Crítica | Titãs: Renascimento

estrelas 3,5

Eis aqui o rumo final do Kid Flash (Wally West), que agora é chamado de Flash, com um novo (e excelente) uniforme, reunindo-se com seus amigos Titãs, tentando explicar a perda de 10 anos no tempo deles e de todo o Universo DC, estabelecendo alguns problemas iniciais com o “vilão oculto”, que alguns suspeitam ser o Mister Twister, mas na verdade é alguém que “está chegando” neste Universo agora…

Escrito por Dan Abnett, o roteiro dessa edição traz boas doses da emoção que tem marcado as histórias com o Wally, exatamente por conta de sua ausência durante um longo período de tempo e a sempre calorosa recepção que nós temos para belas cenas de reencontro. O texto não disfarça nem um pouco que a verdadeira intenção era mesmo emocionar e, apesar de a arte e a coloração não dar muito espaço para alegrias — falarei mais sobre isso adiante –, há um encontro muito bonito entre esses jovens heróis adultos que parecem ser os primeiros nessa nova fase a erguer uma barreira e se preparar contra o vilão oculto e ladrão de tempo. É óbvio que este diálogo estará presente quando as mensais de outros heróis estiverem lá pelo segundo ou terceiro arco, mas é uma conversa que começa aqui, com os Titãs, talvez pela organicidade da coisa, afinal, Wally West é o pivô de todo esse reencontro.

O reencontro. Agora vejam esse Asa Noturna anti-social, afastado de todos... Tsc tsc tsc

O reencontro. Agora vejam o Arsenal encoxando o Wally e esse Asa Noturna anti-social, afastado de todos.

Não há muita coisa aqui além do encontro do homem mais rápido do mundo com os amigos e isso é uma boa e uma má constatação ao mesmo tempo. É fácil entendermos que esse tipo de atenção seria indispensável para um herói que esteve perdido no tempo e agora retorna, aparentemente do nada (nós sabemos o que ele passou, mas seus amigos não). Era de se esperar isso. Por outro lado, falta um pouco mais de ação, de elementos fora desse círculo fechado. Novamente, deixo claro que a abordagem de Abnett é plenamente compressível, mas isso não significa que foi perfeita. Pelo menos o drama é construído com base sólida e, tanto começa a nova fase quanto dá muitas pistas pelo que pode ser o caminho futuro desses heróis.

A formação dos Titãs aqui pode confundir alguns novos leitores, então vamos a uma breve apresentação de quem é quem:

  1. Arsenal II (Roy Harper);
  2. Donna Troy;
  3. Asa Noturna (Richard “Dick” Grayson);
  4. Sina/Agouro /Omen (Lilith Clay);
  5. Tempest (Garth)

O sexto membro do grupo é o próprio Wally, antigo Kid Flash e agora apenas Flash. É uma pena que fora a citação rápida que tivemos em The Flash: Renascimento, não haja nenhuma colocação visual e de preparação para o surgimento do novo uniforme, mas o leitor sobrevive a isso sem maiores problemas. Também é importante destacar que esta formação irá sofrer algumas mudanças legais ainda na primeira fase, a partir das mensais.

Dan Abnett faz o encontro de Wally com seus amigos começar com um grande mal-entendido, colocando-o como um inimigo desconhecido, fazendo com que cada um relembre dele através de um “choque temporal” dado a cada contato que ele tem com um Titã. Fico me perguntando, porém: e aquela foto com o Wally vestido de Kid Flash? O grupo não via mais os antigos álbuns? Fica claro que eles deram por falta de “alguma coisa”, mas não sabiam exatamente o quê. No entanto, fico me perguntando sobre aquela foto…

Eles estão se preparando para uma guerra...

Eles estão se preparando para uma guerra…

A arte aqui está a cargo de Brett Booth e Norm Rapmund, com cores de Andrew Dalhouse. Anteriormente eu citei que não havia muito espaço para alegrias nesse setor, e é verdade. A arte é ótima, concebida para nos dar a impressão de claustrofobia, tornando o espaço cada vez menor e mais sufocante à medida que novos Titãs vão chegando. Mas o grande toque de peso está nas cores. Não só o cenário está repleto de azul, como há um filtro intenso dessa cor fria ao longo de toda a revista, exceto nas páginas que são um inteligente flashback com base na foto que Wally tem em mãos, no início da trama. Claro que a força da cor aliada à escolha dos desenhos faz um trabalho emotivo (ou propositalmente depressivo, depende do leitor) por si só, com ótimo resultado final.

Através de uma diagramação de páginas que se torna progressivamente mais livre de formalidades e um texto batido, mas bem escrito e com boas deixas para a futura série regular dos Titãs, esta edição de renascimento era o que faltava para a inserção de Wally como novo Flash em nosso mundo. A coisa agora começa a funcionar de verdade.

Titãs: Renascimento (Titans: Rebirth) — EUA, 15 de junho de 2016
Roteiro: Dan Abnett
Arte: Brett Booth
Arte-final: Norm Rapmund
Cores: Andrew Dalhouse
Capa: Brett Booth
24 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.