Crítica | The Walking Dead – 8X05: The Big Scary U

Obs: Há spoilers do episódio e da série. Leiam, aqui, as críticas de todas as demais temporadas, dos games e das HQs. E, aqui, da série spin-off, Fear the Walking Dead.

Na temporada passada, um dos maiores problemas em relação ao vilão principal era o seu caráter unidimensional apresentado. Durante todos os episódios que apareceu, Negan não teve nenhum arco próprio, nenhuma construção de personagem e nenhuma caracterização diferente da mostrada tanto no último episódio da sexta temporada, quanto no primeiro da sétima. Estava na hora do personagem ganhar camadas a serem exploradas, não necessariamente a introdução de um flashback ou algo relativo ao seu passado, mas um olhar mais aprofundado sobre quem ele é, as coisas que ele faz, ou as coisas que ele vai fazer. The Big Scary U nos mostra isso, não da melhor maneira, mas nos mostra.

É interessante ver lados mais frágeis do antagonista, os quais são transpassados por Jeffrey Dean Morgan. O passado de Negan acaba sendo brevemente comentado, mas o ponto principal do bom diálogo (longe da excelência, contudo) entre ele e Gabriel vai além. Negan é realmente um líder, tanto quanto Rick é. Provavelmente melhor. O entendimento que se dá pelo que é dito por meio do personagem é que ele fez o que teve de fazer, e não se arrepende por nada disso. Isso é interessante, o fato do arrependimento do personagem, da confissão dele, se residir em acontecimentos anteriores ao apocalipse. Negan acredita que está levando os que lhe seguem para um caminho melhor, tornando-os fortes, e isso é importante para contextualizar acontecimentos que, se a série seguir os quadrinhos como prenuncia, virão.

Na busca pela confissão de Negan, tida como seu propósito nesse episódio, quem recebe destaque é Gabriel. Seth Gilliam está bem e possui boas falas, todavia, nenhuma grandiosamente oferecida pelo roteiro. Posterior ao momento entre os dois, as cenas com zumbis não tem nada de especial, nem um pouco inspiradas. São situações como essas que os responsáveis pelo episódio tem para dar ao público o entretenimento que o mesmo anseia, e serem criativos na forma como vão passar a “tensão” e o drama de modo original. O que foi passado foi a primeira “fantasia de zumbi’ genérica, sem nenhum apelo, a qual ainda termina abruptamente, evidenciando uma montagem desleixada de um episódio pouco fluido.

Por outro lado, após o bem breve e funcional flashback de Gabriel, somos levados a outro flashback com Gregory, que repete informações de conhecimentos prévios do espectador. De interessante apenas a refutação de Negan perante o que é dito por Simon sobre um massacre de pessoas (o que faz me questionar por que Negan assassinou todos os homens de Oceanside; seria algo anterior a seu comando, casualidades de confrontos, ou furo no roteiro?). Isso, porém, poderia ter sido falado durante o tempo de Gabriel com Negan, o que daria mais relevância ao que é compartilhado entre os dois personagens.

Ademais, os tenentes de Negan recebem um bom confronto dentro dos conformes do Santuário. É válido sabermos mais das interações que ocorrem no local, dentre elas a relação dos trabalhadores com os demais. Todavia, tendo em vista a pouca relevância que Gavin e Regina tem na série até o momento, seria melhor se essa parte da narrativa fosse conduzida de maneira mais hábil, algo que não é oferecido nem pela direção nem pelo roteiro, este último que ainda faz questão de esquecer o “climão” criado sobre o fato da existência de um traidor dentre os tenentes. Tal conflito é jogado durante uma das reuniões e colocado para debaixo do tapete. Apenas Eugene recebe algumas atualizações sobre quem é o traidor, porém da maneira mais fácil que o roteirista encontrou para revelar isso a ele.

Por mais, Daryl e Rick retornam (ambos apareceram em todos os episódio da temporada até agora), mas, diferentemente do capítulo anterior, soa-se como a dupla tivesse sido enfiada pelo roteiro que precisava porque precisava colocar-los aqui. Mas eles não precisavam estar aqui, visto que a cena entre os dois poderia ter sido facilmente encaixada no episódio anterior. Por outro lado, de qualquer forma, o confronto que acontece entre os dois é mal explorado, e mal exposto. Os dois logo vão de algumas discordâncias para a agressão física, como se fossem animais, e não amigos de longa data. Ao menos, depois da briga, que se houvesse um diálogo, ou um conflito existencial melhor aprofundado, não uma troca de farpas bem humorada.

The Big Scary U é o ponto mais baixo da temporada até então, indicando uma bagunça generalizada, mas específica por parte da produção da série. O episódio pega problemas constantes da série e os realça de maneira que tornam-se impossíveis de serem relevadas, ainda mais que os pontos que são aproveitados não consegue sustentar os deméritos que existem. Felizmente nada do que aconteceu aqui em The Big Scary U, por parte da história, traz algum prejuízo para o futuro. Inclusive, algumas boas indagações são feitas, boas sub-tramas são pinceladas, mesmo que no contexto desse quinto episódio da temporada não funcionem. Talvez, no contexto geral, sejam mais apreciáveis.

The Walking Dead – 8X05: The Big Scary U — EUA, 19 de novembro de 2017
Showrunner: 
Scott M. Gimple
Direção: Michael E. Satrazemis
Roteiro:
David Leslie Johnson, Angela Kang
Elenco: Andrew Lincoln, Norman Reedus, Lauren Cohan, Chandler Riggs, Danai Gurira, Melissa McBride, Lennie James, Josh McDermitt, Christian Serratos, Alanna Masterson, Seth Gilliam, Ross Marquand, Jordan Woods-Robinson, Katelyn Nacon, Kenric Green, Jason Douglas, Tom Payne, Xander Berkeley, R. Keith Harris, Khary Payton, Cooper Andrews, Austin Amelio, Christine Evangelista, Steven Ogg, Debora May, Sydney Park, Mimi Kirkland, Briana Venskus, Nicole Barré, Pollyanna McIntosh, Kerry Cahill, Traci Dinwiddie, Charles Halford, Jayson Warner Smith, Jeffrey Dean Morgan
Duração: 
 44 min.

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.