Crítica | Titãs – 1X03: Origins

Contém spoilers.

O seriado Titãs, ao seu terceiro episódio, nomeado justamente Origins, é o verdadeiro começo das origens do super-grupo retratado, trabalhado, de fato, como super-grupo – coisa que, teoricamente, teria começado a ser fomentada no primeiro episódio. Os dois capítulos passados, de certa maneira, possuem pontuações completamente desqualificadas atualmente, a favor de um prosseguimento mais natural ao verdadeiro motor de uma equipe como essa – as relações dos personagens uns com os outros. A exemplo, a morte de Rohrbach, acontecimento revelado abruptamente, é simplesmente ignorada por Dick Grayson (Brenton Thwaites), mostrando que a personagem nunca foi realmente interessante aos roteiristas, facilmente desistindo de qualquer consequência mais direta ao evento. A questão com o Rapina e a Columba é mais compreensível, porque ambos, apesar de, possivelmente, não retornarem muito em breve, impactaram os personagens em como eles se enxergam agora, principalmente Rachel Roth (Teagan Croft), observando a sua culpa indireta e o frequente abandono das pessoas ao seu redor – o aumento das crises. As origens, no entanto, são vastas o suficiente para se encaminhar a distintos direcionamentos, porque estamos olhando para personagens realmente misteriosos, que nos instigam a saber mais e mais sobre eles – as respostas são suficientes?

Em quem confiar? Origins também é um capítulo, naturalmente, sobre confiança, depois que Dick Grayson quase conseguiu passar a responsabilidade de cuidar de Rachel para outras pessoas, enfurecendo a menina, posteriormente sequestrada pela estranhíssima Família Nuclear, que retorna. O surgimento de Estelar (Anna Diop), portanto, é interessantíssimo, para remexer com os relacionamentos, mesmo que estejamos frente a um episódio que não precisava do formato de flashbacks – sobre como a personagem chegou no local que chegou – para funcionar, porque a ideia é esquecida pela metade do episódio, soando incoerente dentro de uma estrutura maior – uma linearidade, porém, ajudaria, por ser coincidente demais a aparição, de repente, da mulher em cena. A situação é diferente das passagens pelo passado do Robin, muito mais instigantes – a montagem não ajuda, porém -, apresentando o carro do personagem – relevante para um único diálogo, pela conclusão do episódio -, assim como o seu anseio por vingança de quando era pequeno, compartilhada com a jovem garota – a conversa entre os dois, na igreja, é fortalecida por essa quebra de passado com presente. A única pena, envolta desses pontos positivos, prato cheio para os aficionados pela mitologia do Homem-Morcego, é que, em uma Mansão Wayne extremamente charmosa, tenha sido pessimamente dirigido o ator-mirim que interpreta o garoto.

A gigantesca confiança em relação às irmãs de Saint Paul’s, principalmente a personagem de maior proeminência dentre as freiras, emitindo um rosto delicado, é subvertida surpreendentemente, para revolta do espectador e maior desgaste emocional de Rachel. A narrativa, desenvolvendo os enigmas propostos, também a relação de Estelar com a personagem, o porquê delas estarem envolvidas em algum escopo desconhecido, confunde o público, jogando informações, mas não instigando o espectador sobre elas. Os maiores momentos permanecem sendo aqueles que trabalham as dinâmicas, principalmente a entre Rachel e Kory, após o resgate da menina, antes na mãos dos esquisitos antagonistas – em mais cenas esquisitas e, em consequência, divertidíssimas. A música assume um papel extremamente relevante para criação de atmosfera, o mais jovem possível a ser alcançado pelo seriado. A computação gráfica, em outra instância, atinge, aqui, os seus níveis mais problemáticos – as visões no espelho querem uma esfera grandiosa que a equipe de efeitos especiais não acompanha. A origem, por último, contrariando a minha expectativa inicial – pela idade dos atores -, também é de uma certa vertente amorosa entre Rachel e Gar (Ryan Potter). Uma pena que não esticaram por mais tempo a interação entre os personagens. Um episódio realmente sobre origens.

Titãs – 01X03: Origins – EUA, 26 de outubro de 2018
Criação: Akiva Goldsman, Geoff Johns, Greg Berlanti
Direção: Kevin Rodney Sullivan
Roteiro: Richard Hatem, Geoff Johns, Marisha Mukerjee, Greg Walker
Elenco: Brenton Thwaites, Anna Diop, Teagan Croft, Ryan Potter, Alan Ritchson, Minka Kelly, Jeff Clarke, Melody Johnson, Jeni Ross, Logan Thompson
Duração: 55 min.

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.