Crítica | Thor: O Renascer dos Deuses

Thor: O Renascer dos Deuses foi publicado durante um período complicado dentro do universo Marvel, de forma alguma esse “complicado” se refere às vendas e a qualidade dos títulos vigentes da época. Afinal, o arco começou pouco tempo depois do início um dos maiores clássicos da editora, Guerra Civil. É impossível ler o evento que mudou a história da casa das idéias e não notar a ausência de um dos seus personagens mais conhecidos, o deus do trovão. Isso se deve, pois um pouco antes do evento terreno acontecer, as divindades de Asgard estavam enfrentando Ragnarok. Tudo e todos foram destruídos pela imensa guerra que dá nome ao novo filme da Marvel Studios. Thor também morreu durante o Ragnarok e o arco que dá título para essa crítica narra a volta do deus do trovão e de seu povo.

O quadrinho foi republicado recentemente no Brasil por duas editoras diferentes, situação rara de acontecer no nosso mercado. Ele foi vinculado como um volume único tanto na coleção Marvel da Salvat, quanto pela editora Panini. O arco se compõe de 6 edições e tem um começo que depende das edições anteriores e um final que também depende dos volumes vindouros.

Como já dito anteriormente, a HQ narra o reencontro de Thor com a vida e com o seu universo. J. Michael Straczynski, roteirista do quadrinho, não se alonga muito em mostrar o protagonista voltando à vida, logo que o deus acorda ele já se vê obrigado a reviver seu povo e sua terra. Outro aspecto importante para a história do personagem também é retomado no arco, Donald Blake é tirado do limbo e tem uma participação importante para a narrativa.

Na segunda edição vemos o médico indo para Oklahoma, na cidade ele encarna o deus do trovão e faz com que Asgard volte do nada. Entretanto o local sagrado está vazio, sem nenhum habitante, isso faz com que Thor comece a procurar todos aqueles que foram perdidos durante o Ragnarok. E é essa a principal trama que todas as outras edições seguem.

O roteiro de Straczynski é muito simples e dependendo de várias coincidências para conseguir se sustentar. A trama principal parece ser muito grande à primeira vista, ver um deus renascer e procurar seus companheiros a fim de criar uma nova Asgard tem um potencial enorme. É decepcionante ver a forma que Straczynski desenvolve sua narrativa, tudo é agressivamente rápido e sem sentido e, no final, Thor toma uma atitude que invalida toda a sua jornada até aquele momento.

Outro aspecto pífio da trama é a ação banalizada, todas as seis edições possuem um grande número de páginas dedicadas a socos e raios que não levam a narrativa para lugar nenhum. A luta que mais se destaca pela sua incongruência é a que ocorre na terceira edição, onde vemos Thor e Homem de Ferro brigando. Como em muitas histórias de heróis, existe um potencial imenso dentro do argumento da trama, mas a execução acaba sendo feita de forma porca e repetitiva, afinal colocar o Thor contra o Stark na capa vende muito.

Apesar de tudo isso o arco é considerado um dos grandes clássicos do personagem, isso ocorre por causa de Oliver Coipel e Mark Morales. Eles entregam traços finos e painéis bem preenchidos. Além de conseguirem ser muito criativos dentro do roteiro que se repete, Thor “ativa” seus trovões em todas as edições e a dupla consegue fazê-las todas de formas diferentes e únicas.

Além do desenho, Oliver também se sai muito bem na narrativa gráfica do quadrinho, por vários momentos ele repete quadros movendo poucos elementos ou quase nenhum. Sua narrativa é clara e consegue entregar muito bem momentos de calmaria e de agitação dentro da história. Laura Martin, a colorista, é desafiada durante as cenas de luta e entrega muito bem seu trabalho durante todas essas ocasiões.

Thor: Renascer dos Deuses é um jovem clássico que não merece estar nessa posição, sua trama tem muito potencial, mas é ofuscada por uma narrativa que prefere ser breve, deixando todo o apelo do protagonista sem profundidade. Em nenhum momento o leitor cria empatia com o Thor, pois o roteiro de Straczynski não permite que isso aconteça. A arte de Coipel e Mark é muito boa e digna de ser reconhecida, mas, infelizmente, isso não tem força o suficiente para colocar a HQ em uma posição de destaque, já que quadrinho não é livro ilustrado.

Thor: Renascer dos Deuses (Thor: Rebirth)  — EUA, 2007/08
Contendo: 
Thor (2007) – #1 a 6
Roteiro: J. Michael Straczynski
Arte: Oliver Coipel e Mark Morales
Cores: Laura Martin
Editora original: Marvel
Datas originais de publicação: setembro de 2007 a fevereiro de 2008
Editora no Brasil: Salvat/Panini
Data de publicação no Brasil: abril de 2011
Páginas: 168 Páginas
PEDRO CUNHA . . . Com corpo e alma de Hobbit, sou um eterno Padawan e aprendiz. Amigo dos ursos, dos elfos e das águias. Nativo de Krypton e apreciador da sétima, nona e de TODAS as artes. Quando tentado sempre rebato; "sou um Jedi, como meu pai antes de mim".