Crítica | Tinker Bell e o Monstro da Terra do Nunca

estrelas 2Lá em 2008 quando a Walt Disney Estúdios decidiu lançar o filme solo da Sininho que então se tornou Tinker Bell, ninguém sabia bem o que esperar. A fada egoísta e ciumenta que conhecíamos do Peter Pan, não era a mesma retratada ali naquela animação. Tink, como suas outras amigas fadas a chamam, começa sua história contando como se tornou uma fada artesã. Algo que ela não parece gostar muito de início, mas, foi o chamado da natureza.

O universo criado em Pixie Hollow (que fica na Terra do Nunca) é inteligente, harmonioso e muito atraente. O fato das fadas serem divididas em funções e hierarquias um prato cheio para qualquer criança, pois fica fácil de se identificar com uma ou algumas delas. E não é um mundo exclusivamente feminino, há outros homens fadas também e cada qual, possui sua função, seja a de protetor do pozinho mágico, livreiro ou mesmo da guarda da Rainha Clarion.

Desde então descobrimos bastante a respeito da Tinker Bell e de suas amigas, pois esse é o sexto filme da franquia. De lá para cá tivemos aventuras em busca de um segredo perdido, interação com os humanos (o pior de todos), a descoberta de uma irmã gêmea em terras geladas, o início da história do Capitão Gancho (o melhor de todos) e agora temos o mistério do monstro da Terra do Nunca. Só que a fada da vez aqui não é a Tink e sim Fawn a encarregada de cuidar dos animais, ensinando-os a se comportar, ou não, como manda a natureza. Só que Fawn é bastante curiosa e não consegue deixar qualquer animal sem cuidados, mesmo que ele seja um perigo para si mesma e as outras fadas. Como os gaviões que se alimentam das fadas. Felizmente, o problema é resolvido rapidamente, mas Fawn acaba sendo repreendida por Nyx que é da segurança e também pela Rainha Clarion, já que essa não é a primeira vez que a fada causa um incidente tentando proteger certas espécies de animais.

Contudo, quando um estranho meteoro verde cruza os céus de Pixie Hollow e todos ouvem um estranho rugido, a curiosidade de Fawn fala mais alto novamente e ela decide investigar a origem do barulho. Mas nada iria prepará-la para essa descoberta. Um animal enorme, peludo e que não se comunica com ela de forma alguma e faz repetidas vezes a mesma coisa, rolar pedras para a construção de uma torre que Fawn não tem ideia do porquê ele está fazendo isso. Aos poucos consegue estabelecer um laço com o animal que ela chama de Gruff, mas, devido a algumas estripulias acaba sinalizando sua localização para as outras fadas, incluindo Nyx que tem certeza de que o animal misterioso é muito perigoso. Caberá a Fawn tentar convencer a Rainha Clarion de que Gruff não é malvado e pedirá a ajuda de suas amigas, porém, eventos inesperados de proporções catastróficas vai fazer com que ela própria acabe questionando se Gruff é mesmo quem ela pensou que seria ou se apenas algo que ela quis enxergar.

Tentando tirar o foco da personagem principal, Tinker Bell e o Monstro da Terra do Nunca peca por focar apenas em uma única personagem. Ainda que a intenção tenha sido louvável, já ficou provado antes que as animações de mais sucesso das fadas são aquelas em que todas juntas tem um peso muito maior na trama. Mesmo que Fawn seja carismática e até lembre um pouco a personalidade de Tink, sozinha não é possível sustentar toda a animação que é mais fraca que sua antecessora Fadas e Piratas. A animação se arrasta mais do que deveria para algo do tipo e pode se tornar cansativa até mesmo para as crianças. A figura de Gruff, um ser lendário da Terra do Nunca, tem um formato deveras demoníaco (em sua forma final) para um personagem de animação da Disney, o que pode vir a assustar mais pais do que crianças.

Por fim, a sexta animação da franquia da fada mais amada ou mais odiada (afinal, ela traiu o Peter Pan) deixa bastante a desejar tanto para adultos quanto para os pequeninos. A moral final é interessante, mas, já foi apontada milhares de outras vezes. Hora de reformular as intenções.

Tinker Bell e o Monstro da Terra do Nunca (Tinkerbell and The Legend of The NeverBeast, EUA – 2015)
Direção: Steve Loter
Roteiro: Steve Loter, Tom Rogers
Elenco: Ginnifer Goodwin, Mae Withman, Rosario Dawnson, Megan Hilty, Pamela Adlon, Lucy Liu, Raven-Symoné, Anjelica Houston, Danai Gurira, Chloe Bennet, Grey Griffin, Thomas Lennon, Jeff Corwin, Kari Wahlgreen
Duração: 76 min.

MELISSA ANDRADE . . . Uma pessoa curiosa que possui incontáveis pequenos conhecimentos desde literatura a filmes a reality shows a futebol alemão e está sempre disposta a aprender muito mais. Por isso sou Jornalista por experiência e vocação. Fotógrafa Profissional com muita paixão e um olhar apurado e Roteirista frustrada e uma Crítica de Cinema em ascensão.