Crítica | Theatrhythm Final Fantasy: Curtain Call

estrelas 4

Similarmente ao que a Square Enix fez com Duodecim em relação a Final Fantasy DissidiaCurtain Call chega para expandir praticamente todos os fatores no primeiro TheatrhythmDessa vez, contudo, o conteúdo adicionado é significativamente grande, ao mesmo tempo que mantém o que já havia no game original, inutilizando completamente a sua compra. A estratégia, pouco vista na indústria que cada vez mais investe pesado em dlcs, é surpreendentemente benéfica para os iniciantes na franquia, que podem pular direto para essa segunda entrada – aqueles que possuem o primeiro, contudo, encontrarão inúmeros motivos para adquirirem Curtain Call.

A primeira delas, e mais óbvia, é a quantidade de músicas novas. Enquanto o primeiro contava com, por volta de, 70 melodias, a recente versão tem mais de 200, trazendo músicas desde Final Fantasy até Lightning Returns. O acervo é notadamente impressionante, horas e horas de jogo para trás e ainda descobriremos novas canções a serem jogadas. Assim como o original, as músicas são divididas em três categorias: Field Music (que emula a exploração dos jogos em questão), Battle Music (como o nome já deixa claro, as batalhas propriamente ditas) e Event Music, que nos trazem cenas dos diferentes games abordados. Algumas melodias que faziam parte do terceiro grupo no primeiro jogo acabaram recebendo um diferente tratamento, The Rebel Army (Final Fantasy II), por exemplo, passou a ser uma Battle Music, escolha que, pessoalmente, considero um grande acerto, já que as Event Musics tem um fator menor de replay. Dentro dessa característica temos um ponto que irá agradar alguns e decepcionar outros. Das mais de 200 melodias somente uma quantidade bastante limitada deve ser desbloqueada – a grande maioria já pode ser aproveitada desde o princípio. Escolha que prioriza uma jogabilidade mais livre, mas que tira um pouco da sensação de avanço dentro do game.

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A Square nos trouxe inúmeros cenários de Final Fantasy…

Felizmente isso é contrabalanceado por outros fatores. O mais notável deles são os inúmeros personagens que podemos escolher. Enquanto Theatrhythm contava com 30 personagens, Curtain Call disponibiliza mais de 60, também variando do primeiro da série até o último lançado, com até mesmo alguns queridos spin-offs inclusos (Final Fantasy Tactics, estou olhando para você). Desses característicos indivíduos podemos, inicialmente, escolher entre quatro para formar nossa equipe, enquanto que o restante deve ser desbloqueado com a obtenção de cristais de diferentes cores. Tais itens podem ser obtidos através do novo modo de quests ou através da obtenção de Rytmia, uma espécie de pontuação in-game que é concedida após cada música ser tocada.

A verdadeira menina dos olhos do game, contudo, está no modo quests, que nos coloca em diferentes estágios (podendo variar entre short, medium e long) com músicas aleatórias e crescente dificuldade. Com o término de uma aventura desbloqueamos outra de nível maior, facilitando a progressão em level dos personagens – não esqueçamos que Curtain Call adota inúmeros elementos do JRPG pela qual a franquia é famosa e o avanço em níveis dos personagens é realmente importante para desbloquearmos mais e mais elementos dentro do jogo. As quests de níveis mais baixos nos trazem músicas na dificuldade basic, enquanto que as de níveis maiores já oferecem Expert ou Ultimate. O jogador acostumado com games de ritmo pode facilmente pular para a segunda dificuldade, ao passo que a básica é exageradamente lenta. A curva de aprendizado, porém, entre o Expert e o Ultimate chega a ser assustadora e mesmo quem já consegue terminar canções no intermediário sem errar nada terá grandes dificuldades na mais desafiadora. Isso pode desmotivar a muitos, mas também traz um interessante desafio a ser ultrapassado – vejam como o equivalente ao botão “extra” que devemos dominar no falecido Guitar Hero.

Square Enix também decidiu investir no online e nos traz um divertido modo versus que muito lembra Mario Kart. Um jogador acaba enviando (através de uma roleta) condições adversas para a música do outro – ela se torna mais rápida ou não conseguimos ver os botões até chegarem muito perto do momento a serem apertados, etc. O matchmaking conta com seus evidentes problemas de conexão (mesmo em velocidades muito altas) e chega a ser desmotivador em certos momentos. Mas ao conseguir se conectar a outro jogador, a diversão é certeira.

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…e inúmeros inimigos

Infelizmente, nessa indústria dos Dlcs, Curtain Call também não se salva completamente. Algumas faixas somente estão disponíveis para a compra, felizmente essas se limitam a melodias claramente adicionais, pertencentes a outras franquias da Square, como Chrono Cross. Ainda assim, uma ou outra (a quantidade é, de fato, bem pequena), música de Final Fantasy foi deixada propositadamente de fora, como a sensacional Roses of May de Final Fantasy IX. Já outras marcantes músicas certamente não entraram no game para que seja possível dar continuidade à franquia, Vamo Alla Flamenco é uma das que verdadeiramente sentimos falta, mas, ainda que não tenha sido anunciada, uma sequência sempre pode pairar no horizonte.

Theatrhythm Final Fantasy: Curtain Call, embora esteja longe de ser perfeito, é um verdadeiro ode aos fãs da mais longeva franquia dos RPGs. Com mais de duzentas músicas chega a ser um mistério o porquê de alguém, apaixonado pelas melodias criadas por Nobuo Uematsu, não adquirir tal game. Com horas e horas de jogabilidade, temos aqui uma aposta certeira, que em muito expande o primeiro game e nos faz lembrar cada momento desses vinte e oito anos de Final Fantasy.

Theatrhythm Final Fantasy: Curtain Call 
Desenvolvedor: Square Enix, Indies Zero
Lançamento: 16 de Setembro de 2014
Gênero: Ritmo/ Música
Disponível para: Nintendo 3DS

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.