Crítica | Transformers: O Filme (1986)

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estrelas 3

Funcionando como tie-in entre a segunda e a terceira temporadas do desenho original, Transformers: O Filme se passa dois anos depois do segundo ano da animação. Dirigido por Nelson Shin, o produtor da série televisiva, este primeiro longa-metragem da franquia marca o último papel de Orson Welles no cinema, que morreria no ano anterior ao lançamento da obra. Apesar de estar intrinsecamente ligado a seu material original, o filme se sustenta por si só e requer basicamente que saibamos o que são Transformers, Autobots e Decepticons. Dito isso, é ainda assim recomendável que o espectador ao menos goste da franquia antes de assistir esse daqui.

Planejando um maciço ataque contra os decepticons a fim de retormar seu planeta natal, os autobots, sob comando de Optimus Prime (Peter Cullen) enviam alguns de seus membros para a cidade autobot na Terra a fim de conseguir recursos para finalmente poderem atacar. No meio do caminho, todavia, são interceptados o que leva a uma invasão decepticon em nosso planeta. Ao mesmo tempo, longe dali, um planeta robótico, Unicron (com a voz imediatamente reconhecida de Orson Welles), que devora outros astros, planeja a destruição de Cybertron e se alia, posteriormente, a Megatron para ver o fim dos autobots.

Definitivamente não há muita complexidade na história do longa, trata-se de uma animação movida principalmente pela ação e essas sequências ocupam a maior parte do filme. Felizmente, ao contrário das obras de Michael Bay, efetivamente conseguimos entender o que se passa na tela. Isso graças ao trabalho dos animadores, que muito se assemelha ao da Toei Animation, dando um toque de anime à produção. Em alguns pontos, principalmente na movimentação mais lenta, ela soa um pouco travada, mas estamos falando de um desenho de 1986 sem os recursos de uma Disney, afinal. Não poderíamos esperar um full-animation aqui.

O que certamente traz umas boas risadas ao longo de toda a fita é a surreal quantidade de músicas tipicamente oitentistas, tocadas em praticamente todas as cenas. Chega a ser inacreditável como a edição as inseriu dentro do filme, muitas vezes sobrepujando os efeitos sonoros e, consequentemente, quebrando totalmente nossa imersão. Portanto, se você não é um grande fã do rock dos anos 1980, eu sugeriria passar bem longe desse filme. Em alguns pontos a impressão que temos é a de que assistimos um vídeo feito por fãs com amontoados de planos e sequências da obra original.

O roteiro também não é perfeito dentro de sua proposta e coloca um trecho praticamente filler no meio da narrativa, quebrando totalmente o ritmo do longa. Por um bom período de tempo assistimos os autobots presos em um planeta e a resolução dessa subtrama em nada acrescenta para o restante do filme em si – até mesmo a aliança que fazem ali é rapidamente descartada pelo vilão Unicron. Ainda assim, as cenas em questão proporcionam alguns momentos divertidos e, em uma obra cuja intenção é puramente divertir, evidentemente não há grande problema nisso.

Digno de nota também é o tom notavelmente mais sombrio da animação em relação ao desenho original. Aqui ninguém é poupado e inúmeras mortes (ainda que de robôs) ocorrem ao longo da trama, de ambos os lados. Isso proporciona uma sensação maior de urgência, visto que não sabemos, de fato, quem irá sobreviver ou não.

Dito isso, Transformers: O Filme, é uma animação que envelheceu consideravelmente bem nesses trinta anos desde seu lançamento. Com um trabalho de animação que não deixa a desejar, uma história divertida e, é claro, a voz potente de Orson Welles, esse é um prato cheio para os fãs da franquia e a perfeita alternativa para quem não aguenta mais os filmes de Michael Bay.

Publicado originalmente em 8 de agosto de 2016.

Transformers: O Filme (Transformers: The Movie) – EUA, 1986
Direção:
 Nelson Shin
Roteiro: Ron Friedman
Vozes originais: Orson Welles, Robert Stack, Leonard Nimoy, Norman Alden, Peter Cullen
Duração: 84 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.