Crítica | The Walking Dead – 6X06: Always Accountable

estrelas 2

Obs: Há spoilers do episódio e da série. Leiam a crítica de todas as demais temporadas, aqui.

Estavam com saudades de Daryl? Pois ele voltou, mas parece que seu tempo não fazendo nada em cima de uma moto o transformou em um personagem desinteressante mesmo em um episódio eminentemente dedicado a ele, além de tê-lo feito desaprender tudo que aprendeu sobre como sobreviver em situações limite.

Afinal de contas, será que seu curto tempo em Alexandria, vivendo na tranquilidade, o fez confiar em qualquer um assim, em um piscar de olhos? Especialmente um qualquer um que, há pouco tempo (coisa de não mais do que algumas horas) não só havia lhe dado uma cacetada, como amarrado e o mantido sob a pontaria de uma arma. O roteiro de Heather Bellson descaracteriza Daryl quase que completamente, além de criar situações para ele que não conseguem fisgar a atenção do espectador.

Temos mais um “grupo perdido” que confunde Daryl como sendo do local de onde ele vêm. Um homem e duas mulheres, uma delas aparentemente mais jovem e debilitada em razão da diabetes (o que obviamente telegrafa sua morte a cada segundo, o que acaba acontecendo em circunstâncias para lá de idiotas), o captura não sabemos exatamente com que objetivo e, novamente sem sabermos o porquê, abandonam Daryl sem besta, sem moto e ferido no meio do lamaçal. Sinceramente não deu para entender, sob o ponto de vista narrativo, a involução do personagem e a trama mequetrefe.

Ok, toda a sequência com Daryl e seus novos “amigos” funciona como um prelúdio para a introdução da turma de Negan, grande vilão dos quadrinhos, mas é justamente por isso – e pelo clamor dos fãs em ver Daryl fazer algo que preste – que o roteiro de Bellson desaponta tremendamente. Pode ser que Norman Reedus esteja passando por um período conturbado em sua relação com a produção da série e isso poderia explicar o roteiro tratando seu personagem como coadjuvante, mas o problema é que quem sai perdendo somos nós.

Temos que lembrar que tanto Here’s Not Here quanto Now, os episódios imediatamente anteriores, foram lentos, o primeiro pausando a ação completamente para dedicar um grande flashback à origem de Morgan-Ninja-Paz-e-Amor e, o segundo, voltando ao presente, mas focando quase que exclusivamente nos alexandrinos o que efetivamente significou uma redução no passo da trama iniciada magistral e freneticamente por Scott M. Gimple em First Time Again. Por essas razões, Always Accountable deveria ter voltado à ação, mas, apesar de começar bem, com os carros perseguindo Abraham, Sasha e Daryl, sua estrutura degringola completamente logo em seguida, mais parecendo um filler do que qualquer outra coisa, lembrando-me, com temor, das primeiras temporadas da série.

Minha esperança era que ao menos a história de Abraham e Sasha fosse mais dinâmica, mas o que vi foi um bizarro momento contemplativo para os dois que quase – mas quase mesmo – culminou em um beijo em cena. Sim, ambos têm problemas para resolver e Sasha parece estar conseguindo controlar seus impulsos suicidas. Abraham não havia sido explorado ainda completamente nessa seara e seu encontro com o soldado zumbi, com direito a um momento que estranhamente lembrou a fatídica cena do suicídio de Nicholas em Thank You, tem esse objetivo, o que teria sido razoável não fosse, depois, a estranha conversa entre ele e Sasha, esse que quase culminou com um semblante de “romance dos desesperados”. Simplesmente não funcionou, seja pelos diálogos desconexos, forçados e para lá de gratuitos, seja pela mais absoluta falta de química entre os dois.

Ainda que tenha hesitado em afirmar isso antes, quer parecer que Gimple realmente está enrolando para fazer uma grande revelação sobre o destino de Glenn no episódio de metade da temporada. Não há outra razão para aquela voz no rádio bem ao final que não seja deixar os fãs discutindo se é ou não o personagem. Entendo a necessidade do suspense tanto para fins da narrativa quando pelos ratings da série, mas, ao correr com a ação nos três primeiros episódios, ele acabou caindo em uma armadilha da qual não vem conseguindo se desvencilhar. Muito sinceramente, o showrunner já provou ter mais capacidade do que a demonstrada aqui.

Always Accountable desaponta quase que completamente – acho que os únicos dois momentos memoráveis, mas apenas pelo inusitado da coisa, foram os zumbis envidraçados e o zumbi motoqueiro – e nem parece ser da mesma temporada que começou de maneira tão desesperadora. Será que há tão pouca história assim para contar? Será que Gimple realmente ficará jogando com o destino de Glenn dessa forma boba e rasteira? Espero sinceramente que não e que esse episódio se prove como um ponto fora da curva.

The Walking Dead – 6X06: Always Accountable (EUA, 2015)
Showrunner: Scott M. Gimple
Direção: Jeffrey F. January
Roteiro: Heather Bellson
Elenco: Andrew Lincoln, Norman Reedus, Steven Yeun, Lauren Cohan, Chandler Riggs, Danai Gurira, Melissa McBride, Michael Cudlitz, Lennie James, Sonequa Martin-Green, Josh McDermitt, Christian Serratos, Alanna Masterson, Seth Gilliam, Alexandra Breckenridge, Ross Marquand, Austin Nichols, Tovah Feldshuh, Michael Traynor, Jordan Woods-Robinson, Katelyn Nacon, Corey Hawkins, Kenric Green, Ethan Embry, Jason Douglas
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.