Crítica | The Walking Dead – 8X10: The Lost and the Plunderers

  • Observação: Há spoilers do episódio e da série. Leiam, aqui, as críticas de todas as demais temporadas, dos games e das HQs. E, aqui, da série spin-offFear the Walking Dead.

The Lost and the Plunderers é um dos episódios mais interessantes dessa fraca oitava temporada. Tendo em vista que o caminho a ser trilhado por Rick após a morte de Carl já foi definido; um caminho do perdão, natural conclusão de mais um capítulo na vida do personagem de Andrew Lincoln, que começa com a despedida de seu filho; Scott M. Gimple parece ter uma astúcia surpreendente em como vai trabalhar essa questão. Os percursos, embora previsíveis, instruem jornadas coesas para certos personagens. Michonne parece já ter entendido parte da mensagem deixada pelo garoto, Rick não. Por isso, podemos fazer analogias incríveis entre diversos acontecimentos, passados e presentes. Negan clama que a culpa pela morte do garoto é de Grimes. Ora, se Rick tivesse trazido Siddiq para a comunidade, logo em Mercy, definitivamente Carl ainda estaria no meio de nós. Percebam também como é parecida a maneira que Siddiq e Jadis são afastados pelo protagonista; ambos com tiros por cima da cabeça. Nos dois casos, o ex-xerife poderia ter ajudado, poderia ter feito a diferença na vida daquelas pessoas. Definitivamente este é um dos capítulos que mais bem costura o foco da série, para onde ela quer ir e como ela quer levar os seus protagonistas consigo, os quais pareciam, até então, perdidos nesse apocalipse zumbi.

Ao mesmo tempo, este também é um dos capítulos mais humanamente compreensíveis – pelo menos sob o ponto de vista de Rick, que quer que Jadis só suma. Apenas sumir. Diferentemente do que a série costuma fazer, encontrar justificativas filosóficas para certas atitudes questionáveis, Rick comporta-se de uma forma humana, mostrando o desgaste dele. Ao chegarmos enfim no ponto alto do episódio, e provavelmente o ponto mais alto de toda a temporada, temos a conversa entre Rick e Negan, extremamente verdadeira. Como apenas se “render” depois de toda aquela carnificina? Se Grimes fosse menos cego talvez nada disso teria acontecido. Negan matou Glenn e Abraham de forma sádica, nós sabemos disso. Mas o que Rick fez? Exterminou estranhos que estavam dormindo, atuando como mercenário. Diferentemente dos quadrinhos, esse Negan tem muito mais motivação – e sim eu estou mostrando pontos positivos da série, para mim, superiores aos dos quadrinhos. De fato o personagem andou por círculos a sexta temporada inteira, mas agora parece encontrar os seus trilhos. Negan lamenta a morte de Carl e nós sentimos isso, surpreendentemente. Todavia, é no conflito entre Simon e ele que temos, para o futuro, um possível desdobramento ainda mais instigante.

No momento que, teoricamente, era para ser o mais impactante do episódio, Simon massacra todo o povo do lixão. Vale lembrar que David Boye imprime uma visualização literalmente episódica de The Lost and the Plunderers, separando tudo por ponto de vista; um artifício completamente desnecessário. Mas, continuando a análise desse núcleo, tal ação do braço direito de Negan é, sem sombra de dúvidas, um marco para o futuro, visto que Simon não foi enviado para cometer tais atrocidades. Por assim ser, temos um enfoque importante em um dos personagens mais interessantes da série e, por muito tempo, o vilão que mais funcionava em The Walking Dead. O povo do lixão se foi, mas Jadis mantém-se viva. Uma despedida breve para um grupo que nunca foi explorado por completo, mantendo-se dentro de um escopo fantasioso e presumidamente lúdico. Isso acaba atuando contra o próprio evento. Se tivéssemos algum apego por aquelas pessoas, até mesmo em um senso meramente coletivo, individualizado apenas na figura de Jadis, toda a sequência do compactador de lixo teria sido muito mais forte. Sem isso, soa vazia, mesmo que Pollyanna McIntosh tenha dado a sua melhor performance na série até agora e o momento seja, visualmente, emblemático – nojento, como os fãs de terror zumbi gostam.

Depois do extremamente escuro Honor, a luz retorna para The Walking Dead, assim como Enid e Aaron. Os dois são, francamente, inseridos no meio de tudo isso apenas para preencher buraco de tempo, visto que nada é desenvolvido afundo. Sendo assim, configura-se tal mote secundário como desconexo dos assuntos que a série quer tratar nesse episódio, o que cria uma barriga problemática. The Lost and the Plunderers encerra-se com o diálogo mais bem escrito da temporada, o que não é nenhum feito. Esse segmento em Oceanside, contudo, apresenta aquelas clássicas imbecilidades narrativas usuais do seriado. Por que Cyndie não matou os dois? Ademais, Enid e o seu discurso de “ela causou a sua própria morte” foi forçadíssimo e não houve nenhum envolvimento emocional por parte do grupo de Oceanside, qualquer crise interna sobre o que fazer em resposta àquela morte abrupta. Sydney Park entra muda e sai calada, sem nos trazer nada que explicasse a existência desse pedaço da história neste episódio em específico. Felizmente, nada que derrube um capítulo mais promissor que qualquer outro. O que acontecerá com Jadis? Como irá se desenrolar o embate entre Negan e Simon? Como Negan descobrirá o massacre cometido pelo seu braço direito? Quais serão os próximos passos dessa guerra? Muitas aberturas, mas será que elas serão aproveitadas?

The Walking Dead – 8X10: The Lost and the Plunderers — EUA, 4 de março de 2018
Showrunner: 
Scott M. Gimple
Direção: David Boyd
Roteiro:
Angela Kang, Channing Powell, Corey Reed
Elenco: Andrew Lincoln, Norman Reedus, Lauren Cohan, Danai Gurira, Melissa McBride, Lennie James, Josh McDermitt, Christian Serratos, Alanna Masterson, Seth Gilliam, Ross Marquand, Katelyn Nacon, Kenric Green, Jason Douglas, Tom Payne, Xander Berkeley, R. Keith Harris, Khary Payton, Cooper Andrews, Austin Amelio, Steven Ogg, Debora May, Sydney Park, Mimi Kirkland, Briana Venskus, Nicole Barré, Pollyanna McIntosh, Kerry Cahill, Traci Dinwiddie, Charles Halford, Jayson Warner Smith, James Chen, Nadine Marissa, Avi Nash, Jeffrey Dean Morgan
Duração:
 44 min.

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.