Crítica | The Walking Dead – 8X07: Time for After

Obs: Há spoilers do episódio e da série. Leiam, aqui, as críticas de todas as demais temporadas, dos games e das HQs. E, aqui, da série spin-off, Fear the Walking Dead.

Eugene é, definitivamente, um dos personagens mais bem trabalhados de The Walking Dead. Sendo assim, é bom que a oitava temporada, felizmente, não o tenha esquecido, como já fizera com tantos outros coadjuvantes agraciados por algum desenvolvimento. Suas falas figuram como algumas das maiores pérolas (no bom sentido) da série, a interpretação de Josh McDermitt é certeira e os dramas que envolvem o personagem são os melhores resolvidos. Agora, tendo que lidar com o confronto entre o seu passado de aliança a Rick e a seu presente de lealdade a Negan, Eugene ganha mais alguns bons momentos em Time for After, os quais, definitivamente, poderão cansar os espectadores que não forem grandes fãs do personagem, visto que o mesmo protagoniza a maior parte do episódio. Este, no entanto, não há de ser, nem de longe, o maior problema desse mais novo capítulo de Rick e companhia.

A começar pelo melhor do episódio, as tensões entre o homem da ciência e os demais personagens de seu núcleo são muito envolventes. O Padre Gabriel, que está muito doente, clama pela ajuda de seu ex-companheiro de viagem. Ele quer levar o Dr. Carson de volta a Hilltop. Negando, Eugene opta pelo que é mais confortável, sua segurança ao lado de Negan, um dos homens que mais verdadeiramente apreciou a utilidade do antigo professor de ciências dentro deste cenário apocalíptico. O discurso de Gabriel é extremamente útil para balançar um pouco a cabeça do personagem, assim como a invasão dos zumbis ao Santuário. Embora designado como covarde, Eugene sempre buscou ajudar as pessoas que pôde e eis que todos os moradores do local estão em apuros devidos às arruaças do Esquadrão Suicida – que será pontuado daqui a pouco. Pouco resta se não beber a birita que conseguiu.

Ademais, o roteiro encontra uma primeira solução inventiva para a problemática dos zumbis que cercam o Santuário, mas, como é de se esperar, The Walking Dead não consegue tirar dois coelhos de uma mesma cartola, tendo que deixar em off a segunda solução idealizada por Eugene mais à frente – e que, no caso, acaba funcionando. Isso pois Dwight – que fora descoberto pelo homem de mullet da maneira mais ridícula possível – toma uma postura agressiva diante das ameaças proferidas pelo outro tenente de Negan. Em uma cena tensa funcional, Eugene, prestes a acionar aquela sua primeira solução inventiva, acaba por ficar na mira de Dwight e revela um misto de coragem e inteligência, assumindo todas as possibilidades possíveis, e por fim acionando o aparato. Dwight, em boa performance de Austin Amelio no episódio, acaba atirando no planador. Esses, contudo, não serão os únicos tiros do episódio.

Com a cobertura de Morgan, a Dupla Dinâmica, composta por Tara e Daryl, tem uma santa ideia. Eles decidem bater um caminhão contra as paredes do Santuário, derrubando-as e permitindo que os mortos entrem no local. Rosita e Michonne, inicialmente, também se encontravam nesse grupo, mas logo se debandam. Enquanto Rosita é a única personagem sensata, remetendo a sua construção de personagem, vide que ações impulsivas anteriores levaram à morte de Sasha, Daryl parece esquecer o que acontecera a Glenn. Porém, se não esqueceu, assumindo, portanto, apenas uma posição contrária a de Rosita, o roteiro não faz questão alguma de explicar isso. É como se a série fosse um conjunto de folhas em branco, com apenas ações, na qual a gente tem que adivinhar todo o contexto da situação, o que se passa na cabeça dos personagens e o porquê de suas atitudes. Não que seja necessário deixar tudo claro, mas pelo menos que se revele alguma coisa. Além do mais, é inegável que Tara perdeu qualquer charme que antes tinha; seu jeito mais cômico foi embora em troca dessa figura isenta de noção de burrice e risco. Isso sem mencionar Michonne, que, mesmo tendo suas razões para ter vindo ao Santuário, poderia ter conscientemente desistido junto com Rosita, e não esperado o exato momento depois. Os roteiristas apenas queriam fazê-la contracenar sozinha com Daryl e essa foi a carta na manga que encontraram.

Pinceladas durante o início e o final do episódio, as interações entre Rick e o povo do Lixão ainda são “aprofundadas”. De forma confusa, não entende-se de nenhuma forma como aquelas pessoas se comportam, como pensam, ou o que planejam. Eu realmente acredito que em algum momento Jadis irá se revelar como uma versão feminina do Capitão Feio, da Turma da Mônica, com o plano de deixar o mundo sujo e emporcalhado. Faz mais sentido que a mudança de postura totalmente passiva da personagem, deveras contraditória. Depois de diversas bizarras situações aleatórias, como um Winslow 2.0 muito menos atraente que o original, por exemplo, Rick acaba conseguindo um sim de Jadis e ambos viveram felizes para sempre. Não? O plano deu totalmente errado, os zumbis todos sumiram, assim como os atiradores (estes eu não tenho mínima ideia para onde foram)? Tudo provavelmente por causa da missão estúpida de Tara e Daryl? Claro, isso é The Walking Dead.

The Walking Dead – 8X07: Time for After — EUA, 3 de dezembro de 2017
Showrunner: 
Scott M. Gimple
Direção: Larry Tang
Roteiro:
Matthew Negrete e Corey Reed
Elenco: Andrew Lincoln, Norman Reedus, Lauren Cohan, Chandler Riggs, Danai Gurira, Melissa McBride, Lennie James, Josh McDermitt, Christian Serratos, Alanna Masterson, Seth Gilliam, Ross Marquand, Katelyn Nacon, Kenric Green, Jason Douglas, Tom Payne, Xander Berkeley, R. Keith Harris, Khary Payton, Cooper Andrews, Austin Amelio, Christine Evangelista, Steven Ogg, Debora May, Sydney Park, Mimi Kirkland, Briana Venskus, Nicole Barré, Pollyanna McIntosh, Kerry Cahill, Traci Dinwiddie, Charles Halford, Jayson Warner Smith, Jeffrey Dean Morgan
Duração: 
 44 min.

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.