Crítica | The Wolf Among Us – Episódio 4: In Sheep’s Clothing

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estrelas 4,5

Atenção: Contém spoilers dos episódios anteriores

Após o explosivo encontro com Bloody Mary no último episódio, que nos deu uma visão prolongada do que pode acontecer se Bigby sair do controle, era natural que o ritmo do game se acalmasse. Não esqueçamos que, acima de toda a fantasia de Fábulas, este ainda é um noir, cujo foco principal é a investigação dos assassinatos ocorridos no primeiro capítulo. Ainda assim, apesar da evidente desacelerada ocorrida, In Sheep’s Clothing consegue oferecer elementos o suficiente para nos fazer jogá-lo de uma vez só, ansiando por cada revelação neste complicado caso de Fabletown.

Após ser resgatado por Snow, o xerife é levado de volta a seu apartamento, onde é tratado pelo doutor Swineheart. Desde já somos colocados diante das velhas escolhas de diálogo, que somente nos mostram a qualidade do roteiro da obra. Além disso, pequenas interações são inseridas neste ponto que irão deixar qualquer um rangendo os dentes de aflição, assumindo o controle de nossa atenção desde esses primeiros minutos. O ponto principal, contudo, é que, através dessas conversas somos mostrados um dos enfoques do episódio: o escolher entre as regras ou a amizade. Ampliando um pouco mais o cenário, algo realizado no decorrer da narrativa, vemos que a amizade em questão se estende para o bem estar dos moradores de Fabletown, enquanto que as regras passam a significar uma espécie de exclusão social, que beneficia somente aqueles já com meios para sobreviverem.

Entramos, portanto, no conflito de Bigby com o Crooked Man, a figura misteriosa, que ora atua como vilão, ora como a única esperança “fora do sistema”. The Wolf Among Us, contudo, não cria uma óbvia dicotomia maniqueísta e constantemente, através de seus ricos personagens, questiona a real diferença entre esses dois lados da mesma moeda, colocando em cheque as ações violentas de Bigby (que tanto adoramos quando aparecem em cena). Com todas essas indagações somos colocados em uma complicada situação: a de se identificar com o protagonista – estamos o controlando, afinal – e nos fazer pensar se realmente fizemos a coisa certa ao longo desses quatro episódios. O roteiro, mais uma vez, mostra sua precisão ao dialogar com o jogador não só através do evidente, funcionando nas entrelinhas, como uma sutil quebra da quarta barreira. No fim, fica em nossa cabeça a ótima escolha de título In Sheep’s Clothing, que muito bem resume o que encontramos no episódio.

Todas essas nuances do roteiro, porém, cairiam por terra não fosse o ponto central do jogo, que o transforma em um adventure game – sua interatividade. Como disse anteriormente, o ritmo mais calmo acaba gerando maiores e mais longas situações de diálogo, que não pedem reações rápidas do jogador. E isso, de forma alguma, chega a ser um defeito, estamos diante, afinal, de apenas uma das partes de um game e se a progressão da narrativa pediu que assim o fosse, assim será. A Telltale, porém, não decepciona e sabiamente insere alguns momentos de ação. Curtos? Sim, mas que deixam aquele distinto gosto de “quero mais” com o jogador. Mas não se preocupem com o avançar da história, pois todas as conversas e investigações presentes neste capítulo preparam, com eficácia, o tabuleiro para o desfecho da história no episódio 5, terminando o presente fragmento nos deixando, no mínimo, sem fôlego, trazendo consigo algumas interessantes surpresas.

In Sheep’s Clothing é um episódio mais lento que o passado, que sabe administrar seu tempo para garantir um efetivo clímax no desfecho dessa primeira temporada. Com mais diálogos que momentos de ação, de fato, o game poderia facilmente desandar, mas a Telltale sabe o que faz, como já demonstrado em The Walking Dead, e nos traz com precisão para dentro de sua intrincada narrativa. O cenário está pronto, agora é a hora das peças se moverem.

The Wolf Among Us – Episódio 4: In Sheep’s Clothing
Desenvolvedor:
Telltale Games
Lançamento:
27 de Maio de 2014
Gênero:
Aventura
Disponível para: Ps3, Xbox 360, Ps Vita, Pc, Mac, iOS

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.