Crítica | Thor: Ragnarok (Trilha Sonora Original)

Ramin Djawadi, John Debney, Alan Silvestri, Henry Jackman, Danny ElfmanMichael Giacchino – esses são alguns dos nomes de compositores que já trabalharam nos longa-metragens da Marvel Studios, todos com carreiras sólidas, tendo amplo reconhecimento no mercado do cinema e televisão – Djawadi, responsável pela música de Game of ThronesWestworld é um bom exemplo que tais nomes merecem nossa atenção. A escolha, portanto, de trazer Mark Mothersbaugh para realizar a trilha de Thor: Ragnarok é, no mínimo, arriscada. O maestro conta basicamente com animações e séries “menores” de TV, não tendo nenhum álbum em seu nome verdadeiramente memorável. Claro que sempre podemos ser surpreendidos, afinal, talentosos indivíduos não cansam de aparecer tanto na indústria musical, quanto na cinematográfica.

Quando falamos de blockbusters, porém, especialmente um da Marvel Studios, que tem prazos muito bem definidos, é preciso que o compositor consiga aguentar a pressão de um projeto desse porte, tendo, em geral, muito pouco tempo para compor suas melodias. Giacchino já demonstrou estar à altura do desafio, vide seu trabalho em Rogue One, quando substituiu Alexandre Desplat de última hora. Não ainda “testado” Mothersbaugh tinha uma tarefa bastante complicada em Thor: Ragnarok, vide que o tom da obra não reflete aqueles de Thor O Mundo Sombrio, sendo preciso, portanto, reinventar a linguagem musical a ponto de se encaixar com a atmosfera mais bem-humorada e até um tanto “cósmica” desse terceiro filme do Deus do Trovão. O resultado é um álbum que não sabe usufruir de todo o seu potencial.

De imediato a trilha de Mothersbaugh parece seguir por tons similares aos que ouvimos na grande maioria dos outros filmes do Universo Cinematográfico Marvel – o velho heroísmo evocado pelas notas dá um ar de grandeza à aventura, mesmo não chamando a atenção para nenhum trecho em particular. Esse aspecto é mantido tanto em Ragnarok Suite, a música mais longa do álbum, contando com quase nove minutos, quanto em Running Short On Options. Por vezes, porém, ouvimos melodias produzidas por sintetizadores, o que aparece com mais força em na música-título Thor: Ragnarok.

Demora um pouco, porém, até os sintetizadores tomarem a dianteira – eles se fazem mais presentes durante os trechos do protagonista em Sakaar. O que ouvimos antes são composições verdadeiramente genéricas, que minimamente cumprem sua função (quando o fazem), não evocando particularmente nenhuma emoção de quem as escuta, meramente preenchendo o espaço sonoro do filme. Essa pasteurização pode ser observada em Hela vs. Asgard, a típica melodia de vilão qualquer, com alguns tons graves e outros que evocam o simbolismo da serpente, como se as notas se alastrassem lentamente. Nada fora do comum se tratando de trilhas, por mais que seja perceptível se tratar do tema da vilã. Por se tratar de uma figura importante na mitologia do herói nos cinemas, era de se esperar que escutaríamos algo mais memorável.

A mudança drástica para os sons sintéticos, então, ocorre em Grandmaster’s Chambers, após curta introdução em Where am I?. Se Blade Runner mais do que provou o que uma trilha à base de sintetizadores é capaz de fazer pela atmosfera de um filme de ficção científica, a de Thor: Ragnarok mostra que a mera utilização de tal sonoridade não é o suficiente para verdadeiramente captar nossa atenção – ainda que Mothersbaugh capture o tom da obra com What Heroes Do e a agitada Parade, nenhuma outra verdadeiramente corresponde à descontração do filme, sendo mais dramática do que deveria, não fazendo jus às altas doses de humor do longa, vide Asgard Is a People, que tenta trazer uma atmosfera de maior peso, sem êxito.

Curiosamente, somente nos créditos finais, com Planet Sakaar e a nonsensensical Grandmaster Jam Session que o tom da obra realmente aparece em sua música com toda a força, sendo as únicas duas faixas minimamente memoráveis e divertidas do álbum, remetendo imediatamente ao imagético desse terceiro filme do Deus do TrovãoNo fim, portanto, a trilha de Thor: Ragnarok prova ser mais um dos elementos que fizeram do filme algo tão esquecível, jamais sabendo, de fato, se encaixar com o que vemos em tela, atuando meramente como elemento de preenchimento do espaço sonoro.

Mothersbaugh certamente poderia ter ousado mais em suas composições, fugindo do óbvio e entregado algo que fizesse jus ao alto teor satírico que vemos durante a projeção. Podemos somente imaginar o que um compositor mais seguro de si poderia ter nos entregado no lugar dele, de repente trazendo melodias que, de fato, melhorassem o filme.

Thor: Ragnarok (Trilha Sonora Original)
Compositor:
 Mark Mothersbaugh
País: Estados Unidos
Lançamento: 20 de outubro de 2017
Gravadora: Hollywood Records
Estilo: Trilha sonora

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.