Crítica | Tubarão 2

estrelas 2

Obs: Leia as críticas de todos os filmes da franquia, aqui.

Após o estrondoso sucesso de bilheteria do primeiro filme, a sequência do clássico dirigido por Steven Spielberg em 1975 era inevitável. Hoje uma referência no que tange aos aspectos da montagem e da trilha sonora, Tubarão demarcou uma nova fase para o cinema hollywoodiano, além de abrir as portas para um novo subgênero no cinema: os “filmes de tubarões”, narrativas inspiradas no desenvolvimento narrativo da obra-prima adaptada do ágil romance de Peter Benchley.

A continuação, entretanto, não é tão digna quanto o seu predecessor. O filme foi enorme sucesso de bilheteria, mas um fracasso absoluto no campo da linguagem. Brigas de bastidores, birras entre produtores, atores e demais envolvidos na equipe técnica e a tamanha falta de habilidade do cineasta Jeannot Szwarc, oriundo de trabalhos televisivos nos anos 1960, fizeram de Tubarão 2 um grande equívoco, não sendo pior apenas que as sequências 3 e 4 da franquia, aberrações extremas do cinema dos anos 1980.

Roy Scheider retorna como o chefe de polícia Martin Brody. Obrigado por contrato com a Universal, o ator interpreta o profissional afastado do seu cargo, tendo como preocupação principal cuidar dos filhos e protege-los dos perigos ofertados pelas caudalosas praias de Amity. Infelizmente uma baleia aparece morta na praia, abocanhada por um animal de grande porte e força. Dois mergulhadores somem e a suspeita de um novo tubarão branco deixa tudo muito tenso na vida de Brody, aturdido diante da possibilidade de ter que adentrar mais uma vez no mar para resolver os conflitos que novamente se estabelecem.

Ao passo que Brody tenta resolver os problemas, os capitalistas da sua cidade estão cegos com as possibilidades financeiras diante do aquecimento da economia local, graças ao desenvolvimento imobiliário do espaço. É neste ponto que os conflitos ganham a projeção e faz a narrativa caminhar, mesmo que mal das pernas. E por falar em conflitos, há que se considerar que as funções dramatúrgicas dos personagens, bem como os conflitos do roteiro são pueris e desenvolvidos sem nenhuma cautela. Culpa do roteiro de Carl Gotliebe e Howard Sackler. Os diálogos funcionam mal, as cenas de ação são pouco empolgantes, a trilha magnética de John Willians é subaproveitada e a ausência de Spielberg é sentida por todos aqueles dotados de bom senso. À propósito, ao falar de bom senso, vale a pena lembrar do cineasta, pois o seu envolvimento em Contatos Imediatos do Terceiro Grau, juntamente com Richard Dreyfuss o fez escapar do estresse envolvendo esta sequência problemática.

Seguindo a cartilha do terror dos anos 1970, Tubarão 2 possui os jovens teimosos que insistem em velejar quando o mais coerente seria sair urgentemente da água. Há os hormônios em ebulição e as relações sexuais eminentes entre jovens ansiosos por descarregar as suas energias, incluindo nesta seara um dos filhos de Brody, agora quase adulto, louco para dar a largada a sua iniciação sexual. Garotas gritando, sangue esparramado e ataques ferozes, mas pouco impactantes, são os elementos narrativos desta sequência pouco dinâmica, sem brilho e aparentemente desnorteada.

Com 116 minutos de duração, Tubarão 2 deu abertura aos filmes subsequentes. Mar Aberto, Do Fundo do Mar, Terror na Água, etc. A lista é extensa e poucos são atrativos. Apesar de ser um subgênero bastante desgastado, haja vista absurdos como Tubarão Fantasma, Sharknado, dentre outras pérolas do cinema trash, os filmes envolvendo estas criaturas sanguinárias ainda rendem narrativas interessantes, tais como Águas Rasas e In The Deep, narrativas ainda inéditas no Brasil, mas que fizeram relativo sucesso comercial e crítico.

Tubarão 2 – (Jaws 2) – EUA, 1978.
Direção: Jeannot Szwarc.
Roteiro: Carl Gottlieb e Howard Sackler.
Elenco: Roy Scheider, Lorraine Gary, Murray Hamilton, Joseph Mascolo, Martha Swatek, Collin Wilcox, Mark Gruner, Barry Coe.
Duração: 116 min.

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.