Crítica | The Walking Dead – 7X12: Say Yes

Andrew Lincoln as Rick Grimes, Danai Gurira as Michonne - The Walking Dead _ Season 7, Episode 12 - Photo Credit: Gene Page/AMC

estrelas 4

Obs: Há spoilers do episódio e da série. Leiam, aqui, as críticas de todas as demais temporadas, dos games e das HQs. E, aqui, da série spin-off, Fear the Walking Dead.

É fácil criticar um episódio de The Walking Dead como este. Nada substancial para a história ocorre e poucos núcleos são explorados. A série, no entanto, permanece fiel em prolongar a caracterização e exploração de seus personagens, optando por adiar boa parte dos eventos mais importantes para momentos chaves. Alguns problemas pontuais, porém bastante presentes, deixam boa parte desses episódios a desejar, e isso referindo-se muito mais para os dessa sétima temporada, onde a progressão de história é mais chamativa e as escolhas narrativas tomadas ficaram muito aquém das feitas na quinta temporada, por exemplo. Felizmente, o episódio dessa semana é um alívio, aprofundando camadas de personagens mais importantes e trazendo alguns questionamentos interessantes para o espectador.

A começar pelo casal principal da série, Rick e Michonne estão de volta, agora, em uma missão à procura de armamento. Mais unidos do que nunca, essa é a primeira vez que vemos a dupla atuando como um casal em essência e tudo não poderia ter sido ser melhor feito. Embora a ideia dos dois juntos na série sempre soou perfeita, visto que Andrea – que nos quadrinhos tornou-se namorada do ex-policial nesse ponto da história – havia sido morta prematuramente e a relação de amizade entre Rick e Michonne foi especialmente trabalhada, o roteiro pouco fez para dar credibilidade à esse amor. Não mais.

Em Say Yes, Andrew Lincoln e Danai Gurira estão em perfeita sintonia. A química entre os dois nunca soou tão verídica. Boa parte do episódio demonstra a vontade de Rick em permanecer com Michonne por mais tempo, por mais horas, por mais dias. Ele tem um plano. Ele quer acabar com o s Salvadores, mas é inevitável a tentação do homem em ficar naquele armazém com a mulher que ama e viver a vida dele, com toda aquela comida e segurança, esticando assim aqueles bons momentos antes de ver o provável desfecho: amargo, como acredita o protagonista. Rick, porém, como apontado pela espadachim, é um líder, aquele que deve guiar as pessoas, com pessoas que iriam até o inferno por ele. Revertendo os papéis, o ótimo – e emocionante diálogo ao final do episódio, que envolve um desabafo muito particular sobre Glenn e perdas, traz para Michonne o papel de ser uma líder. O papel de guiar os outros, como ela guiou Rick de The Day Will Come When You Won’t Be para o presente momento.

O episódio, como é de praxe na série, para que não esqueçamos que estamos vendo um apocalipse zumbi, também tem seus momentos com os andarilhos. Momentos estes que aqui estão especialmente refinados. É interessante ver uma simples missão de limpa de uma região ir da comédia para o drama em segundos. Enquanto lidam com os mortos vivos de um modo mais leve, sem a tensão recorrente desses tipos de ocasiões, os atores contribuem para a solidificação da harmonia entre os personagens. Quando o drama surge ele não está anestesiado, como a maioria dessas situações já estão. É genuinamente melancólico ver Michonne acreditando que Rick morreu. Nós sabemos que Rick não morreu, mas o episódio não está focando nisso. e sim. na importância que aquele homem tem para aquela mulher. E isso é transmitido perfeitamente.

Greg Nicotero está de volta na direção de um episódio e ele sabe lidar com essas criaturas como ninguém. Além de um parque de diversões ser um cenário novo para o seriado, as sequências de ação estão bastante inventivas. Desde o zumbi atirando “sem querer” até a recorrente contagem de bichos a serem abatidos no capítulo. Um novo fôlego para aqueles que são as atrações principais do seriado e estavam bastante monótonos, mais do que de costume. Também realço uma parte onde há um vislumbre de zumbis sendo decapitados por Michonne atrás de uma lixeira. Algo que se já não tinha visto, vejo pela primeira vez em bastante tempo: a mistura da sutileza, o implícito com o gore, o explícito. Ótima sacada de Nicotero, que também parece ter contribuído com a grotesca maquiagem e próteses de uma zumbi medonha, que no caso, ataca Rosita, outra personagem que dá as caras no capítulo.

Rosita, no caso, foi direcionada para um caminho, que apesar de soar redundante (a jornada dela na primeira metade também se resumia em sacrifício), aqui parece começar a dar sinais de consequências maiores. Pelo menos tivemos espaço para que o Padre Gabriel pudesse dar mais um discurso genial do personagem. Por outro lado, Tara, mesmo sendo interpretada pela carismática Allana Masterson, leva sua trama para frente,  direto ao ponto, mesmo que a gente não ligue muito.

Antes de tudo, Oceanside não é flor que se cheire. Jadis, a líder dos lixeiros, apareceu menos e já é mais simpática que qualquer uma daquela comunidade (aliás, preciso comentar das negociações sempre maravilhosas entre Rick e Jadis, no melhor estilo Trato Feito?). E mesmo assim Jadis dá calafrios. Então não é como se fosse moralmente questionável Tara abrir a boca para Rick. Mas até aí tudo bem. O que destrói essa situação inteira de uma vez só é a terrível construção da dúvida, do dilema. As coisas são decididas durante um “diálogo” com Judith, um bebê. Quem achou que isso seria uma boa ideia? A única coisa pior que Tara questionando seu impasse moral com Judith é o CGI daquele cervo. Por um momento achei que era uma cabra, depois confundi com o cenário e, no final, pensei que fosse o Rick. A equipe de efeitos especiais está com sérios problemas, ou eu estou só sendo rabugento mesmo?

Em si, esse não é exatamente um passo para frente. É como se fosse um novo par de tênis, mais bonito e granjeado, colocado em pés ainda imóveis na mesma grama. Felizmente, a ótima condução de Greg Nicotero, as boas performances e o deleite que é assistir pela primeira vez uma pequena aventura amorosa de Rick e Michonne elevam o nível do episódio e engrandecem a série. Mesmo com deslizes, Say Yes é um grande acerto para uma série instável, mas que mesmo assim consegue nos presentear com momentos únicos.

The Walking Dead – 7X12: Say Yes — EUA, 5 de março de 2017
Showrunner: 
Scott M. Gimple
Direção:
Greg Nicotero
Roteiro:
Matt Negrete
Elenco: 
Andrew Lincoln, Norman Reedus, Lauren Cohan, Chandler Riggs, Danai Gurira, Melissa McBride, Lennie James, Sonequa Martin-Green, Josh McDermitt, Christian Serratos, Alanna Masterson, Seth Gilliam, Ross Marquand, Jordan Woods-Robinson, Katelyn Nacon, Corey Hawkins, Kenric Green, Jason Douglas, Tom Payne, Xander Berkeley, Khary Payton, Karl Makinen, Logan Miller, Austin Amelio, Christine Evangelista, Steven Ogg, Debora May, Sydney Park, Mimi Kirkland, Briana Venskus, Nicole Barré, Pollyanna McIntosh, Jeffrey Dean Morgan 
Duração: 
44 min.

GABRIEL CARVALHO . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidades, movido por uma pequena loucura chamada amor. Já paguei as minhas contas e entre guerra de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia. Eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar, não é mesmo?