Crítica | The Walking Dead – 8X06: The King, The Widow and Rick

Obs: Há spoilers do episódio e da série. Leiam, aqui, as críticas de todas as demais temporadas, dos games e das HQs. E, aqui, da série spin-off, Fear the Walking Dead.

Sem nenhuma delonga, o episódio da vez adota como principal veia narrativa, se é que é possível considerar algum foco narrativo para a série, a ida de Rick Grimes ao lixão, em busca de alianças daqueles que o trairam anteriormente. Não faz muito sentido, mas é possível que essa ideia seja comprada, mediante uma leve suspensão de descrença. O que poderia ser um episódio mais instigante sobre esse conflito dentro do lixão – talvez com um aprofundamento do povo mais esquisito (muito mais esquisito que os canibais) da série – é preenchido por meia hora de texto mal escrito.

Em primeiro plano, o segmento mais razoável do episódio estrela Carl em busca daquele mesmo personagem que aparecera no começo da temporada, Siddiq, interpretado por Avi Nash. O personagem, em paralelo com os quadrinhos, parece ter sido introduzido, de fato, à série, antes mesmo do que no material fonte, possibilitando bons caminhos para uma figura interessantíssima. A questão envolvendo sua mãe, e sua própria religião, podem ser abordadas futuramente na série. Ademais, é bom assistir Carl tomando medidas por conta própria e os diálogos entre os personagens são superiores do que os demais do episódio. Entretanto, a cota de zumbis é mal preenchida com uma sequência genérica e previsível.

Nesse meio tempo, Maggie decide tomar providências em relação aos Salvadores que foram levados à colônia. É interessante notar Gregory aliado ao pensamento sanguinolento de um massacre. Embora seja um lobo em meio a cordeiros, a mesma linha de raciocínio é continuada pela líder de Hilltop, a qual afirma que todos aqueles homens serão executados quando não forem mais úteis. Extremamente creepy. Mesmo assim gratificante as cenas envolvendo Gregory indo para a prisão construída para os Salvadores. Novamente o ator Xander Berkeley está inspiradíssimo na sua performance, enquanto Lauren Cohan reitera o fato de que a atriz não é uma das melhores da série. Como nada pode permanecer no mínimo aceitável, o núcleo de Hilltop acaba prometendo uma nova subtrama forçada, envolvendo Aaron e Enid, imposta pelos roteiristas que não sabiam o que fazer com os personagens.

Por outro lado, pouquíssimo funciona nas tramas envolvendo idas para o Santuário. Primeiramente, enquanto Rosita não recebe nenhuma justificativa plausível para ir a esse lugar, Michonne claramente está desconfortável com sua estadia demasiadamente longa em Alexandria. No final, recebemos apenas um pretexto para uma – excelente – cena envolvendo lança-granadas, a mínima interação da dupla com algo maior do que elas mesmas e a notificação da série ao público de que tais personagens ainda existem. Já Daryl e Tara conseguem se sobressair no que se refere à estupidez cega. O personagem, que já sofreu as consequências da sua impulsividade temporada passada, por algum motivo – uma luz apontando àquela direção – vai ao encontro de Tara, que, coincidentemente, é a única outra personagem que está tendo a mesma postura que ele sobre o que fazer em relação aos Salvadores. Ambos, no entanto, estão querendo morrer e causar besteiras, indo contra o plano desenvolvido (espera-se que minuciosamente) por Rick e cia porque sim.

O ponto mais alto do episódio, porém, é o diálogo entre Carol e Ezekiel; ótimo momento de Melissa McBride. Ao Rei, a reclusão é a única resposta depois das perdas sofridas em Some Guy, enquanto para Carol há muito mais que o homem possa fazer pelo seu Reino. Aos trancos e barrancos, The Walking Dead nos oferece mais um episódio problemático; uma colcha de retalhos mal desenvolvidos. Com as suas exceções, os diálogos são extremamente fracos e importantes subtramas se perdem no meio de uma condução arrastada e desfocada. Os bons personagens que aprendemos a amar na série são relegados a papeis artificiais, pouco críveis. Não sobra espaço nem para o Rei, nem para a Viúva, nem para Rick, salvarem qualquer um de nós de um destino cada vez mais obscuro.

The Walking Dead – 8X06: The King, The Widow and Rick — EUA, 26 de novembro de 2017
Showrunner: 
Scott M. Gimple
Direção: John Polson
Roteiro:
Angela Kang e Corey Reed
Elenco: Andrew Lincoln, Norman Reedus, Lauren Cohan, Chandler Riggs, Danai Gurira, Melissa McBride, Lennie James, Josh McDermitt, Christian Serratos, Alanna Masterson, Seth Gilliam, Ross Marquand, Jordan Woods-Robinson, Katelyn Nacon, Kenric Green, Jason Douglas, Tom Payne, Xander Berkeley, R. Keith Harris, Khary Payton, Cooper Andrews, Austin Amelio, Christine Evangelista, Steven Ogg, Debora May, Sydney Park, Mimi Kirkland, Briana Venskus, Nicole Barré, Pollyanna McIntosh, Kerry Cahill, Traci Dinwiddie, Charles Halford, Jayson Warner Smith, Avi Nash, Jeffrey Dean Morgan
Duração: 
 44 min.

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.