pela floresta somente para, claro, deixar o portão aberto em sua volta), uma visitinha simpática de SCarol a Pete, com direito à torta e faca no pescoço, conversas de SCarol com Rick, Michonne com Rick, Carl com Rick e, finalmente, Maggie com Deanna e Reg. E tudo em preparação à inevitável reunião da (agora não tão) pacífica comunidade de Alexandria para decidir o destino de Rick Grimes.

E, mesmo quando chegamos na fatídica reunião – cujo resultado é telegrafado em detalhes pelos diversos acontecimentos ao longo do episódio estendido – ela é repleta de eventos, todos eles coincidentes demais para quase que colocar uma pá de cal na pergunta “quem está certo, Rick ou Deanna?” que ficou sem resposta em Try. Vemos os discursos de cada membro do grupo de Rick em defesa dele entrecortados por Rick lidando, sozinho, com uma pequena invasão zumbi no local, a chegada de Pete com um facão, a degola (gratuita, diria) de Reg e o fechamento com Ninja-Morgan finalmente se reencontrando com seu amigo.

Sei que vocês logo concluirão, pelos parágrafos acima, que detestei o episódio. Mas é só impressão. O que fiz foi deixar claro que Conquer tem diversos problemas de roteiro causados pela necessidade de se amarrar pontas soltas que Gimple preferiu não deixar para a 6ª temporada. Ele poderia ter resolvido algumas antes? Provavelmente sim. Tenho para mim que toda a sequência com Daryl, Aaron e Morgan poderia ter ocorrido antes, assim como a explosão de Sasha. Por outro lado, Gimple queria encerrar sua temporada com a mudança do status quo de Alexandria e precisava que todas as suas pontas soltas levassem à essa específica amarração no final.

Em grande parte, ele consegue, pois Greg Nicotero, que dirigiu, somente nessa temporada, o excelente episódio de abertura No Sanctuary, o absolutamente sensacional What Happened and What’s Going On (ou “A Morte de Tyreese”) e Remember, que iniciou o arco de Alexandria, tem absoluto controle de seu ofício. Ele, porém, tem que trabalhar com um roteiro congestionado e acaba sacrificando fluidez por informação. Nada de câmeras paradas por muito tempo e conversas e nada de contemplação. A estrutura de Conquer é episódica e, como é de sua natureza, fortemente entrecortada.

Mas há um claro senso de unicidade, de caminho. Reparem nas conversas que Rick têm em preparação à reunião sobre seu destino. O roteiro vai da mentira disseminada no próprio seio do grupo de Rick (sobre as armas) à verdade inevitável que nenhum habitante de Alexandria queria encarar, mas que é obrigado a ver. A paz falsa dá lugar à tensão verdadeira. Eles aprendem, talvez da pior forma possível, que a vida lá fora é completamente diferente do paraíso corrompido que eles vivem em Alexandria. Mas Rick, por seu turno, também aprende que contar a verdade e comandar a comunidade não são atos incompatíveis como SCarol tenta mostrar a ele com seu “Oh, querido, você não pode ter os dois”. Rick aprende que pode ter sim os dois e, mais ainda, que ele quer ter os dois.

O que considerei um tanto conveniente demais em termos dramáticos foram o ataque de zumbis na cidade que apenas Rick vê e a chegada perfeitamente cronometrada do doente do Pete à reunião. Será que vermos aquilo que já havia ficado muito claro era mesmo necessário? Será que a comunidade de Alexandria expulsaria mesmo Rick se não tivesse provas cabais do quão ele é importante e das reais ameaças – humanas ou ex-humanas – que existem por ali? É uma pergunta difícil de responder, mas o caminho da narrativa era um só: certeiro, direto e claro na direção do raciocínio realista de Rick. Os eventos deus ex machina (são três, pois ainda tem Morgan salvando Daryl e Aaron na fábrica de enlatados) muito me incomodaram, como se Gimple tivesse que ilustrar com gráficos aquilo que ele já havia deixado mais do que claro desde o primeiro segundo do arco de Alexandria.

Se realmente espremermos Conquer, não sai muita coisa. Sim, Morgan voltou. Sim, os Lobos são uma ameaça seríssima e sabem sobre Alexandria (as fotos de Aaron!). E sim, Rick agora é o líder. Mas não há muito mais do que isso, talvez apenas o choque de “Morgan-adoro-a-vida” chegando para encontrar morte pelas mãos de Rick. Mesmo assim, é um fechamento digno da que sem dúvida é a melhor temporada de The Walking Dead até agora, além de criar uma espécie de tábula rasa para a 6ª.

Quem vai ficar com saudades até outubro?

The Walking Dead – 5X16: Conquer (Idem, EUA – 2015)
Showrunner: Scott M. Gimple
Direção: Greg Nicotero
Roteiro: Scott M. Gimple
Elenco: Andrew Lincoln, Norman Reedus, Steven Yeun, Lauren Cohan, Chandler Riggs, Danai Gurira, Melissa McBride, Michael Cudlitz, Sonequa Martin-Green, Josh McDermitt, Christian Serratos, Alanna Masterson, Seth Gilliam, Tyler James Williams, Ross Marquand, Jordan Woods-Robinson, Austin Abrams, Katelyn Naco, Tovah Feldshuh, Alexandra Breckenridge, Corey Brill, Lennie James
Duração: 65 min. (aprox.)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.