Crítica | Thor: Deus do Trovão # 1 – Marvel NOW!

Que coisa mais bonita é a arte de Thor: Deus do Trovão! Os traços de Esad Ribic e as cores de Dean White funcionam em perfeita harmonia para nos trazer o que até agora é o mais visualmente impressionante título do semi-reboot que não é reboot Marvel NOW! Trafegando de uma era para outra com sutis alterações no traço e na forma de capturar o herói, a dupla de artistas ajudada pelas letras de Joe Sabino, que fazem parte integral da história, consegue nos passar exatamente aquilo que o roteiro exige: três Thors, três eras, três histórias. E isso sem solução de continuidade, mas deixando com que cada era tenha suas próprias características.

Mas como assim “três Thors”, vocês certamente perguntarão.

Bom, Jason Aaron, autor de Scalped, um dos grandes sucessos de crítica do selo Vertigo, volta às origens míticas de Thor. Não vemos o super-herói Thor. Vemos o deus Thor. E vemos o deus Thor em três momentos distintos de sua vida: na Terra no ano 893 d.C., jovem, como um deus viking defendendo um vilarejo islandês; nos dias de hoje, no planeta Indigarr, respondendo às preces de um E.T. que precisa de chuva em seu planeta e a milhares de anos no futuro, em Asgard, barbudo, sem um olho e sem um braço (que é substituído pelo braço do Destrutor) como o último deus sobrevivente, empunhando Mjölnir e a espada de Odin contra um exército de seres estranhos. E o que costura essas três narrativas: um assassino serial de deuses cujo trabalho Thor vê pela primeira vez na Islândia, enfrenta pela primeira na órbita do planeta Indigarr e, pelo visto, pela última vez em Asgard.

Intrigante, não é mesmo?

O melhor mesmo é o distanciamento que Aaron impõe da persona super-heroística de Thor. Ele fala novamente como um deus e não tem o Capitão América ou Homem de Ferro ao seu lado. A mitologia que cerca Thor já foi explorada diversas vezes em histórias paralelas, mas no título principal do deus e sem ter narrativa tangencial a acontecimentos que somos familiares? Isso é raro e muito, mas muito bem-vindo mesmo.

E o interessante é que Aaron não perde tempo. Usando Thor como protagonista e narrador, ele já mergulha no passado bonachão do Deus do Trovão, arriscando um texto ousado logo na abertura, um que certamente passou despercebido pelos editores da Marvel. Thor diz que um Gigante do Gelo havia aterrorizado um vilarejo na Islândia comendo três bodes, quatro cachorros e duas crianças e que, ao final da batalha, o deus passou quatro dias comendo mais bodes do que o Gigante do Gelo, bebendo o suficiente para afogar uma dúzia de marinheiros e… fazendo amor como mais da metade das mulheres do local. Passou raspando uma frase que juntasse “crianças” e “sexo” em uma mesma oração… Mas, posso estar vendo coisas…

O autor, como fica claro, não se furta a textos mais rebuscados e, com isso, ele consegue trabalhar de maneira muito crível três personalidades distintas de uma mesma pessoa, sem que pareçam efetivamente três pessoas. São três fases de um mesmo homem – jovem, maduro e idoso – que constroem uma narrativa apenas.

Restar esperar que Aaron continue explorando essas três fases, até mesmo dedicando números inteiros a cada uma delas. Tudo indica que Thor terá um arco digno de um deus!

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.