Crítica | Transformers

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estrelas 2,5

Após inúmeros desenhos animados e revistas e quadrinhos, os famosos bonecos criados pela Hasbro e Takara Tomy, ganham sua versão em longa metragem live-action. Nas mãos de Michael Bay, os Autobots e Decepticons vem à vida através do CGI, ilustrando cada passo de suas transformações. O conflito se torna mais explosivo que nunca. Olhando para trás, após ter assistido o restante da franquia, podemos já observar os elementos que transformariam um filme descerebrado em uma odisseia ininteligível de computação gráfica. Voltemos, portanto, a 2007 e analisemos o início da série que, agora, busca se reinventar com Transformers: O Último Cavaleiro.

O longa-metragem tem inicio com a lenda da criação dos Transformers, nos mostrando, de relance, Cybertron e sua queda. Somos apresentados, desde já, à eterna guerra entre as duas facções da raça. A partir desse ponto, Bay nos leva para um acampamento militar, onde temos um primeiro vislumbre de uma das criaturas. Tal introdução funciona, aumentando a expectativa do espectador, que é mantida elevada através da trilha sonora de Steve Jablonsky. Aqui podemos ressaltar um dos grandes pontos positivos da obra, todo seu departamento de som, que vai desde a edição até a mixagem, sabendo mesclar com maestria as inúmeras explosões com as músicas bem localizadas.

O mesmo não se estende, contudo, quando chegamos a subtrama de Sam Witwicky (Shia LaBeouf), que não só conta com as péssimas atuações tanto de Labeouf quanto de Megan Fox, cuja personagem só existe para servir de objeto sexual, como não possui nenhuma relevância dentro do filme. A presença de tal protagonista, que objetiva a identificação das audiências com a obra, jamais atinge seu resultado pleno, funcionando somente para estender a um ponto cansativo a duração do longa. Para piorar temos constantes quebras no tom da narrativa, ao ponto que denigrem a imagem dos próprios Transformers que partem de uma raça mais avançada para criaturas rasas. A única exceção é Optimus Prime, que adota uma postura de maior sabedoria, apesar de sempre recorrer para a violência que tanto condena.

Seria injusto, porém, colocar toda a culpa da destruição que aflige a Terra nas mãos do líder dos Autobots, já que este é praticamente obrigado a isto pelos Decepticons. Aqui entramos no território mais raso da trama da obra. Apesar de contarem com a mesma origem e serem, simplesmente, parte de duas facções há um evidente maniqueísmo no roteiro – os vilões não possuem motivos para suas ações, simplesmente atuando como antagonistas, pois a história assim o dita. Esse fator fica ainda mais evidente pela total ausência de diálogos entre os líderes de cada lado, que, em geral, repetem os próprios nomes. A tentativa de se atingir duelos épicos é óbvia, mas sempre mal sucedida.

Lembremos, contudo, que estamos falando da primeira empreitada de Michael Bay neste universo, quando suas ambições explosivas ainda não atingiram o cume. Portanto, mesmo nas cenas de ação, iremos conseguir identificar (quase) tudo que se passa na tela, apresentando em poucas ocasiões a famosa câmera tremulada. O lens flare e o contra-plongée, por sua vez, são constantes e após dezenas de aparições acabam irritando as audiências mais observadoras – não se trata de algo que atrapalha, mas sim de detalhes, com a falta de uma palavra melhor, irritantes. É claro que todos os não-defeitos do filme acabam caindo por terra quando levamos em consideração o seu roteiro pleonástico, que nos joga em uma série de sequencias pouco diferenciadas entre si, lutas e lutas que não oferecem nada a não ser tiros e explosões voando de um lado para o outro da tela.

Ainda assim temos algumas raras ocasiões de perplexidade, quando o CGI consegue nos surpreender. Por mais que, muitas vezes, soem exageradas, as transformações dos alienígenas geram algumas cenas com bastante dinamismo e, ao contrário das sequencias citadas no parágrafo anterior, garantem o entretenimento do espectador. Seguindo o exemplo da ação na obra, porém, tais metamorfoses acabam caindo na repetitividade – nos minutos finais, tudo o que queremos é ver os créditos subindo.

Por mais que não tenha atingido o ápice do exagero em suas sequencias de ação, Michael Bay, já nos apresenta uma obra completamente descerebrada. Apesar disso, Transformers consegue entreter sua audiência no nível mais básico possível, cansando-a após seus longos 144 minutos, que facilmente poderiam ter sido reduzidos ao dispensar a parte humana e focando naquilo que, por pouco, diverte o espectador: os alienígenas transformadores.

Publicado originalmente em 11/07/2014.

Transformers — EUA, 2007
Direção: Michael Bay
Roteiro: Roberto Orci, Alex Kurtzman, John Rogers
Elenco: Shia LaBeouf, Megan Fox, Josh Duhamel, Tyrese Gibson, Rachael Taylor, Glen Whitmann, Jon Voight, Kevin Dunn, John Turturro
Duração: 144 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.