Crítica | The Walking Dead – 6X15: East

estrelas 2,5

Obs: Há spoilers do episódio e da série. Leiam a crítica de todas as demais temporadas, dos games e das HQs, aqui.

Penúltimo episódio da sexta temporada de The Walking Dead e pronto, perdi minha paciência. Completamente. Cansei dos artifícios usados um episódio atrás do outro para criar suspense, para tentar esticar a narrativa até o limite do aceitável. Acontece que East simplesmente foi a gota d’água, aquela esticada na corda que a arrebenta.

Ok, Carol não aguentou mais a pressão e foi embora. Voltamos um pouquinho ao passado e aprendemos um pouco sobre seus preparativos. Nenhum problema com isso, já que a personagem estava realmente passando por problemas psicológicos fortes, revivendo seu passado assassino e sofrendo tremendamente com isso. Mas, depois que Rick deixa finalmente claro, na cama com Michonne (em mais um daqueles começos romântico-bucólico-clichês que têm marcado a temporada), que  ele teme um ataque, ainda que não especifique que poderia ser dos Salvadores, ele próprio abandonar Alexandria com Morgan para ir atrás de Carol não me parece uma estratégia muito sensata. Se fosse só Morgan, ótimo, pois, apesar de ser um ninja, ele tem sido praticamente inútil, mas os dois juntos?

No entanto, apesar de eu ter revirado os olhos para isso, eu já havia socado a mesa em descrédito diversas vezes logo antes, quando Daryl também sai de Alexandria para caçar Dwight (que ele deveria ter matado lá atrás – outro inútil na série…) e não um, não dois, mas TRÊS habitantes da cidadela vão atrás dele. E, claro, não são três personagens quaisquer, mas sim Glenn, Michonne e Rosita (está bem, um personagem qualquer…). Então vamos recapitular: a cidade, de acordo com o próprio Rick, está na iminência de ser atacada e quatro personagens do alto escalão + Rosita decidem abandonar seus postos para ir atrás de Carol e Daryl, a primeira uma das mais independentes da série e, o segundo, em algum ponto do passado, foi um caçador e rastreador do mais alto gabarito. Alguém me ajude a achar a lógica aqui…

E antes que me digam “ah, eles são todos família e família não pode ser abandonada”, eu já respondo “hummm, simplista e conveniente demais, não?”. A história exigia que alguns personagens estivessem do lado de fora e, no lugar de o próprio Gimple, que co-escreve o episódio com Channing Powell, construir uma desculpa mais fluida, mais orgânica, ele prefere continuar fazendo com que o grupo liderado por Rick aja burramente, algo que vem sendo o padrão desde o amalucado e completamente sem sentido plano para assassinar os Salvadores sem saber nada sobre eles em Not Tomorrow Yet.

Até mesmo a ação envolvendo Carol tendo outro ataque de pânico antes de fuzilar os Salvadores que encontra (aliás, esses Salvadores só apanham, não é mesmo?), é cansativa e óbvia. Sim, bacana ela ter uma metralhadora escondida na manga, mas essa brincadeira com a Carol surtada, mas tão assassina quanto antes já cansou, já perdeu a novidade. Chegou ao ponto de eu ter perdido o interesse se ela estava ferida, se Morgan a achará ou não. E estamos falando de Carol, a melhor personagem de toda a série!

Mas a cereja no bolo foi mesmo a ação do grupo que vai atrás de Daryl. Glenn e Michonne são capturados, usados como iscas e Daryl e Rosita caem como patinhos. E, claro, o cliffhanger leva à aparência de morte de Daryl por Dwight, com direito a sangue em computação gráfica jogado na lente e um corte brusco. Se ele morreu? Confesso que, assim como perdi o interesse em Carol, também não me importo mais com o destino de Daryl. O que eu me importo é novamente haver esse misteriosinho bobo que já quase feriu de morte a primeira metade dessa temporada, com a morte-não-morte de Glenn. Esse expediente conseguiu ser diluído por Gimple a tal ponto que fica difícil entender suas escolhas como showrunner, especialmente considerando o material base que ele tem disponível. É excelente quando ele muda o caminho das HQs, mas uma coisa é alterar o rumo e outra, completamente diferente, é reciclar artifícios batidos.

Falando em artifícios batidos, o corte do cabelo de Maggie e seu repentino problema com a gravidez são outros dois momentos de rolar os olhos. Quem já leu a HQ consegue fazer a conexão com o que potencialmente acontecerá (e não falo aqui da gravidez, mas deixarei em aberto para não estragar nada para quem não tiver lido).

Se Gimple, com East, tinha como objetivo irritar o espectador (ok, ME irritar), então ele conseguiu. Minha única esperança é que o último episódio redima a temporada.

The Walking Dead – 6X15: East (EUA, 27 de março de 2016)
Showrunner: Scott M. Gimple
Direção: Michael E. Satrazemis
Roteiro: Scott M. Gimple, Channing Powell
Elenco: Andrew Lincoln, Norman Reedus, Steven Yeun, Lauren Cohan, Chandler Riggs, Danai Gurira, Melissa McBride, Michael Cudlitz, Lennie James, Sonequa Martin-Green, Josh McDermitt, Christian Serratos, Alanna Masterson, Seth Gilliam, Alexandra Breckenridge, Ross Marquand, Austin Nichols, Tovah Feldshuh, Michael Traynor, Jordan Woods-Robinson, Katelyn Nacon, Corey Hawkins, Kenric Green, Ethan Embry, Jason Douglas, Tom Payne, Xander Berkeley
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.