Crítica | Twin Peaks – The Return: Part 11

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estrelas 4
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Ao mesmo tempo que nos angustia ver a série já em seu episódio 11 mantendo o lento ritmo de desenvolvimento das cosias — o que novamente traz à tona a preocupação e pré-aviso de que será um enorme erro de estrutura narrativa para toda a temporada se os muitos casos em andamento neste The Return forem encerrados às pressas, na dupla de capítulos finais –, é bem difícil para um espectador e fã do show não se sentir atraído pelas piscadelas em relação aos mistérios e pelas ligações entre personagens que, aos poucos, são reveladas.

O que percebemos, mesmo considerando o capítulo mais fraco do retorno até agora (Parte 10), é que após o estabelecimento de locais e intenções gerais dos personagens, passamos a ver indícios de ligação entre eles. Notem que a partir da Parte 7 os roteiros de Lynch e Frost não mais lançaram mão de reais introduções, antes, investiram de maneiras diferentes no retorno ou demonstração de “novas intenções” daqueles que já conhecíamos, tanto do lado místico do espelho, tal qual na Parte 8, quanto do lado comum na vida desses personagens, como vemos no presente episódio.

O maior problema dentre os blocos em andamento é certamente Cooper permanecer em estado catatônico. Ele já tomou café, já transou, já se encantou com um distintivo, já comeu torta de cereja… e nada. Um dos leitores aqui do PC apontou nos comentários da Parte 9 que talvez Cooper só acorde no final da temporada e o que eu disse a ele, deixo registrado oficialmente nesta crítica: esta possibilidade não me agrada. Independente de haver uma 4ª Temporada ou não (o que acho difícil, mas seria interessante), encostar Cooper por um serial inteiro não é, em nenhum aspecto dramático ou de construção de personagem, uma opção boa, aceitável ou digerível e eu peço às “Corujas que não são o que parecem” que isto não aconteça.

Por um momento até cogitei que Dougie não fosse o Good Cooper, mas, a esta altura do campeonato, já deveria ter aparecido “o verdadeiro”, se existisse outro, não é mesmo? Também não seria nada interessante passar um ano inteiro da série dando destaque a um falso Cooper em contraponto ao maligno Sr. C, que mesmo não tendo aparecido aqui, suas pegadas podem ser vistas em todo lugar — dele, ou de BOB — , formando um dos núcleos mais interessantes da série até o momento, a investigação de Albert, Gordon e Diane.

O encontro do corpo de Ruth e elementos misteriosos dos episódios passados se juntam aqui para mostrar mais uma tragédia, linha textual fortemente delineada pela competente direção de David Lynch, que não nos deixa tirar os olhos da tela por um momento. Independente do resultado final da temporada, a única coisa da qual não poderemos falar mal é da direção, que flui suavemente de bloco para bloco, mostrando com a devida elegância cada personagem e ingredientes necessários para nos manter interessados na narrativa.

O mapa que Hawk mostra para o Xerife Truman abre a possibilidade da busca se iniciar a seguir e é bom que isto venha em mais um episódio com ligações diversas, como o que tivemos nesta Parte 11, talvez até com mais vigor por parte da montagem, o que ajudaria bastante. Particularmente ainda acho que o ritmo das descobertas e sugestões do roteiro estão lentas, em vista da quantidade de episódios que ainda temos, mas não é um caso perdido, claro. É apenas um dilema de percepção.

Por outro lado, este dilema não conseguiu nos afastar do que os produtores prepararam para este capítulo. Cenas como a revelação de que Becky é filha de Shelly e Bobby (Mädchen Amick e Dana Ashbrook estão nada menos que gloriosos nesta sequência), o encadeamento da investigação que abriu a temporada ou mesmo a estranha e muito bem fotografada e musicalizada sequência no restaurante, com os Mitchum celebrando com Dougie o cheque milionário, nos fazem sorrir e apreciar o programa, colocando as preocupações de lado. Eis aí o benefício de se ver uma série nada fácil como esta, porém, guiada por um excelente diretor. Sempre haverá algo bom para se desfrutar.

Twin Peaks – The Return (3ª Temporada): Part 11 (EUA, 23 de julho de 2017)
Direção: David Lynch
Roteiro: Mark Frost, David Lynch
Elenco: Kyle MacLachlan, Mädchen Amick, Dana Ashbrook, Chrysta Bell, James Belushi, Brent Briscoe, Catherine E. Coulson, Giselle DaMier, Laura Dern, Josh Fadem, Miguel Ferrer, Robert Forster, Travis Frost, Balthazar Getty, James Grixoni, Michael Horse, Caleb Landry Jones, Robert Knepper, Jay Larson, Andréa Leal, Matthew Lillard, Peggy Lipton, Linas Phillips, Kimmy Robertson, Amanda Seyfried, Amy Shiels, Harry Dean Stanton
Duração: 57 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.