Crítica | Treze Homens e um Novo Segredo

  • Leiam, aqui, as críticas de todos os filmes da franquia.

Em literais dois minutos os onze homens estão de volta, sem Julia Roberts, Catherine Zeta-Jones ou qualquer outra distração. Treze Homens vai direto ao assunto: honra entre os ladrões que apertaram a mão de Sinatra. Sacaneado pelo ególatra Willy Bank (Al Pacino), Reuben (Elliott Gould) sofre um ataque cardíaco e serve de gatilho para a reunião dos outros dez homens em busca de vingança.

A boa notícia é que Las Vegas está de volta. A má notícia é que é só isso. Pode se reclamar do que quiser do segundo filme da trilogia – e há bastante para reclamar – salvo o risco que Soderbergh correu com um roteiro mais complexo e provocador. Treze Homens resolve fechar a trilogia com uma volta às origens, sem nada a adicionar de muita qualidade ao que já foi mostrado.

Como uma sombra pálida do primeiro filme, essa terceira película é direta com seu público, atuando como o oposto do segundo. Um acerto, posto que o foco de Onze Homens foi um dos trunfos de seu sucesso. Um erro, todavia, ao deixar de lado qualquer explicação, apostar em um plano mais mirabolante que o normal e se descuidar de subtramas e detalhes que enriqueceriam o filme. Onze Homens trazia, com o perdão do trocadilho, o tal do segredo capaz de aprofundar a diversão e chamar o espectador para junto da jornada. Treze Homens, em suma, não faz nenhum esforço para esconder a mera cópia que é: mais desbotada, mais apressada e menos espirituosa.

De alguma forma, paradoxalmente, essa falta de pretensão funciona melhor em alguns pontos do que a arrogância de seu antecessor. Ao se focar novamente em um único plano em Las Vegas, o filme fala a língua que ensinou ao seu público e entrega aquilo que todo fã espera. É impossível não se divertir com o elenco segurando as pontas, tal como é impossível se divertir mais neste filme do que no primeiro.

Peças na mesa, a emulação do primeiro filme entretém. É chover no molhado falar que a adição de Al Pacino na mistura de estrelas é um acerto. Linus ganha mais destaque enquanto Rusty e Danny dividem o protagonismo. Para além da evolução sutil de tais personagens, alguns outros são melhores aproveitados – é ótimo ver Bernie Mac nos cassinos em um dos últimos filmes de sua vida.

Fica difícil elogiar a obra afora tais pontos. Sim, Terry Benedict atuando como golpista é um ótima jogada, mas em meio a tantas cenas distrativas – a sabotagem é pensada em detalhes mínimos por simples diversão vingativa – o filme consegue cansar o espectador por meios bem distintos que seu antecessor.

Soderbergh bem tenta dar mais dinâmica separando as telas e apostando nas transições estilosas de praxe. Muito drible para pouco gol. Do começo ao fim, não há qualquer senso de urgência nem sequer uma esquina tomada por engano. Com tamanho elenco e com tamanho cenário, é uma lástima a pouca criatividade empenhada, relaxada em mais frases de efeito do que foi o costume nos dois filmes anteriores. Treze Homens é um filme que não tem como não ser divertido, mas peca por apostar em uma repetição de fantasia que corrobora o clichê: três é demais.

A não ser que você queria algo mais descerebrado, capaz apenas de juntar um elenco estrelar com uma boa desculpa. Eu entendo tal escolha. Não deixa de ser uma pena, todavia, que o final da trilogia seja a parte que pior tenha envelhecido entre todas. Algumas piadas ficam mais elegantes na memória.

Treze Homens e um Novo Segredo (Ocean’s Thirteen) – EUA, 2007
Direção: Steven Soderbergh
Roteiro: Brian Koppelman e David Levien
Elenco:  George Clooney, Brad Pitt, Ellen Barkin, Al Pacino, Vincent Cassel, Andy Garcia, Matt Damon, Casey Affleck, Bernie Mack, Scott Caan, Eddie Jemison, Don Cheadle, Elliott Gould, Carl Reiner, Shaobo Qin, Olga Sosnovska.
Duração: 122 min.

ANTHONIO DELBON . . . Ressentido como Vegeta, não suporto a beleza nos outros. Escondo minhas taras em falsas profundidades e não titubeio em dizer um taxativo não aos convites para experimentar os gostos do mundo. O mundo tem gostos demais, livros demais, críticas demais. Escrevo porque preciso – viver, não sobreviver - e viajo fluidamente sem sair do lugar. Na madrugada, nada melhor do que a guitarra de Page ou a voz de Yorke para lembrar da contingência do pó, ainda que nossa tragicômica vida mereça ser mantida, seja por distração ou por vício, como diria Cioran. https://twitter.com/AnthonioDelbon