Crítica | Thors (Tie-In de Guerras Secretas – 2015)

estrelas 4

Obs: Leia a crítica da saga aqui e dos demais tie-ins aqui.

O que são os tie-ins: Em Guerras Secretas, saga de 2015, o Doutor Destino – agora Deus Destino – recriou o mundo ou, como agora é conhecido, Mundo Bélico, a seu bel-prazer, dividindo-o em baronatos, cada um normalmente refletindo de alguma forma um evento ou uma saga passada da Marvel Comics. Com isso, a editora, que, durante o evento, cancelou suas edições regulares, trabalhou como minisséries – algumas mais auto-contidas que as outras – que davam novo enfoque à situação anterior já conhecida dos leitores, efetivamente criando uma saga formada de mini-sagas, com resultado bastante satisfatório, muitas vezes até superior do que as nove edições que formam o coração de Guerra Secretas.

Crítica

A força policial de Deus Destino em Guerras Secretas é formada por aparentemente infinitas variações de Thor, o Deus do Trovão. A presença deles é sentida em diversos tie-ins como algo a ser temido por todos os personagens e cuja presença normalmente significa pancadaria, prisão e até morte. Em Thors, minissérie dedicada exclusivamente a essa força policial, o enfoque é o dia-a-dia do trabalho dos Thors da divisão de homicídios, muito na linha de séries policiais procedimentais que vemos por aí.

E o resultado é muito divertido, mesmo considerando que este é um dos tie-ins mais fortemente conectados com a mitologia estabelecida na saga maior e com ramificações diretas nas publicações relacionadas ao Thor que saíram logo após o fim da saga: A Poderosa Thor (com Thor sendo Jane Foster, com já é há algum tempo) e Thor, o Indigno, lidando com as aventuras do Thor original, agora sem o poder divino e sem seu martelo, depois das ainda secretas revelações de Pecado Original, de Jason Aaron, que também escreve Thors. Felizmente, porém, o que Aaron faz na minissérie é muito superior à péssima saga que retirou os poderes de Thor Odinson e misteriosamente transferiu-os para Jane Foster.

Sem perder tempo – afinal, a minissérie é curta, composta apenas de quatro números – vemos o Thor Ultimate com seu parceiro Bill Raio Beta investigando mais um assassinato misterioso pelo Mundo Bélico. Vários outros Thors se envolvem no caso diante de sua magnitude, como o Thor Rúnico e o Thor Destruidor, extremamente violentos, o Thor Groot, basicamente monossilábico, a Thor Tempestade e, como não poderia deixar de ser, Throg, o Thor Sapo, que é médico forense. A inusitada estrutura policial, com todos os seus clichês – bromance entre parceiros, rivalidade com outras duplas policiais, obtenção de pistas por informantes escusos, interrogatórios de suspeitos e assim por diante – é o que chama atenção aqui, já que é no mínimo estranho ver vários Thors fazerem as vezes de policiais comuns.

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O mistério maior – o assassinato de várias versões de Jane Foster de todo o Mundo Bélico – promete muito, por estar justamente ligado à mitologia do personagem e o encadeamento da narrativa, com sucessivas e interessantes revelações (que não são particularmente originais, porém), é lógico e lida cada vez mais intensamente com esse mundo artificial e falso criado por Deus Destino. O roteiro de Aaron, porém, peca muito por apressar o final, quase que cortando a história e “pulando” para acontecimentos que vemos na saga principal, o que retira um pouco da auto-contenção da minissérie e quebra o ritmo que vinha sendo estabelecido. No entanto, é compreensível o atalho justamente por Thors ser uma história fortemente dependente da saga em si, sendo efetivamente um tie-in daqueles clássicos.

A arte ficou principalmente ao encargo de Chris Sprouse (com ajuda de Goran Sudzuka em um número, mas que procura manter o estilo de Sprouse), que desenha os Thors de maneira digna, respeitosa e super-heróica como eles merecem, mantendo os uniformes daqueles que já conhecemos (incluindo o uniforme clássico e original do herói) e criando outros muito bem bolados, como o do Thor Groot (com capa de folhas) e do Thor Lobisomem e nos dando um primeiro vislumbre de Thor, o Indigno, que perdera o martelo por pecados passados.  Suas sequências de batalha são dinâmicas e poderosas, fazendo bom uso dos quadros e de uma estética policialesca familiar a quem assiste séries e filmes do gênero, especialmente nas páginas dedicadas ao interrogatório de Loki, aqui um mendigo informante de Bill Raio Beta.

Mesmo pecando pelo final corrido, Thors é uma minissérie engajante e divertida que coloca o leitor em meio a uma trama policialesca e misteriosa repleta de Deuses e Deusas do Trovão. Além disso, é uma das poucas realmente importantes para a saga como um todo e para os acontecimentos pós-Guerras Secretas.

Thors (EUA – 2015/6)
Contendo: Thors (2015) #1 a #4
Roteiro: Jason Aaron
Arte: Chris Sprouse, Goran Sudzuka
Arte-final: Karl Story, Dexter Vines
Cores: Marte Gracia, Israel Silva
Letras: Joe Sabino
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: agosto de 2015 a janeiro de 2016
Editora no Brasil: Panini Comics
Data de publicação no Brasil: outubro de 2016 (encadernado – Guerras Secretas: Os Vingadores #3)
Páginas: 100

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.