Crítica | Turma da Mônica – Lições

estrelas 4,5

A dor e a felicidade de crescer. Acredito que estes tenham sido os principais pensamentos na mente de qualquer pessoa que tenha lido Lições, o oitavo título da Graphic MSP, que traz novamente os irmãos Vitor e Lu Cafaggi no leme de uma história da Turma da Mônica, escolha mais que justa após o trabalho glorioso que esses mineiros fizeram em Laços (2013).

Partindo dos ganhos conquistados com a aventura anterior, ou seja, da forte amizade e experiências vividas por Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali, o roteiro de Lições nos leva para um ponto além, para um lugar que poderíamos chamar de [princípio de] maturidade dos personagens, onde cada um se depara com coisas novas e precisam, sozinhos, enfrentar questões que lhes incomodam, envergonham, amedrontam. Embora haja similaridades (não apenas gramatical!) entre LaçosLições, fica claro para o leitor que são crônicas contrastantes da vida da Turma. E é aí que as coisas começam ficar ainda melhores.

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Olha os olhinhos dessas criaturas. Sério. Olha isso.

As preocupações básicas dos criadores aqui foram: apresentar algo NOVO, não bater na mesma tecla e não perder a ternura e a qualidade do volume anterior. A difícil tarefa foi executada colocando a Turma no 1º ano do Ensino Fundamental, núcleo narrativo que dá origem ao principal problema da edição. É muito curioso que o texto dos Cafaggi consiga equilibrar já nas primeiras páginas, pequenos blocos narrativos que precisam se resolver de forma compassada, outros que servem de ponte para algo maior e por isso nos são apresentados rapidamente e ainda os que se desenvolvem aos poucos, como o próprio motivo do volume, que vemos pela primeira vez de forma sutil no 4º quadro da história, ainda na primeira página, quando Cebolina fala ao telefone com Cascão sobre mais um plano infalível, agora utilizando psicologia reversa.

Embora eu tenha sentido uma pontinha de descontentamento pela forma como a dupla concluiu a história (que continua nos extras, com cinco pequenos esquetes que mostram como foi o sábado da Turma após o castigo), posso afirmar nada no roteiro de Lições está fora do lugar ou posto em excesso ou falta. Minha relação com o final passa por uma opinião de que ou os irmãos deveriam deixar o final aberto mesmo ou explorar de verdade a continuação — com desenhos da Lu, de preferência — em quadros “oficiais”, não nos extras, talvez criando um ciclo que nos remeteria a Laços. Claro que é apenas um “porém” para um pequeno ponto da obra, mas ele teve certo peso para mim, embora não tenha mudado em nada a minha opinião sobre a trama como um todo, que é simplesmente excelente.

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Infância.

Opondo-se à predominância noturna de Laços, Lições é um álbum mais diurno, embora com pouca presença de cores quentes ou forte contraste, mais um acerto da dupla de criadores e da co-colorista Paula Markiewicz ao combinarem o padrão visual da aventura com o clima triste do texto, que não é minimizado ao longo da narrativa, uma clara vitória da dupla contra os clichês. Sem concessões para o “fofuchismo pelo fofuchismo”, os autores apresentaram, desenvolveram e mantiveram tudo o que trouxe tristeza para a Turma, fazendo valer o título da história sem pender para o Deus ex machina da alegria a qualquer custo ou para o Hades do fatalismo.

De uma lição de casa não feita — por um medo que me fez rir por muito tempo — até preciosas lições de vida e reafirmação da forte amizade entre os protagonistas, Lições é mais um grande lançamento da Graphic MSP. O álbum possui uma trama densa mas não perde o toque infantil dos personagens; insere nessa nova fase figurinhas como Dudu, Quinzinho, Mingau, Tonhão, Ursinho Bilu, Capitão Pitoco e as meninas do bairro das Pitangueiras, Penha, Agnes e Sofia e ainda apresenta uma diagramação de página mais ousada dos autores, com uma excelente página dupla que dá vontade de imprimir e pendurar na parede.

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Cebolinha é O CARA.

Escrever uma história sobre crianças para uma grande editora e dentro de um grande projeto é um desafio tremendo. E trabalhar o crescimento dessas crianças com temas como bullying, moral, relações familiares e fraternas, relação escola-família e conflito de gerações torna o desafio ainda maior. Mas isso parece não ter sido um empecilho para os irmãos Cafaggi criarem mais uma obra inesquecível, mostrando as frustrações e alegrias da vida de um grupo de personagens tão queridos dos brasileiros, uma abordagem de gente grande que encontra em cada um de nós, que já fizemos essa travessia, um elemento nostálgico e de identificação; e em outro extremo, dialogando com precisão com as crianças que ainda estão nessa estrada. Uma lição de vida mesmo.

Viver – não é? – é muito perigoso. Porque ainda não se sabe. Porque aprender a viver é que é o viver, mesmo.

Guimarães Rosa

Turma da Mônica – Lições – Brasil, 2015
Roteiro: Vitor Cafaggi e Lu Cafaggi
Arte: Vitor Cafaggi e Lu Cafaggi
Cores: Vitor Cafaggi, Lu Cafaggi e Paula Markiewicz
Editora: Panini Comics, Graphic MSP, Mauricio de Souza Editora
Páginas: 82

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.