Crítica | The Walking Dead – 8X04: Some Guy

Obs: Há spoilers do episódio e da série. Leiam, aqui, as críticas de todas as demais temporadas, dos games e das HQs. E, aqui, da série spin-off, Fear the Walking Dead.

Das mãos de seus súditos distanciando-se de seu corpo quase sagrado, somos transportados, em uma boa edição, para a visão de desgraça que seria apresentada a Ezequiel, dada as circunstâncias do último episódio, Monsters. O flashback inicial, contudo, além de situar o espectador dentro da desconstrução mítica que será feita, é mais atraente do que as cenas anteriores do Rei que envolviam discursos.

Já o flashback de Carol com Ezequiel no meio do episódio não precisaria existir, e quebra um pouco do ritmo do episódio, não que o afete drasticamente se não em um apuramento mais “técnico”. Aqui, alguns personagens terciários despedindo-se de seus familiares inomináveis é o pano de fundo da voz de Khary Payton. Naquele momento ele ainda sorria, mas ao ser confrontado com a derrota, a morte de homens que jurou proteger, o Rei encontrar-se ia abalado, tendo de duelar com o significado de sua própria existência.

Apesar de, particularmente, o crítico que vos fala ter gostado dos últimos dois episódios, nota-se que, em conjunto, a série parece desfocada e pouco coesa, algo que foi consertado parcialmente no último episódio (vide a explicitação mais clara dos objetivos dos time Rick) e que aqui revitaliza-se em um episódio mais introspectivo, mas que garante movimentação linear da narrativa geral. É assim que, enquanto se esgueira para fora de uma pilha de homens – todos seus – mortos, e depois, arrastando-se por entre o local, Ezequiel tem espaço para o seu primeiro grito. Seu desabafo perante situação de tamanho terror. Consequentemente, o previsível – o retorno dos mortos – acontece, e nele encontra-se um dos aspectos mais positivos do episódio: os zumbis importam. Ezequiel realmente encontra-se em perigo. O ator, em sua melhor atuação como o personagem até então, está a serviço do próprio roteiro, que acerta perfeitamente no que tange a desestabilização e desestruturação do personagem. O Rei nunca esteve tão vulnerável.

Por outro lado, pode-se dizer que o caminho encontrado por meio do Salvador que surge para “acompanhar” a caminhada de Ezequiel fora um tanto quanto equivocado e por tal, diga-se, expositivo. Muito do que está acontecendo na própria mente de Ezequiel, e que se transpassa pelo contexto e pela atuação de Payton, acaba assumindo linhas de diálogo do Salvador, o que é completamente desnecessário. O ator ainda por cima não convence, e sendo assim, dá-se graças a Deus quando o mesmo é dividido ao meio pelo nosso amado Jerry. Sim, é incrível como os únicos três personagens que sobrevivem no episódio, a contar por Carol, são os que a gente é mais apegado, e conhece o nome. Mas isso é algo que, como ponto excepcional, acaba relevado, mas que no coletivo, juntamente ao fato das soluções encontradas serem performadas em última hora, acaba pesando um pouco mais. Isso, todavia, não muda nem um pouco o excelente enfoque dado à estrela do episódio, Ezequiel, que finalmente recebe um tratamento a altura, e até um pouquinho a mais, da majestade do personagem.

Tanto Jerry, quanto até Carol – em estilo mais próximo da mulher de antes que aprendemos a amar – provavelmente funcionariam muito mais para o episódio se morressem a serviço do Rei. Certamente a morte de Carol seria um grande baque, mas, visto que a personagem está sem um arco de desenvolvimento bem definido, sua morte para ajudar o crescimento de Ezequiel seria interessante – e polêmica. É de tal forma que, a única personagem que, nas palavras de Ezequiel, o diferiram de um cara qualquer – Shiva, acaba sendo morta em combate, em uma cena que, se não extremamente emocionante, funciona na dose certa para o trabalho de personagem do roteiro de David Leslie Johnson. Menos importante, mas extraordinariamente não menos coeso com o episódio em si, o team-up de Daryl e Rick ressurge em uma cena divertida de perseguição de carro.

Some Guy é, enfim, o episódio mais consistente da oitava temporada de The Walking Dead até então, o qual, se não fosse alguns aspectos de sua narrativa, poderia ter funcionado ainda mais e garantido assim um lugar dentre os melhores episódios da série.

The Walking Dead – 8X04: Some Guy — EUA, 12 de novembro de 2017
Showrunner: 
Scott M. Gimple
Direção: Dan Liu
Roteiro:
David Leslie Johnson
Elenco: 
Andrew Lincoln, Norman Reedus, Lauren Cohan, Chandler Riggs, Danai Gurira, Melissa McBride, Lennie James, Josh McDermitt, Christian Serratos, Alanna Masterson, Seth Gilliam, Ross Marquand, Jordan Woods-Robinson, Katelyn Nacon, Kenric Green, Jason Douglas, Tom Payne, Xander Berkeley, R. Keith Harris, Khary Payton, Cooper Andrews, Austin Amelio, Christine Evangelista, Steven Ogg, Debora May, Sydney Park, Mimi Kirkland, Briana Venskus, Nicole Barré, Pollyanna McIntosh, Juan Pareja, Dahlia Legault, Kerry Cahill, Jeremy Palko, Brett Gentile, Jeffrey Dean Morgan
Duração: 
 44 min.

GABRIEL CARVALHO . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidades, movido por uma pequena loucura chamada amor. Já paguei as minhas contas e entre guerra de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia. Eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar, não é mesmo?