Crítica | Tubarão Vermelho

Os cineastas italianos podem se vangloriar pelo estabelecimento das bases dos filmes de psicopatas mascarados e/ou misteriosos, algozes geralmente interessados em matar mulheres com brutalidade e muito grafismo em cena. Do giallo nós tivemos o estabelecimento do slasher. No entanto, na seara dos filmes de tubarões, os estadunidenses estão em vantagem. Tubarão Vermelho, dirigido por Lamberto Bava, lançado em 1984, não estabeleceu nada além da vergonha alheia por parte de seus realizadores, numa trama oportunista sobre um híbrido de tubarão e polvo, responsável pelo de sempre: dizimar a vida de uma série de banhistas incautos de alguma região turística e litorânea ao redor do planeta.

Filho do “maestro do macabro” Mario Bava, “Lamberto” produziu seu primeiro filme longa-metragem nos anos 1960, o indigesto Macabre, uma trama sobre traição, amor e paixão numa perspectiva sanguinolenta. Tal como o pai, o realizador cresceu no meio artístico daquela época, envolvido em produções repletas de fantasia, horror e bastante violência. Colaborador de Dario Argento e outros nomes da cena italiana, “Lamberto” também quis entregar a sua versão marinha envolvendo um monstro assassino.

Com argumento de Luigi Cozzi e Sergio Martino, o filme de 96 minutos situa-se no litoral da Flórida, num local repleto de turistas que curtem a alta estação de férias, necessitados de cuidado redobrado por conta de um misterioso ser, produto de uma experiência militar ultrassecreta. O projeto inicial era uma arma bélica manipulada geneticamente, tendo em sua constituição um polvo e o tubarão pré-histórico.

O leitor provavelmente já sabe o que acontecerá, mas acredito que seja interessante traçar os pormenores: a criatura vai escapar do laboratório, alimentar-se de nadadores e turistas, situação que culminará na missão da dupla formada pelo pesquisador Pete (Michael Sapkiw) e Dra. Stella Dikens (Valentine Monnier), ambos constantemente desafiados pela população incoerente, pelo monstro escorregadio e para piorar, os militares que não concordam com a eliminação da criatura, um ser criado em laboratório caro demais para ser eliminado.

Tubarão Vermelho é um filme que se esforça, mas não há jeito: tudo é muito tosco demais. Culpa do roteiro insano de Dardono Sachhetti e Gianfranco Clerici, o primeiro, responsável por tramas macabras mais interessantes, como por exemplo, o giallo Banho de Sangue, e o segundo, um colaborador frequente dos mestres do horror italiano Lucio Fulci e Rugerro Deodato. Os conflitos do roteiro são mais rasos que as águas que fazem parte do desfecho do filme, quase à beira da praia. O monstro não convence, fruto de um diretor com orçamento limitado e alçado ao cargo de operador de milagres.

E tenha medo, muito medo: ele ainda é uma versão bebê do projeto. A tendência é o seu aumento exponencial, ao passo que se alimenta. Seria uma releitura da bolha assassina? Provavelmente um paralelo. Para contar a história, Lamberto Bava conta com a música de Fábio Frizzi e Guildo de Angelis, com a edição de Roberto Sterlini e com a boa vontade do espectador, pois nada se salva nesta produção que ultrapassa qualquer limite, uma espécie de antecipador das ideias ordinárias da franquia Sharknado.

Tubarão Vermelho (Monster Shark: Rosso Nell’oceano) — Itália, 1986.
Direção: Lamberto Bava
Roteiro: Gianfranco Clerici, Dardono Sachhetti
Elenco: Michael Sapkiw, Valentine Monnier, Cinzia Di Ponti, Dino Conti, Gianni Garko, Iris Peynado, Dagmar Lassander, Paul Branco, Valentine Monnier
Duração: 90 min

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.