Crítica | This Is Us – 1ª Temporada

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estrelas 4,5

Quantas pessoas fazem aniversário no mesmo dia? A entrada de This Is Us quase brinca com essa pergunta, fornecendo uma estatística da Wikipedia sobre esses dados e, daí para frente, apresentando vidas de pessoas que se enquadram nesses números. Vemos um irmão desejar feliz aniversário de 36 anos a outro. Vemos um homem no dia do seu aniversário de 36 anos assistir a uma tradicional dança sensual da esposa, agora grávida de trigêmeos. Rompendo as expectativas, os bebês nascem semanas adiantado, no mesmo dia que o pai, 31 de agosto. Em um outro lugar da cidade, no mesmo dia, um pai abandona um filho recém nascido na porta do Departamento de Bombeiros. Vidas separadas que compartilham um dia de festa no ano. This Is Us é uma crônica sobre essas vidas. Mas não é só isso.

Criada Dan Fogelman, This Is Us carrega o tom familiar ou emotivo recorrentes em suas produções para a TV, seja no drama, na comédia ou na mistura entre esses dois gêneros, como em suas séries Mais Que Uma Família (2003 – 2004), The Neighbors (2012 – 2014) e Galavant (2015 – 2016). Também é preciso destacar que Fogelman tem uma aptidão tremenda para se comunicar com a audiência através de coisas simples, primando por detalhes nas relações entre seus personagens e fazendo com que essas relações passem por conflitos que resultam em amadurecimento de forma um tanto trágica/traumática e que constantemente nos convida a pensar sobre o valor da vida e da amizade, vide suas contribuições nos roteiros para as animações Carros (2006) e Zootopia (2016).

Com essa propensão para emocionar o público, não é de espantar que This Is Us seja basicamente um convide às lágrimas em grande quantidade. Não conheço ninguém que veja a série e que não tenha chorado em um episódio ou que não tenha tido o coração destroçado no capítulo 16, Memphis. Essa característica emotiva do show está na surpresa que Dan Fogelman adicionou ao final do Piloto, possibilitando um enorme mind-blown no público e tornando tudo o que tínhamos visto até então uma trama ainda mais forte, com raízes mais profundas e desdobramentos até então inesperados, que nos prendem e nos enchem de perguntas.

SPOILERS!

Após descobrirmos que estamos vendo momentos diferentes da linha do tempo de uma mesma família e que presenciamos ali o nascimento dos personagens que completam 36 anos em 2016, se torna impossível não apegar-se ao show. É uma mágica dramática conseguida através de bons diálogos, excelente fluidez de ações e uma edição e fotografia que sabem contextualizar cada momento com uma bela identidade, que para um olhar “viciado” como o nosso passa despercebido, até que o acender de um cigarro dentro de um hospital nos faz descobrir que estamos em 1980… então vemos notícias da época na TV, vemos a imagem ganhar um tom mais forte de sépia e então as lutas, conquistas e status dos núcleos familiares vistos em 2016 passam de um rio promissor de drama para um grande e revolto oceano dramático.

O maior e primeiro sucesso de This Is Us é a sua veracidade ao falar de pessoas, de seus problemas e suas famílias. A série traz de maneira honesta gente com problemas de peso, diversos tipos de vício, sexualidade, casamento, relação entre irmãos, relação entre pais e filhos, amigos, trabalhadores e patrões, artistas e público, etc. Essas camadas humanas são retratadas com naturalidade e em momentos de grande importância para as pessoas envolvidas. Dito isto, é fácil notar por quê os episódios sempre nos atingem de forma intensa. O desenvolvimento e o desfecho dos capítulos nos mostram pontos de virada para pelo menos um personagem em cena, e isso se acumula ao longo dos 18 capítulos, de modo que explicações de parentesco ou diferentes momentos da vida dos protagonistas nos são entregues ao longo da temporada, dando real importância para todos os que vemos na tela.

Nesse grupo de pessoas mostradas temos o “the big three”, formado por Kevin (Justin Hartley, que interpreta um artista indeciso e inseguro, cansado de estrear um programa de TV chamado “O Babá” e que resolve partir para um trabalho mais sério no teatro); Kate (Chrissy Metz, uma agente pessoal com complexo de culpa mas extrema força de vontade para enfrentar novos desafios e vencer o peso e suas prisões internas) e Randall (Sterling K. Brown, um gênio, empresário de sucesso e com mania de bondade). Os atores aqui nos garantem momentos preciosos, todos com ótimas interpretações, mas o grande destaque vai para K. Brown, pois Randall é um dos personagens mais complexos e delicados da série e o ator conseguiu o tom perfeito para interpretá-lo, mesmo nos raros momentos de explosão em todo o mar de bondade e mansidão que ele é a maior parte do tempo.

Os pais do trio, interpretados por Milo Ventimiglia e Mandy Moore são um verdadeiro espetáculo. Quanto mais a série avança e vemos o relacionamento deles, em seus altos e baixos, mais nos apaixonamos pelos dois e vemos as coisas que moldaram suas personalidades, da infância e vida adulta, até o momento em que se conheceram, por acaso. A briga do último episódio é excelente e apresenta interpretações gloriosas da dupla, além de uma orientação para direção que raramente vemos na TV (no cinema não é exatamente comum, mas existem alguns exemplos) que é o desenvolvimento de uma cena de discussão onde as duas pessoas realmente estão discutindo, falando atropeladamente e ao mesmo tempo, raramente dando espaço para o outro dizer algo, muito diferente da falsa educação que a maioria das séries apresentam nesse tipo de situação, apenas para deixar os diálogos claros e para que não “sobrecarregue o espectador”. Como se nós nunca tivéssemos visto ou participado de algo do tipo.

Dos recorrentes, William (Ron Cephas Jones) e Toby (Chris Sullivan) são os possuem maior importância para a série e cada um deles traz um mar de fofura e simpatia consigo, aplicando-os a contextos e protagonistas diferentes, muito embora isso seja percebido e atinja toda a família. para cada personagem principal ou coadjuvante de maior relevo, This Is Us trouxe um elemento de explicação pregressa, fazendo bom uso dos 18 episódios da temporada, um número (na minha opinião) já bastante alto para uma série, mas que qui não foi um ponto negativo, pois não houveram fillers e o espaço maior de tempo foi utilizado para nos fazer conhecer quem são essas pessoas. Em uma temporada, This Is Us respondeu aos anseios filosóficos cabíveis nas personalidades de maneira sólida e emocionante, além de expor essas crônicas na tela de maneira muito bem pensada esteticamente, principalmente pela direção de fotografia e pela montagem.

A família é uma instituição basilar da nossa sociedade e é tão diversa e nos faz sentir de maneira tão diferente ao longo dos anos, que é sempre interessante notar que quanto mais obras de ficção aparecem sobre essa instituição, mais parecem existir assuntos e pontos de vista para mostrar. This Is Us é uma série que levanta isso no modelo de saga, considerando pelo menos duas gerações e nos fazendo pensar intimamente sobre os laços que mantemos e o que faz de nós, o que nós somos. O show pode até estar no grupo das séries que têm a família como tema, mas ele não é “mais um” nesse meio. Ele é um dos melhores. Sucesso de público e crítica, o programa já tem garantidas sua 2ª e 3ª Temporadas, algo que não espanta nem um pouco. Com a qualidade dos roteiros, atuações e temas trabalhados, além da incrível capacidade de arrancar lágrimas do público, This Is Us já entrou na lista de favoritos de muita gente e com certeza já é um dos retornos mais esperados para a fall season de 2017. Mais lágrimas devem cair em breve. Que série incrível!

This Is Us – 1ª Temporada (EUA, 2016 – 2017)
Criador: Dan Fogelman
Direção: John Requa, Glenn Ficarra, Ken Olin, George Tillman, Craig Zisk, Silas Howard, Sarah Pia Anderson, Uta Briesewitz, Helen Hunt, Timothy Busfield, Chris Koch, George Tillman Jr., Wendey Stanzler
Roteiro: Dan Fogelman, Donald Todd, Joe Lawson, Bekah Brunstetter, K.J. Steinberg, Isaac Aptaker, Elizabeth Berger, Vera Herbert, Aurin Squire, Laura Kenar, Joe Lawson, Kay Oyegun
Elenco: Milo Ventimiglia, Mandy Moore, Sterling K. Brown, Chrissy Metz, Justin Hartley, Susan Kelechi Watson, Chris Sullivan, Ron Cephas Jones, Faithe Herman, Eris Baker, Jon Huertas, Lonnie Chavis, Mackenzie Hancsicsak, Parker Bates, Milana Vayntrub, Janet Montgomery, Alexandra Breckenridge, Gerald McRaney, Hannah Zeile, Jermel Nakia, Hari Dhillon, Niles Fitch, Logan Shroyer, Denis O’Hare
Duração: 45 min. (cada episódio)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.