Crítica | The Walking Dead – 8X12: The Key

  • Observação: Há spoilers do episódio e da série. Leiam, aqui, as críticas de todas as demais temporadas, dos games e das HQs. E, aqui, da série spin-offFear the Walking Dead.

Por um episódio completo, nosso temido antagonista e amado protagonista trocaram farpas físicas, durante sequências extensas de combate. Nunca antes havíamos visto um conflito com tanto poder como esse, o oposto daquela besteira em How It’s Gotta Be. Diferentemente da maior parte das lutas de The Walking Dead até agora, The Key apresenta um embate visceral. Eis um Rick verdadeiramente destemido e um Negan amedrontado, temeroso pelo destino de sua amada Lucille, furioso diante da descoberta do que Simon fez com o povo do lixão. Com direito até mesmo a um bastão flamejante, um outro acerto de The Key é a atitude de Greg Nicotero em relação aos zumbis. O diretor os posiciona como meros enfeites do cenário, mas dá poder o suficiente para que tais se tornem parte do espetáculo físico. Ademais, a maquiagem das criaturas, que recebem alguns enquadramentos faciais, está sensacional. Sendo assim, a ausência de iluminação – e os mortos-vivos – contribuem para criar um clima austero, mesmo que a conclusão seja esperada; nenhum dos dois vai morrer. Ou não. O mais impressionante de The Key é a aparição final de Jadis para o “resgate” do líder do Santuário, no lugar de uma fuga solitária de Negan das mãos de um Rick sem nada a perder. Grandes momentos estão por vir?

Mas não é apenas disso que The Key se aproveita, um dos melhores episódios dessa oitava temporada. Ao lado da derrocada de Negan, temos todo um arco envolvendo Simon que é realmente impressionante. De um personagem que tinha tudo para ser apenas mais um dos soldados de Negan para um promissor traidor maníaco. Não bastasse o massacre do povo do lixão, Simon se aproveita do ataque feito a Negan para promover mudanças de planos no tratamento que os Salvadores irão dar a Hilltop. The Walking Dead, apesar de não ser famosa pelos seus diálogos, tem alguns dos seus melhores nas cenas entre Dwight e Simon. No mais, é perceptível a manobra que o personagem de Steven Ogg faz em Dwight, ao lhe prometer uma coisa, que daria fim a toda aquela guerra total e abriria espaço para um novo horizonte, mas lhe entregar outra. Abrem-se as fronteiras, dessa forma, para mais reviravoltas nesse núcleo, visto que, talvez, a Salvadora que testemunhou a traição de Dwight pode estar voltando em futuros episódios. Ou não. Conhecendo The Walking Dead como conheço, é bem capaz dessa problemática ter sido jogada para debaixo do tapete. Mas olha, até que os realizadores conseguiram se virar bem sem ela.

Por fim, o único ponto baixo do episódio se centra no núcleo de Hilltop, visto que se é introduzida uma nova comunidade – de uma maneira muita parecida com a introdução de Aaron – que, provavelmente, só será aprofundada na próxima temporada. Soa como filler que ela seja mostrada agora, visto que pouco movimenta os trâmites atuais. Também é de estranhar a aproximação deles: omo provariam que Hilltop é um bom lugar para se fazer negócios? Além disso, a construção não é muito eficiente, com a qualidade dos diálogos do episódio atingindo o seu ponto mais baixo – extremamente redundantes. Nessa altura do campeonato, não parece que Maggie tenha muita coisa a fazer. Enid, por outro lado, está em uma aventura por pensamentos que só ela entende, após aquela jornada sem pé nem cabeça junto com Aaron em Oceanside. Ao final de tudo, a sensação mesmo é de que os episódios são pessimamente costurados. Com o público tendo que esperar uma semana para cada capítulo, Scott M. Gimple devia ter mais noção disso para organizar os acontecimentos de uma forma mais fluida. The Walking Dead é um verdadeiro quebra-cabeça, portanto. Mas até que esse episódio consegue se sobressair diante de demais mais fracos. Ao menos não tivemos nenhuma atrocidade nessa segunda metade da oitava. Ainda. Será que estamos diante de uma chave para um futuro promissor?

The Walking Dead – 8X12: The Key — EUA, 18 de março de 2018
Showrunner: 
Scott M. Gimple
Direção: Greg Nicotero
Roteiro: 
Channing Powell, Corey Reed
Elenco: Andrew Lincoln, Norman Reedus, Lauren Cohan, Danai Gurira, Melissa McBride, Lennie James, Josh McDermitt, Christian Serratos, Alanna Masterson, Seth Gilliam, Ross Marquand, Katelyn Nacon, Kenric Green, Jason Douglas, Tom Payne, Xander Berkeley, R. Keith Harris, Khary Payton, Cooper Andrews, Austin Amelio, Steven Ogg, Debora May, Sydney Park, Mimi Kirkland, Briana Venskus, Nicole Barré, Pollyanna McIntosh, Kerry Cahill, Traci Dinwiddie, Charles Halford, Jayson Warner Smith, James Chen, Nadine Marissa, Avi Nash, Jeffrey Dean Morgan
Duração:
 44 min.

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.