Crítica | Trilogia: O 5º Doutor Retorna ao E-Space (Big Finish Mensal #195 a 197)

Doctor Who The Fifth Doctor's Return to E-Space Trilogy (Big Finish Mensal #195 a 198)

estrelas 3

A trilogia do retorno do 5º Doutor ao E-Space (The Fifth Doctor’s Return to E-Space: Trilogy) foi publicada pela Big Finish entre janeiro e março de 2015, em três aventuras tendo Nyssa, Tegan e Turlough como companions. Os três episódios foram dirigidos por Ken Bentley e roteirizados por Andrew Smith (Mistfall), Matt Fitton (Equilibrium) e Jonathan Morris (The Entropy Plague). Cada aventura também contou com um compositor e produtor de som diferentes, respectivamente Nigel Fairs, Richard Fox e Lauren Yason e Andy Hardwick. As notas individuais para cada aventura são:

  • Mistfall (3/5)
  • Equilibrium (3/5)
  • The Entropy Plague (3,5/5)

mistfall doctor who

A trilogia é aberta por Mistfall (BF #195), história que coloca a TARDIS [re]encontrando um CVE (Charged Vacuum Emboitment) e se materializando no planeta Alzarius, a terra natal de Adric, localizada no E-Space. Talvez para quem não tenha assistido ao arco Full Circle (da era do 4º Doutor) ou não tenha uma noção mais ampla dos companions ou outros detalhes da era do 5º Doutor, essa história (ou toda a trilogia) acabe perdendo parte de sua força, já que é necessário um entendimento prévio de eventos canônicos em Doctor Who até esse time de companions.

A figuração macabra do planeta, a relação do Doutor e seus companheiros com os Alzarians e Hiragis e a construção de uma história que se baseia em vingança de nativos pelo que um grupo de “invasores do passado” fizeram ao seu povo e ao seu planeta acaba sendo uma crítica à colonização [das Américas, principalmente] elevada às últimas consequências, subtexto interessante e bem construído. O problema desta primeira parte da aventura está nos desvios narrativos de todo o meio da história, algo que infelizmente também observamos nos dois episódios seguintes. É como se o início e o cliffhanger fizessem total sentido dentro de um drama X, mas o desenvolvimento criasse distrações e caminhos alternativos desnecessários para a história. Para pessoas que, como eu, não são muito fãs dos áudios do 5º Doutor, a dificuldade em avançar com os episódios se torna ainda maior nesse caso.

A segunda parte da trilogia, Equilibrium (BF #196), se passa no gelado planeta Isenfel e dá toda a base necessária para o desfecho da saga, no episódio seguinte. Estruturalmente, o primeiro episódio da trilogia serve como “aventura de entrada” do Doutor e seus amigos no E-Space; esta segunda, como uma consequência piorada do final da aventura anterior; e a terceira, o desfecho inevitável para este pequeno Universo.

equilibrium_doctor who

O roteirista Matt Fitton criou em Equilibrium o equivalente em Doctor Who a Frozen: Uma Aventura Congelante, mas com aquela abordagem que mistura tecnologia e outros absurdos típicos dos enredos cortesões da série e que nos remete a uma saga que uma futura encarnação do Time Lord teria, em um planeta de conto de fadas na minissérie A Fairytale Life. Ocorre que os costumes de Isenfel não são exatamente elogiáveis por alguém que venha de fora e uma discussão moral/antropológica se estabelece a partir daí. O problema se resolve melhor do que a trama anterior e os desvios do miolo da obra são um pouquinho menores, mas ainda existem e ainda atrapalham.

Por fim, temos The Entropy Plague (BF #197), a melhor de todas as três histórias, a mais emocionante e a que mais importância tem para o cânone da série, porque traz o “destino final” de Nyssa, que depois de Terminus, depois de finalizar o seu trabalho na colônia de leprosos e seguir a vida em outro planeta, como professora; depois de dois filhos (Neeka e Adric Traken), volta a viajar com o Doutor e, nesta aventura, resolve fazer mais um sacrifício e ficar no planeta Apollyon, no E-Space, que a esta altura de sua existência está desmoronando, vítima da entropia (estamos no século 35 do E-Space).

É quase impossível ouvir esta história e não fazer relações diretas com o roteiro de Mark Gatiss em Sleep no More, que certamente deve ter bebido nesta fonte como um tipo de referência para a construção do vilão incomum. O homem de areia que temos aqui possui, inclusive, um princípio de “manufatura” bastante parecido com o de Sleep no More, embora o contexto seja diferente, mais urgente, mais apocalíptico. Nesta saga, o E-Space está em seus últimos dias e o grande desafio do Doutor e seus acompanhantes é encontrar um jeito de sair desse Universo. Não fosse o personagem do cientista maluco e dos piratas (esses, completamente deslocados), o resultado final seria muito, muito bom.

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Uma ponta de esperança se estabelece na carta final que Nyssa escreve para seus filhos e amigos nos últimos dias do E-Space; um Universo que, na verdade, possui um tempo de vida difícil de se medir fora dele. Este capítulo da vida da companion está aparentemente fechado, mas não tirado inteiramente de cena, o que significa que há um ponta ativa de histórias que podem, em um futuro próximo, ser aberta e colocar o Doutor de novo no E-Space, salvando Nyssa. Ao que tudo indica ela morreu, junto com o E-Space, mas isso não é oficializado, ficando nas mãos da Big Finish o possível (re)-retorno da companion.

The Fifth Doctor’s Return to E-Space é uma interessante trilogia, que mesmo não sendo inteiramente brilhante em sua execução, trouxe histórias cheias de ação e um conceito geral agradável, macabro e, apesar da morte anunciada, cheio de esperança, a marca principal de Doctor Who.

Doctor Who: The Fifth Doctor’s Return to E-Space Trilogy (Big Finish Mensal #195 a 197) – Reino Unido, janeiro a março de 2015
Direção: Ken Bentley
Roteiro: Andrew Smith, Matt Fitton, Jonathan Morris
Elenco: Peter Davison, Janet Fielding, Sarah Sutton, Mark Strickson, Jemma Redgrave, Nigel Carrington, Emily Woodward, Paul Panting, Matthew Carter, Annette Badland, Nickolas Grace, Joanna KirklandJohn Albasiny, Ella Kenion, Catherine Skinner, Robert Duncan, John Voce, Alastair Mackenzie
Duração: 120 min. (cada episódio)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.