Crítica | Transformers: A Era da Extinção

estrelas 1

Após três gigantescos sucessos de bilheteria (e desastres para qualquer espectador acima de dez anos), Michael Bay retorna para a franquia de robôs gigantes com a premissa de um suposto reboot. Diante dos trailers que nos mostraram dinossauros robóticos, os conhecedores dos bonecos da Hasbro logo reconheceram a referência a Beast Wars, em outras palavras, seres que se transformam em animais. O que o diretor nos entrega, contudo, é nada mais que outra entrada da série, seguindo a exata mesma receita de bolo dos anteriores.

Antes de entrar nesses elementos iguais, porém, vamos às diferenças de A Era da Extinção. Ehren Kruger, responsável pelo “roteiro” das duas obras antecedentes, retorna ao mesmo cargo buscando uma espécie de reinvenção da mitologia da série. Assistimos a inserção de seres criadores dos Transformers, que somente aparecem de relance, mas são citados ao longo da trama. Com isso em mente, os minutos iniciais da projeção nos levam a uma Terra pré-histórica, revelando que a extinção dos dinossauros foi, de fato, causada por seres alienígenas. Um corte brusco e mal realizado, então, leva a obra para o presente, onde pesquisadores descobrem um dinossauro robótico congelado. Aqui poderíamos esperar uma repetição do primeiro filme, com o despertar de Megatron, mas o texto decide inserir esse pleonasmo de uma forma ainda menos criativa. O robô-tiranossauro é esquecido pela maior parte da obra.

Já nos EUA, descobrimos que os seres provenientes de Cybertron são agora vistos com maus olhos, rechaçados após os eventos da Batalha de Chicago (de O Lado Oculto da Lua). Alguns flashbacks bem inseridos através de reportagens em televisões nos relembram da ocasião e aqui nos vemos diante do melhor elemento da obra, que coloca os heróis de outrora como renegados. O positivo, contudo, se transforma no grande terror do longa-metragem, ao ponto que gera uma excessivamente extensa história de origem, focada, é claro, nos humanos. Felizmente não temos mais as não-atuações de Shia LaBeouf, cujo personagem é substituído por Cade Yeager (Mark Wahlberg), um mecânico com problemas monetários que anseia por uma grande descoberta através de seus experimentos de robótica. Aqui, o roteiro cansa o espectador através de uma subtrama completamente desnecessária entre o pai, a filha, Tessa Yeager (Nicola Peltz) e seu namorado, Shane (Jack Reynor). Piadas sem inteligência e previsíveis ocupam os muitos minutos que veem tais interações em tela, já construindo o maior dos problemas da obra.

Dizer que, ao acompanharmos essa família, sentimos falta das cenas de ação, seria um grande equívoco, já que, neste aspecto, o filme sofre dos exatos mesmos problemas de seus anteriores. Câmeras excessivamente tremidas, montagem eufórica e falta de criatividade no design das criaturas se misturam, gerando uma completa bagunça visual. Os efeitos especiais estão mais detalhados que nunca, mas irrelevantes diante dos problemas na fotografia. Para não dizer que todo o lado visual é mal trabalhado, temos alguns Autobots bem diferenciados, um deles espelhado em samurais. Ainda assim, ouso afirmar que entender cem por cento do longa é completamente impossível, cansando ainda mais a sua audiência. Para piorar, nos vemos, novamente, diante de sequências repetitivas que, é claro, trazem a tona a paixão de Michael Bay pelas suas muitas explosões. Por outro lado, podemos encontrar, através desta característica, uma divertida ocupação para os já entediados: identificar as ações que, em nenhuma ocasião, poderiam gerar tal espetáculo de piromania – algumas risadas, certamente, virão.

A maior das repetições da obra, porém, não é proveniente das manias de Bay e sim de Kruger. Após três filmes era de se esperar que os humanos não mexeriam mais com os restos de Megatron, mas, aparentemente, os cientistas desse filme são tão burros quanto o próprio texto. Mais uma vez vemos o velho vilão e se você não desejava encontrar este “spoiler”, certamente você está dando créditos demais a Transformers. A repetição ainda se estende ao percebermos a completa irrelevância do vilão dentro da trama, que já apresentara um bem efetivo antagonista. A sensação deixada é a velha tentativa de inserir ainda mais cenas de ação em um longa que já possui uma quantidade exagerada delas. Quando chegamos às duas horas de projeção tudo o que podemos fazer é olhar desolados para o relógio e constatar que ainda restam 45 minutos de overdose de CGI.

A Era da Extinção poderia contar com duas estrelas, quiçá duas e meia. Sua duração de 165 minutos, contudo, é de cortar os pulsos, tirando qualquer chance de aproveitarmos esta odisseia de personagens desnecessários, sequências que não entendemos absolutamente nada e lens flare, muito lens flare. Michael Bay prova, mais uma vez, ao lado de Ehren Kruger, que não conseguem fazer nada de diferente e mesmo uma proposta de reboot mais se assemelha com um remake. As poucas qualidades da obra são completamente ofuscadas pelos seus marcantes defeitos. Ao menos nada de robôs urinantes, John Turturro se humilhando ou Shia Labeouf.

Publicado originalmente em 14/07/2014.

Transformers: A Era da Extinção (Transformers: Age of Extinction) — EUA, 2014
Direção: Michael Bay
Roteiro: Ehren Kruger
Elenco: Mark Wahlberg, Nicola Peltz, Jack Reynor, Stanley Tucci, Kelsey Grammer, Titus Welliver, Sophia Myles, Peter Cullen, Frank Welker
Duração: 165 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.