Crítica | The Walking Dead – 6X05: Now

estrelas 3,5

Obs: Há spoilers do episódio e da série. Leiam a crítica de todas as demais temporadas, aqui.

Voltamos ao presente. Nada de flashbacks, nada de episódio focado em um personagem só como o fantástico, ainda que polêmico, Here’s Not Here. A história volta a focar o périplo de Rick, seu grupo e o grupo de Alexandria enfrentando a horda de zumbis e os eventos após o selvagem ataque dos Lobos e, se alguém esperava saber de Glenn, bem… ficou chupando o dedo.

Mas era bastante óbvio que Scott M. Gimple não entregaria o destino de Glenn assim tão rápido. Afinal, dada a natureza do episódio anterior, ele quase que não conta para criar um espaçamento entre sua possível morte e a descoberta do que aconteceu de verdade. E Now é o primeiro episódio a efetivamente, sob o ponto de vista dos personagens, especialmente Maggie e Rick, criar essa distância, mesmo considerando que estamos ainda no mesmo dia (finalmente anoiteceu!).

Não é justo sair logo de cara afirmando que Now foi um mero filler, pois The Walking Dead sempre funcionou dessa forma, intercalando ação com discussão. E “nunca antes na história dessa série”, uma temporada começou tão frenética, tão alucinada quanto a sexta. Portanto, temos que dar um pouco de crédito ao showrunner e entendermos o porquê de ele não continuar com o ritmo absurdo que vinha imprimindo. Ele precisava desenvolver a narrativa e sua escolha de voltar ao passado de Morgan, dedicando-lhe um episódio inteiro no ponto em que a tensão estava mais alta, pode dar a impressão que Now é “mais marasmo” (para aqueles, claro, que consideraram Here’s Not Here um marasmo), mas Now é, na verdade, o efetivo intervalo que a ação necessitava, intervalo esse usado para continuar construindo os novos personagens e não o grupo-base da série.

Vemos Rick voltando para Alexandria – confesso que fiquei desapontado por não ver como ele conseguiu sair do trailer, mas tudo bem – e o vilarejo ser cercado de zumbis. Aprisionados em seu pequeno paraíso, os alexandrinos precisam continuar vivendo, mas ao mesmo tempo precisam finalmente encarar a dura realidade que os cerca. O mundo não é aquele mar de rosas todo em que viviam e eles precisam adaptar-se rápido. Mas essa adaptação, que precisa ser rápida, é dura demais para muitos.

Deanna, que já perdeu um de seus filhos e o marido, parece ela mesmo completamente sem esperança. Ela é apenas uma sombra da líder que fora, em um excepcional trabalho de maquiagem e uma bela atuação de Tovah Feldshuh que retiraram a vida do personagem, literalmente transformando-a em uma morta-viva. Ela definhou e, no mesmo passo, foi-se qualquer chama unificadora da pequena comunidade, que chega perigosamente próximo ao fim quando uma pequena revolta acontece em torno da comida disponível. Esse é o ponto em que o roteiro de Corey Reed nos prega uma peça, pois coloca Spencer (o outro filho de Deanna) como um potencial novo líder, debelando o “saque da despensa”, somente para, em seguida, ele ser revelado como ele realmente é: um egoísta covarde.

Esse incapacidade de Gimple de pegar o caminho mais fácil e óbvio é o que vem transformando seu comando da série em um golpe de mestre. Spencer poderia facilmente surgir como o novo líder da comunidade e qualquer roteiro mequetrefe seguiria feliz assim. Mas, ao mostrar sua verdadeira faceta, aquela esperança é jogada no lixo. Afinal, a mudança repentina trairia o personagem que, durante o ataque dos Lobos, ficou covardemente escondido no lugar de ajudar, ainda que, claro, tenha o mérito de acertar o motorista do caminho antes que ele atravessasse o muro.

Assim, cabe a Deanna recompor-se, algo que parece ser seu caminho quando ela raivosamente se defende de um zumbi perdido na vila e, depois, ao final, bate algumas vezes no portão. Tenho para mim que a Deanna-líder voltará em breve e a cidade realmente precisa dela, já que Rick, ainda que seja muito valioso, ainda parece uma imposição garganta abaixo dos alexandrinos. Com Deanna sendo a “Rainha da Inglaterra” e Rick como Primeiro Ministro (ou talvez Maggie como Ministro e Rick como conselheiro, que sabe?), a consolidação e controle de Alexandria será bem mais fácil.

O episódio também dá um bom destaque a Denise, ainda às voltas com sua insegurança como a única quase-médica do lugar e Tara, como seu apoio constante. Será que aquele beijo significou mais do que um agradecimento e poderemos ver alguma felicidade na vida das duas em futuro próximo? Bem, só o tempo dirá.

Outra alexandrina que continuou em relevância é Jessie, a única do local – além de Aaron –  que parece ter efetivamente entendido a gravidade da situação e a necessidade de mudar. Achei seu discurso clichê demais, perdido demais no meio do episódio, mas ele ao menos funcionou para inspirar Denise, não se perdendo completamente.

Minhas desconfianças em relação a Enid continuam fortes, já que a garota sumiu novamente no meio de toda essa tormenta. O que raios ela tanto faz fora de Alexandria? E Ron? Esse garoto ainda será um problema…

Não poderia encerrar meus comentários sem falar da solução paliativa do roteiro para o drama envolvendo a morte-não-morte de Glenn. A reação de Maggie era esperada, claro, mas seu pareamento com Aaron, que corajosamente assume a culpa pelo ataque dos Lobos, não. Ele funciona como um bom contrapeso à loucura que ela quer fazer e, ao ajudá-la a procurar Glenn, ele acaba ajudando-a a aceitar a situação. Não necessariamente que Glenn morreu, mas sim que ela nada pode fazer no momento a não ser esperar. Ah, e claro que finalmente temos a confirmação de que ela está grávida, algo que havia ficado escondido nas entrelinhas logo no início da temporada quando Glenn pede para ela ficar por ali.

Now é um episódio com vários focos que se perde um pouco justamente ao tentar equilibrar pequenos eventos com uma grande quantidade de personagens ao mesmo tempo. Ele adianta a história e desenvolve alguns personagens fora do núcleo principal, mas é morno, sem grandes invencionices ou momentos particularmente sensacionais, mas a temperatura tende a subir. E rápido.

The Walking Dead – 6X05: Now (EUA, 2015)
Showrunner: Scott M. Gimple
Direção: Avi Youabian
Roteiro: Corey Reed
Elenco: Andrew Lincoln, Norman Reedus, Steven Yeun, Lauren Cohan, Chandler Riggs, Danai Gurira, Melissa McBride, Michael Cudlitz, Lennie James, Sonequa Martin-Green, Josh McDermitt, Christian Serratos, Alanna Masterson, Seth Gilliam, Alexandra Breckenridge, Ross Marquand, Austin Nichols, Tovah Feldshuh, Michael Traynor, Jordan Woods-Robinson, Katelyn Nacon, Corey Hawkins, Kenric Green, Ethan Embry, Jason Douglas
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.