Crítica | The Walking Dead – 8X13: Do Not Send Us Astray

  • Observação: Há spoilers do episódio e da série. Leiam, aqui, as críticas de todas as demais temporadas, dos games e das HQs. E, aqui, da série spin-offFear the Walking Dead.

O paladino da justiça, do bem e da verdade se foi em The Walking Dead. Tobin, nosso soldado, cabo, sargento e capitão, que há muito resistia bravamente na série, sem diálogo, sem aparições, mas vivo, pereceu no último combate que ocorreu no seriado. A guerra toma passos mais conclusivos em um episódio cheio de tiros e mortes. Afinal, Simon, um personagem que se revelou surpreendente em The Key, está com sede de sangue. Até onde, porém, Do Not Send Us Astray é realmente impactante? Com todo um caminho pré-determinado a ser seguido, direcionado pela revelação do estado das armas dos salvadores, contaminadas com sangue zumbi, os roteiristas fazem algo parecido com os quadrinhos, nos deixando a deduzir se as facas e flechas estavam infectadas ou não. Com a reanimação de quem deveria reanimar já acontecendo nesse episódio, tais expectativas somem. Quem deveria ter ficado com febre já ficou. Quem não, muito possivelmente sobreviverá. Então, por que temos toda aquela cena com a Tara, se ela estava em condições perfeitamente normais, sem febre, enquanto seus colegas choravam o fim de suas próprias vidas? Ao menos, embora artificial, temos o encerramento de um arco movido por uma sede de vingança totalmente desproporcional de quem a personagem era e do que o relacionamento dela com Denise foi.

Já em termos de batalha, Jeffrey January faz o feijão com o arroz na direção, mas até que se sai acima do razoável em alguns momentos, como os segundos anteriores a Tara ser atingida pela flecha de Dwight – tensos. A iluminação também não permite que, diferentemente de outros casos, o ambiente escuro não seja incompreensível. O roteiro, porém, é o verdadeiro problema, visto que ele cria implausibilidade sobre implausibilidade, muitas vezes perdoável pela suspensão da descrença. O relevar, porém, é impossível quando Kang e Negrette fingem estar criando um cenário de guerra estrategicamente hábil. Quando o pessoal de Hilltop se esconde na casa e retorna atirando pelas janelas escuras, a situação é tão óbvia que a minha reação foi rir histericamente. Como Simon não se precaveu de uma situação dessa? Como ele não morreu, assim como todos os outros, se eles estavam em frente a linha de fogo? Era a primeira coisa a se pensar que aconteceria, e justamente a coisa que acontece. O ataque dos zumbis reanimados também é outra bobagem, com altos e baixos, mas que, enfim, é menosprezado se comparado com outro ataque muito mais memorável – aquele lá da primeira metade da quarta temporada. Parece que o grunhido de um morto-vivo é canção de ninar para aquelas pessoas. Outrossim, o que Maggie fez, qual atitude dela, que a tornou uma boa líder, aos olhos daquela moradora do Reino? Ter tirado Gregory do poder? Mas a questão não é essa, e sim a liderança “militar”. Não temos nada, para variar, apenas o vago.

Para piorar, somos brindados com a atitude imbecil de Henry, que decide abrir os portões dos prisioneiros em busca de uma vingança pessoal – a morte do seu irmão. Essa criança devia ser amarrada em uma cadeira. A questão é que essa não é a primeira vez que uma criança faz algo idiota na série, mas são justamente essas atitudes imbecis que nos desconectam delas. Os diálogos também são tão fracos. Era necessário mostrar Carol ficando enfuriada com as insistências de Henry em ir para o combate, algo mais visceral. Dessa forma, um choque seria criado no menino, que fica, sem isso, para lá e para cá disparando bobagem de sua boca. Talvez seria interessante colocar a criança para matar todos os prisioneiros, com exceções de alguns sobreviventes. Algo muito mais perturbador. No mais, Morgan está alucinando com Gavin. Pelo visto, ele sabe de alguma coisa, mas como The Walking Dead sabe fazer redundância, pretensão de inteligência e estupidez narrativa das melhores marcas, essa qualquer coisa não deve ser nada mesmo. De qualquer forma, o nada é o que pode ser tirado desses episódios de loucura. Enfim, a despedida de Tobin é a coisa mais triste mesmo e será o único motivo a nos fazer nunca esquecer desse episódio. Anjos muitas vezes não usam capas. Aliás, destaque ao diálogo dele com Carol e ao diálogo da médica (extremamente simpática, mas morta aleatoriamente) com Siddiq; ambos se caracterizam como peças bem escritas. Sentiremos a sua falta, campeão.

“Em memória de Tobin, o personagem inútil, quase um figurante, mais incrível de todos.”

The Walking Dead – 8X13: Do Not Send Us Astray — EUA, 25 de março de 2018
Showrunner: 
Scott M. Gimple
Direção: Jeffrey January
Roteiro:
Angela Kang, Matt Negrette
Elenco: Andrew Lincoln, Norman Reedus, Lauren Cohan, Danai Gurira, Melissa McBride, Lennie James, Josh McDermitt, Christian Serratos, Alanna Masterson, Seth Gilliam, Ross Marquand, Katelyn Nacon, Kenric Green, Jason Douglas, Tom Payne, Xander Berkeley, R. Keith Harris, Khary Payton, Cooper Andrews, Austin Amelio, Steven Ogg, Debora May, Sydney Park, Mimi Kirkland, Briana Venskus, Nicole Barré, Pollyanna McIntosh, Kerry Cahill, Traci Dinwiddie, Charles Halford, Jayson Warner Smith, James Chen, Nadine Marissa, Avi Nash, Jeffrey Dean Morgan
Duração:
 44 min.

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.