Crítica | Tudo por um Furo

estrelas 4

Dez anos se passaram desde a estreia de O Âncora e seu não tão grande sucesso de bilheteria. Foi durante esse período, contudo,que uma base de fãs do filme foi lentamente se formando, garantindo popularidade ao personagem criado por Will Ferrel e Adam Mckay. Não havia planos de realizar uma sequência, pois a equipe não acreditava que haveria um porquê disso ocorrer. Porém, graças a diversos pedidos em entrevistas, Anchorman 2: The Legend Continues se tornou realidade, chegando ao Brasil com o título de Tudo por um Furo, por motivos de marketing, tendo em vista a fraca recepção do primeiro.

O grande problema que assola a maior parte das continuações, em especial comédias, é a reciclagem do material de origem. O que geralmente vemos é o mesmo filme se passando em uma diferente época ou localidade. Nesse aspecto, o grande espaçamento entre o primeiro filme e este contribuíram enormemente para Tudo por um Furo, pois facilmente enxergamos que este é um longa-metragem que não simplesmente cópia seu antecessor, mas que elabora uma nova sátira e introduz diferentes piadas.

Se O Âncora falava sobre a entrada da mulher nos cargos mais importantes no mercado de trabalho (ao mesmo tempo que satirizava o machismo e o próprio jornalismo), sua continuação faz uma crítica bem humorada à decadência das reportagens. “As notícias eram sérias até eles chegarem.” Tal slogan não poderia resumir de forma melhor a alma de Tudo por um Furo. Afinal de contas, hoje é fácil vermos grandes noticiários trocando suas reportagens do que as pessoas precisam ver para o que elas querem ver (nas palavras do próprio Ron Burgundy). Em suma, entrevistas com líderes de Estado são substituídas por reles perseguições de carro e outros furos mais sensacionalistas.

Nesse aspecto, a continuação acaba não se encaixando perfeitamente com o original, já que, no primeiro filme, vemos Burgundy reportar sobre um esquilo patinando e o acompanhamento da gravidez de um Panda. Tal fato pode ser perdoado ao ponto de ser harmônico, se lembrarmos que, no original, o âncora trabalhava em um jornal local, pequeno, enquanto que neste ele está na equivalente fictícia da CNN (no filme, GNN). São nestas comparações com a realidade que o longa se destaca, trazendo humor à criação de diversos aspectos dos noticiários contemporâneos.

É claro que Ron Burgundy não poderia estar sozinho nessa segunda parte de sua lenda – juntamente dele vemos sua antiga equipe, formada por Brick Tamland (Steve Carell), Brian Fantana (Paul Rudd) e Champ Kind (David Koechner). A relação entre os personagens está melhor do que nunca e diversas piadas são trabalhadas em cima das diferenças entre eles. Um grande ponto positivo do filme é, também, o aumento do tempo de tela da equipe como um todo já que a continuação não é mais focada na relação entre Burgundy e sua esposa Veronica Corningstone. Ao longo da projeção, contudo, alguns personagens acabam perdendo a força e, novamente, cabe ao personagem de Will Ferrel levar o filme.

Aproveitando a versatilidade de seu elenco, Tudo por um Furo não teme em inovar em sua comédia. Embora vejamos elementos semelhantes do primeiro filme (como a queda e ascensão do âncora), a continuação consegue entreter do início ao fim, trilhando caminhos que aprofundam o tom forçadamente dramático e épico do primeiro filme. Definitivamente, é uma continuação que está no mesmo nível da obra original, nos entregando mais do tipo de humor fortemente inspirado nos tempos de Saturday Night Live de Will Ferrel. Fãs do primeiro sem dúvida não se decepcionarão com esta continuação.

Tudo por um Furo (Anchorman 2: The Legend Continues, EUA – 2013)
Direção: Adam McKay
Roteiro: Will Ferrell, Adam McKay
Elenco: Will Ferrell, Christina Applegate, Steve Carell, Paul Rudd, David Koechner, Vince Vaughn, Dylan Baker, Meagan Good, James Marsden, Harrison Ford, Bill Kurtis
Duração: 119 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.