Crítica | Ultimate Homem-Aranha (Miles Moraes): Divididos Lutaremos

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estrelas 2,5

– Leiam, aqui, as críticas dos arcos anteriores de Ultimate Homem-Aranha (Miles Morales).

Acontecerá um evento que abalará para sempre o universo Marvel! Essa frase não engana mais nenhum fã de quadrinhos, quantas vezes a casa das idéias e sua maior concorrente azulada enganaram seu público dizendo “o que é nunca mais será” ? Muitas, com certeza. Mas a pior coisa que esses eventos trazem e quando digo isso aponto para a Marvel, são os arcos derivados, ou tie-ins.

Fica impossível de contar quantos deles são lançados, alguns são feitos exclusivamente para um evento, como Guerra-Civil II e Guerras Secretas, e outros são incorporados nos arcos mensais dos personagens da editora. No ano de 2012 acompanhávamos o evento Divididos Lutaremos – coisas malucas como o Capitão America ser eleito presidente dos EUA estavam acontecendo e no meio de toda essa confusão víamos o jovem, de vida e de histórias de heroísmo, Miles Morales.

Esse terceiro arco vinha de uma ótima retomada, com Brian Michael Bendis conseguindo colocar a história de Miles nos trilhos, desenvolvendo uma narrativa nova, explorando personagens secundários, fazendo com que o protagonista se desenvolvesse e caminhasse em sua jornada do herói. O maior problema do roteirista para com o menino é quando ele tenta replicar a personalidade de seu antecessor. Peter tinha a fama de brincar durante as lutas, e isso tinha um motivo, ele sempre disse que fazia isso para aliviar tanto a si mesmo, quanto as pessoas que estavam à sua volta. Mas por que Miles também faz isso? O novo Homem-Aranha não pode se apoiar naquilo que Parker era, as piadas são engraçadas e bem escritas por Bendis, mas não fazem parte da personalidade de Morales.

Depois da morte de seu tio, seria natural tecer uma narrativa que desenvolvesse esse trágico fato, o público queria ver como Miles e sua família reagiriam a isso; será que o menino pensaria em não vestir mais o manto aranha? Como seu pai reagiria ao saber que um herói é o principal suspeito de ter matado seu irmão? Eram essas, e mais algumas perguntas, que os fãs gostariam de ter visto sendo respondidas, porém algo entrou no caminho desse arco e esse algo foi Divididos Lutaremos.

Bendis ainda consegue desenvolver um pouco da sua narrativa, tendo de inserir momentos que brecam aquilo que está acontecendo no universo Marvel e miram nos dilemas da família Morales. Colocar o menino em um grande evento não seria ruim se o tal não fosse sem significado. O leitor sabe tudo o que aconteceu naquela grande batalha entre a S.H.I.E.L.D e a Hydra, e sequer será mencionado nas futuras edições.

A arte desta vez ficou para David Marquez (#13, #14, #15, #17, #18) e Pepe Larraz que volta para a edição #16. Ambos são muito competentes no seu trabalho, mas não podemos deixar de comentar que todo esse jogo das cadeiras com os desenhistas, cansa o leitor. Entende-se que a demanda é muito grande, e que apenas um desenhista não daria conta de todo o trabalho que uma mensal dá. Porém cabe aos editores da Marvel administrar bem duas equipes criativas, para que o título do Homem-Aranha não se torne um Frankenstein.

Já disse inúmeras vezes o que vou escrever aqui nesses dois últimos parágrafos. Marvel você tem ótimos personagens, tanto velhos como novos, você escolhe ótimos roteiristas para trabalhar em seus títulos, vide o próprio Brian Michael Bendis, que faz parte de um seleto grupo de escritores de quadrinhos que conseguem fazer histórias para o público contemporâneo. Por que continuar com esses eventos que brecam os arcos que já estão em desenvolvimento?

Miles Morales é um excelente personagem, capaz de substituir Peter não só em seus poderes, mas também em seu carisma. Parker teve a sorte de ser criado em um momento na história dos quadrinhos que não se via grandes eventos em toda a esquina, aposto que isso fez com que Ditko e Lee trabalhassem melhor o personagem. Marvel, deixe que seus personagens e criadores façam seu trabalho sem ser interrompidos.

Ultimate Homem-Aranha (Miles Moraes): Divididos Lutaremos — EUA, 2012
Contendo: Ultimate Comics Spider-Man Vol 2 #13 a 18
Roteiro: Brian Michael Bendis
Arte: Sara Pichelli, David Marquez
Cores: Justin Ponsor
Letras: VC’s Cory Petit
Editora original: Marvel Comics
Datas originais de publicação: 2012
Editora no Brasil: Panini Comics
Páginas: 184 Páginas

PEDRO CUNHA . . . Com corpo e alma de Hobbit, sou um eterno Padawan e aprendiz. Amigo dos ursos, dos elfos e das águias. Nativo de Krypton e apreciador da sétima, nona e de TODAS as artes. Quando tentado sempre rebato; "sou um Jedi, como meu pai antes de mim".