Crítica | “True Colors” – Zedd

estrelas 4,5

Podemos dizer que a música eletrônica, hoje, vive seu melhor momento. Consolidada no cenário musical atual – principalmente as vertentes do house e do electropop –, ela caiu no gosto do público e se solidificou como um dos ritmos mais rentáveis, versáteis e onipresentes na música mundial. DJs como David Guetta, Calvin Harris e Avicii são alguns dos responsáveis pela popularização do electrohouse – e, consequentemente, da música eletrônica em si – tornando-a acessível às grandes massas. Isso fez com que, obviamente, eles se tornassem conhecidos mundialmente, fossem procurados pelos mais variados tipos de artistas para produção/colaboração e, é claro, fossem rotulados como música “descartável”, “de fácil consumo” e “comercial”. Polêmicas à parte, o que independe de opinião é o fato de que a música eletrônica nunca foi tão consumida e popular, ganhando inúmeros e gigantes festivais ao redor do globo e mostrando que o ritmo veio para ficar.

Zedd, o russo franzino de apenas 25 anos, vem mostrando que está na cena para fazer parte desse grupo de propagadores da música eletrônica. Depois de um excelente disco de estreia, Clarity – com o qual ganhou um Grammy de Melhor Gravação Dance pela faixa que leva o nome do álbum –, produções e colaborações com artistas como Justin Bieber, Lady Gaga, The Black Eyed Peas e Ariana Grande e diversas canções que fizeram parte das paradas mundiais, Anton Zaslavski nos traz seu segundo trabalho, True Colors.

Nesse novo álbum, Zedd assume uma postura mais mainstream do que em seu disco de estreia, indo a lugares que Clarity não foi, mas ao mesmo tempo mantendo sua identidade sonora, que sempre se preocupa em ter ótimos vocais atrelados aos drops, hooks e sintetizadores, assim como ao uso de instrumentos como piano. Escritor, produtor e multi-instrumentista, Zedd parece deixar claro, em cada canção, que mesmo se fazendo música “comercial”, pode-se (e deve-se!) fazê-la com qualidade.

A poderosa e explosiva Addicted to a Memory já abre True Colors mostrando do que Zedd é capaz, uma canção pensada e escrita para a grande massa, o público de um estádio ou um festival gigantesco. Addicted é aquelas músicas que transformam qualquer festa em espetáculo, levando o ouvinte e apreciador do house progressivo ao delírio, com seus drops certeiros e sintetizadores nervosos. I Want You To Know, com os vocais da cantora Selena Gomez, é um típico house para a pista, que não inova, mas em momento algum decepciona ou desgrudará do ouvido. Essa música, single carro-chefe do álbum, é mais uma prova de que, mesmo trabalhando com alguém tão pop quanto Selena, Zedd se preocupa em utilizar apenas vozes que casem perfeitamente com o estilo de música que faz. Todas as canções tem vocais extremamente apropriados, principalmente (além das já citadas), as hipnóticas Transmission (que conta com vocais e rap de Logic), Straight Into the Fire (voz de Julia Michaels) e Papercut (com Troye Sivan).

Transmission é uma força a ser reconhecida. Impressionante do início ao fim, sua batida flerta com o dubstep enquanto Logic entoa um poderoso “You’re never too young to die (Você nunca é jovem demais para morrer)” junto a um drop de tirar o fôlego. Papercut mistura piano, house e vocais num casamento perfeito e é, sem dúvida, um dos melhores e mais inspirados momentos de True Colors.

Com esse segundo trabalho, tão bom quanto o de estreia, Zedd apenas nos confirma o que já imaginávamos: se, com Clarity, ele era um artista a se observar, com True Colors ele certifica que não é só a música eletrônica que veio para ficar… ele também. O DJ russo se consolida como um dos grandes nomes do house atual, e mostra que sabe, como ninguém, manter o equilíbrio perfeito entre a música eletrônica e o pop.

Aumenta! Addicted to a Memory
Diminui! Daisy
Minha canção favorita do álbum: Papercut

True Colors
Artista: Zedd
País: Estados Unidos
Lançamento: 15 de maio de 2015
Gravadora: Interscope
Estilo: EDM, House, Electrohouse, House progressivo, Electropop

ANDRÉ DE OLIVEIRA . . . . Estudante de Letras e aspirante a jornalista. Ainda se impressiona com o fato de curtir, na mesma intensidade, do cult ao pop; do clássico ao contemporâneo; do canônico ao best-seller. Usa camisa do Arctic Monkeys — sua banda favorita —, mas nada impede que esteja tocando Nicki Minaj no fone de ouvido. Termina de ler Harry Potter e começa um Dostoévski. Assiste Psicose e depois dá play em Transformers. Não tente entender. @andreoliveeira