Crítica | The War Doctor – 1ª Temporada: Only the Monstrous

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estrelas 5,0

NOTA INICIAL: CONTO THE STRANGER (2015)

Esta aventura se passa no 1º Segmento do Tempo, o que corresponde a um futuro distante (para nós) e algo próximo aos primeiros momentos da Time War. O War Doctor volta no tempo, para esse momento, e tenta impedir que algumas crianças de Gallifrey sejam mortas por Daleks que conseguiram passar pela atmosfera do planeta. Vejam que estamos bem antes do lugar supostamente bem protegido que vemos em The Last Day. Essa foi uma das primeiras ações do Doutor regenerado em termos de mudar as coisas ruins que os Daleks fizeram e, claro se colocar em um front de batalha contra essas criaturas.

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ANÁLISE DE ONLY THE MONSTROUS

Quando a figura de John Hurt apareceu pela primeira vez em Doctor Who, na cena final de The Name of the Doctor, foi como se nossa percepção de todo o show tivesse sido alterada. Demorou algum tempo para que a contagem dos Doutores e o “problema de Trenzalore” se acertasse, mas as respostas vieram. E veio também o Especial de 50 anos da série, The Day of the Doctor, e então vimos o War Doctor em ação pela primeira vez, após um leve vislumbre de sua aparição em The Night of the Doctor, onde o Guerreiro foi criado, no Planeta Karn.

Nascido das batalhas da Time War, forjado pela guerra, o Guerreiro assumiu a sua personalidade monstruosa, batalhando contra os Daleks, tentando salvar planetas e pessoas do fogo cruzado, planejando ataques e vendo crescer ainda mais dentro de si (se é que isso é possível) o ódio pelo seus maiores maiores inimigos, bem como o ódio pelos próprios Time Lords, alguns deles enlouquecidos pela guerra e determinados a agir de forma irresponsável, colocando em risco milhares de vidas apenas para testar um plano de ataque, uma missão misteriosa, uma tentativa bélica de estabelecer a paz.

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Todas essas coisas estão mais ou menos divididas em cada um dos três episódios de 1h que formam Only the Monstrous, a 1ª Temporada da série do War Doctor. Escrita e dirigia por Nicholas Briggs, esta temporada mostra o Guerreiro ainda no início de suas aventuras durante a Guerra do Tempo, considerando as aparições disponíveis desta encarnação até o lançamento desta Only the Monstrous. Abaixo, segue um pequeno esquema comentado da linha do tempo do War Doctor até o lançamento de Only the Monstrous, em dezembro de 2015.

  • Assumimos que o Doutor não especificado no livro The Dalek Factor (2004) seja o War Doctor, o que faz desta aventura o início de sua jornada. Este ponto, porém, é polêmico e perfeitamente aberto a discussões e mudanças.
  • O conto The Stranger, da antologia Heroes and Monsters Collection, lançado em 2015.
  • Only the Monstrous (as três aventuras em ordem de acontecimentos), que está localizada pouco tempo depois de The Stranger.
  • O livro Engines of War (2014) e a companion Cinder vem logo depois.
  • E por fim, The Day of the Doctor.

Esta é a sequência de eventos que Briggs teve de considerar para escrever uma história coesa, orgânica e épica para o Doutor da guerra, tarefa em que se saiu maravilhosamente bem.

Um dos aspectos mais incríveis desta temporada foi a forma como a colocação dos Daleks e outros vilões menores foi arquitetada para mostrar a guerra em todos os seus horrores cotidianos e ininterruptos; as terríveis destruições de mundos ao redor da Galáxia (o Universo de Doctor Who durante a Time War e o Universo de Star Wars durante a Rebelião dividem muitas semelhanças narrativas, note bem) e a mudança que essa guerra causa em combatentes de ambos os lados, chegando a um ponto onde fica terrivelmente difícil confiar em alguém, mesmo que este alguém seja, aparentemente, seu aliado.

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Esta múltipla visão da guerra tem no episódio de abertura, The Innocent, o seu maior contraste e este é definitivamente o meu favorito da temporada. O Doutor passa de Gallifrey e Omega One para o planeta Keska, onde é assistido pela doce e sonhadora Rejoice, uma keskaniana com enorme potencial para se tornar companion, mas que é impedida — pelo menos até esta temporada, nunca sabemos o que o Doutor poderá fazer no futuro — pela guerra e pela Cardeal Ollistra, uma Time Lady manipuladora que faz o jogo da guerra da forma mais inteligente e… diabólica possível.

A relação do War Doctor com Gallifrey é ampla e perfeitamente localizada no episódio seguinte, The Thousand Worlds, que é praticamente um filme de guerra sem imagens. Nicholas Briggs cria os mais incríveis campos de batalha e problematiza toda e qualquer instância militar, o que acrescenta ainda mais camadas de significado ao enredo em andamento. O exemplo dado pelo Doutor, utilizando a justificativa dos nazistas capturados (“eu só estava seguindo ordens“) para explicar que nem tudo é válido na guerra, toca o espectador de forma precisa e intensa, da mesma maneira que aumenta seu horror por hierarquias e a altos cargos de comando, normalmente abusivos.

Em The Heart of the Battle toda a docilidade que porventura ainda sobrasse em cena foi colocada de lado. A grande batalha final toma conta de praticamente todo o roteiro, sobrando apenas um acalentador espaço ao final, para uma visita do Doutor e da Cardeal Ollistra a Keska, que depois desta saga torna-se mais um planeta que com certeza estará na memória afetiva do Doutor e, claro, de qualquer whovian que ouvir esta história.

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Com excelente produção técnica, divina atuação de John Hurt e Jacqueline Pearce e roteiros incrivelmente concebidos para caber em uma timeline que conte os dramas televisionados, Only the Monstrous traz o War Doctor agora em sua própria série, uma estreia digna de aplausos pela sua produção impecável e pela oportunidade de nos mostrar mais sobre esse misterioso Doutor. E acreditem: ele é o Time Lord mais badass que você já ouviu falar.

Adendo: a adaptação musical feita para a abertura oficial da série, com maior destaque para o metais e percussão, criando uma peça sonora de guerra, uma marcha militar, ficou perfeita! Não tirou a essência do lendário tema e ao mesmo tempo fez uma versão que é perfeitamente aplicada ao War Doctor e sua era. Well done, Howard Carter!

The War Doctor – Series 1: Only the Monstrous (Reino Unido, dez, 2015)
Direção: Nicholas Briggs
Roteiro: Nicholas Briggs
Elenco: John Hurt, Jacqueline Pearce, Lucy Briggs-Owen, Carolyn Seymour, Beth Chalmers, Nicholas Briggs, Alex Wyndham, Kieran Hodgson, Barnaby Edwards
Duração: 60 min. (cada episódio)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.