Crítica | Thor: A Balada de Bill Raio Beta (1983 – 1984)

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A edição brasileira da editora Salvat para esta aventura traz o título guarda-chuva Thor: O Último Viking. Nela, estão presentes as edições #337 a 343 da revista Thor Vol.1. Ocorre que esta versão tem um grande problema em relação à divisão americana para os dois arcos iniciais do Deus do Trovão sob a pena e as tintas de Walter Simonson. Originalmente, a divisão para os dois primeiros projetos do autor na revista são:

  • A Balada de Bill Raio Beta (edições #337 a 340) — arco já publicado no Brasil pela Editora Abril entre 1987 e 1988, na revista Heróis da TV, números #101 a 104.
  • A Saga de Surtur (edições #340 a 353) — arco já publicado de forma descontínua pela Editoria Abril em diferentes ocasiões, nas revistas Heróis da TV, Maiores Clássicos do Poderoso Thor e Superaventuras Marvel. A mais ensandecida dessas publicações foi na minissérie em 6 partes, começando da original #349 e indo até a #355 (pulando a #353), algo que não bate com absolutamente nenhuma indicação da Marvel Comics para esta saga.

Dito isto, e para efeito de melhor organização, deixo claro que a presente crítica será apenas para o pequeno arco A Balada de Bill Raio Beta.

Nesta história, temos a apresentação de Beta Ray Bill e sua nave Ferocímea, além da asgardiana Lorelei. Trata-se de uma aventura de sacrifício, reconhecimento de valor guerreiro no outro e união de forças para o bem, em uma guinada excelente nos roteiros do Poderoso Thor feita por Walter Simonson, no início de seu run no título. Começando com a “contratação” de Thor por Nick Fury, que conhece o segredo do Doutor Donald Blake, o arco avança para um ambiente que alterna blocos de conversas amigáveis, cenas cômicas e de confraternização com momentos de grandes batalhas e criação de intrigas palacianas por parte de Loki. O autor estava realmente preparando o terreno para o arco que viria logo a seguir, A Saga de Surtur.

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Thor patrulha o Espaço, a pedido de Fury, e conhece a nave Ferocímea.

Simonson realiza um trabalho de conceitualização de personagens com uma facilidade invejável. Se tem algo que incomoda em sua construção é a passagem de cenário, com o tipo de narração imediata que vai irritando à medida que se multiplica na história, mas isto não é algo que interfere na força do enredo ou exatamente em desenvolvimento. Primeiro, temos a passagem da impressão vilanesca de Bill Raio Beta para um guerreiro valoroso, alguém tão puro de intenções e tão focado em sua missão de proteção ao seu povo (são muitas as referências Messiânicas que o autor atribuiu a este personagem) que é capaz de levantar o Mjölnir. Ele personifica a frase bíblica de São João, “Veio para o que era seu e os seus não o receberam.”, dizendo mais de uma vez que é rejeitado pelo povo pelo qual ele se sacrificou para salvar.

Percorremos este aspecto em relação a Bill e seguimos por uma trilha de finalização de aprendizado para Thor. Odin enfim parece convencido que o filho aprendeu as lições de humildade que deveria aprender e relativiza o uso do encantamento para a transformação de Thor em Dr. Blake. E é impressionante que em um enredo de tantas variações familiares e conhecimento de diversas situações pontuais (como a linha coadjuvante do monólogo de Volstagg sobre as grandes batalhas de Balder, o Bravo; e o drama de Lady Sif, resolvido com extrema elegância no final da história) consiga abraçar situações de guerra tão intensas, primeiro entre Thor e Bill, depois entre eles, Sif e Ferocímea contra os demônios. E o melhor de tudo é que o roteiro não é cansativo. Como citado anteriormente, pesa sobre ele apenas a passagem pouco orgânica de cenário para cenário e um pouco de perda de ritmo na apresentação de Fafnir (Nastrond), agora liberto de sua prisão em Midgard.

Com uma arte bastante rica, especialmente nos quadros de batalha e em todos os elementos espaciais, com destaque máximo para a cavalgada de Tanngrisni e Tanngnost e para as cenas com Ferocímea), A Balada de Bill Raio Beta nos mostra como impressões iniciais podem ser transformadas através de um bom diálogo e de como um roteirista pode elencar o máximo de elementos em uma série mensal, dando a oportunidade de prosseguimento da trama com curiosidade viva do leitor e, ao mesmo tempo, jamais perdendo o foco da história presente. Bastante atento à mitologia nórdica e à civilização desses povos, Simonson levou a sério a estrutura básica de uma balada medieval (na esfera das histórias mágicas e grandiosas para serem cantadas) e fez aqui um encontro de mundos, heróis, dilemas morais e martelos que deixam claro o por quê a sua passagem pela revista Thor Vol.1 é apontada como um dos pontos altos em todo o título.

Thor: O Último Viking (Thor Vol.1: / The Mighty Thor: The Ballad of Beta Ray Bill #337 – 340) — EUA, novembro de 1983 a fevereiro de 1984
Marvel Comics
No Brasil: Salvat, 2015 (Thor: O Último Viking)
Roteiro: Walter Simonson
Arte: Walter Simonson
Arte-final: Walter Simonson
Cores: George Roussos
Letras: John Workman, John Workman Jr.
Capas: Walter Simonson
Editoria: Mark Gruenwald, Michael Carlin
24 páginas (cada edição)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.