Crítica | The Walking Dead – 8X11: Dead or Alive Or

  • Observação: Há spoilers do episódio e da série. Leiam, aqui, as críticas de todas as demais temporadas, dos games e das HQs. E, aqui, da série spin-offFear the Walking Dead.

Dead or Alive Or é um episódio frustrante. O espectador naturalmente irá crer, após a sua conclusão, que o arco de Gabriel e o Doutor Carson foi sem sentido. De certa forma, realmente foi. Contudo, por tal, o pessimismo existente nessa troca prova-se a melhor coisa de um capítulo com menos forma apropriada. Não há nenhum marabalismo, porém. Se algo que Satrazemis não sabe fazer neste roteiro é conduzir os seus personagens com destreza, mas a essência niilista necessária para tornar toda a jornada de Gabriel uma tragédia monstruosa aos seus olhos permanece. Talvez, a simplória escrita favoreceu uma caminhada como essa, mas a encaremos como demérito dada a reincidência desta em The Walking Dead. A série nos fornece mais uma problemática para o padre, brincando com a perspectiva de mundo. Quase cego, o mesmo começa a se guiar instintivamente, como se Deus estivesse no comando de seu corpo. O sucesso é um milagre, que dignifica a estrada percorrida. O fim, contudo, é tolo, vazio. Em mãos mais sábias, Carson não teria morrido daquele jeito tão “pobre”, como se implorasse para que lhe tirassem a vida. Em mãos mais sábias, sua ida talvez iria de encontro com um sacrifício ou algo com propósito. Aqui, propósito não existe e o choro, em ótimo performance de Seth Gilliam, representa a irracionalidade da existência humana.

Por outro lado, o capítulo dessa semana também é uma prova da redundância da série em trabalhar os mesmos conflitos episódio após episódio. Ao menos, parece que a tara de Tara por assassinar pessoas, com uma pitada de sarcasmo, que antes era fofa, hoje é insuportável, acabou. A modelação desse segmento, todavia, é tão cansativa que não dá para considerá-lo como um ponto positivo. Por um instante eu achei que Dwight se revelando seria um sacrifício, visto que teve uma Salvadora que viu a sua traição, mas parece que as coisas em The Walking Dead são esquecidas facilmente, tudo no conforme para que os personagens sigam a projeção imbecil do roteiro. Uma interrogação? Uma tortura? Dwight incriminando a mulher e fazendo um uso de sua voz, de sua palavra, para jogar contra ela? Com tantas possibilidades, por que ele ainda não fugiu do Santuário? Nada disso. No final das contas, o ápice desse núcleo foi o show de Daryl irritado, a voz da razão no meio de tanta burrice. Ao menos percebemos que a morte de Carl está tendo algum efeito na cabeça das pessoas.

Dead or Alive Or também dá margem para que sejam “trabalhados” aspectos mínimos da organização de comunidades, como o abastecimento de comida. Maggie reitera a sua postura de liderança, mas é difícil saber se alguma atitude tomada nesse episódio terá devido efeito no futuro. The Walking Dead não foi nenhum pouco inteligente ao se aventurar por alas mais políticas que não as da quinta temporada. Um pouco de embasamento do núcleo de Morgan, Carol e Henry para lá, um outro embasamento das artimanhas que envolvem Eugene para cá e temos um capítulo com um bocado de enchimento que não leva a lugar algum. Aliás, cadê o Rei Ezekiel?  A pior coisa da série, em uma última instância, é a capacidade arrebatadora de anti-clímax. Tudo que estava sendo construído nos episódios anteriores abruptamente para, dando lugar a outras questões, também pertinentes, mas que quebram o ritmo da jornada, ainda mais uma que depende semanalmente do interesse de público. Não é por menos que The Walking Dead tem uma gama imensa de odiadores. Esperamos então que a descoberta “magnífica” de Negan, que, curiosamente, não tem nada a ver com o que é desenvolvido no episódio, movimente melhor a série, assim como movimentou os quadrinhos.

The Walking Dead – 8X11: Dead or Alive Or — EUA, 11 de março de 2018
Showrunner: 
Scott M. Gimple
Direção: Eddie Guzelian
Roteiro:
Michael E. Satrazemis
Elenco: Andrew Lincoln, Norman Reedus, Lauren Cohan, Danai Gurira, Melissa McBride, Lennie James, Josh McDermitt, Christian Serratos, Alanna Masterson, Seth Gilliam, Ross Marquand, Katelyn Nacon, Kenric Green, Jason Douglas, Tom Payne, Xander Berkeley, R. Keith Harris, Khary Payton, Cooper Andrews, Austin Amelio, Steven Ogg, Debora May, Sydney Park, Mimi Kirkland, Briana Venskus, Nicole Barré, Pollyanna McIntosh, Kerry Cahill, Traci Dinwiddie, Charles Halford, Jayson Warner Smith, James Chen, Nadine Marissa, Avi Nash, Jeffrey Dean Morgan
Duração:
 44 min.

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.