Crítica | Ultron – Anos 70 (Vingadores #127, 161, 162, 170 e 171 e Quarteto Fantástico #150)

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Criado por Henry “Hank” Pym e com uma história contada de forma não linear nos quadrinhos, Ultron apareceu pela primeira vez na Avengers Vol.1 #54, publicada nos Estados Unidos em julho de 1968. A presente crítica traz os três arcos em que o robô apareceu durante a década de 1970. A nota atribuída é a média das edições criticadas. Leia sobre Ultron na década de 60, aqui.

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Os Vingadores, Vol. 1 – #127
e
Quarteto Fantástico, Vol. 1 – #150

estrelas 3

Depois dos dois arcos sessentistas, um com a primeira aparição de Ultron e outro com a primeira aparição do “filho” de Ultron, o sintozóide Visão, o vilão só voltaria a atazanar a vida dos Vingadores e outros heróis em 1974, em um mini-arco crossover entre a revista dos Vingadores e a do Quarteto Fantástico, que se passa durante os preparativos do casamento de Mercúrio com Crystal, uma inumana, na cidade de Attilan, culminando com a cerimônia em si.

Assim como no arco original, a revelação de que é Ultron (Ultron-7) por trás do plano é um mistério revelado somente na última página de Os Vingadores #127. Até lá, vemos apenas uma sombra, aprendemos que essa sombra trabalho com Maximus, o irmão louco do Raio Negro e descobrimos que os Alfa Primitivos (Inumanos historicamente considerados inferiores pelos Inumanos de castas mais altas, mas que foram reintegrados e aceitos por Raio Negro) estão começando a se rebelar novamente. Vemos heróis sendo controlados mentalmente para cometer atos que fogem à sua natureza e o gigante humanoide criado por Maximus para ajudar os Alfa Primitivos em sua rebelião original subitamente ganha vida.

mosaico ultron 1

São muitos eventos que, por incrível que pareça, graças ao roteiro bem cadenciado de Steve Englehart, acabam funcionando. Há muitos heróis para serem trabalhados – os Vingadores (com a formação Thor, Homem de Ferro, Visão, Feiticeira Escarlate, Espadachim e Mantis), os Inumanos e o Quarteto Fantástico, além de Mercúrio – e todos ganham, na medida do possível, algum destaque. Há inconsistências, claro, como a demora para a trama começar, pois vemos Górgon e Dentinho convidando os Vingadores para o casamento ao longo das desnecessariamente longas três páginas iniciais. Mas, em linhas gerais, a narrativa flui, também ajudad pela arte de Sal Buscema e Joe Staton que evita splash pages (tecnicamente, há apenas uma) e privilegia uma maior quantidade de quadros por página, para permitir que a história seja contada sem que o leitor se perca muito.

O encerramento da trama só acontece em Quarteto Fantástico #150, em apenas 10 páginas escritas por Gerry Conway, o que desaponta e lida com Ultron como se fosse um vilão de segunda categoria. Afinal, seu plano maquiavélico é estragado pela interferência completamente deus ex machina de Franklin Richards, filho de Reed e Sue, que convenientemente acorda do coma em que se encontrava há algum tempo. O restante do número lida, única e exclusivamente, com o casamento de Mercúrio com Crystal e, apesar de simpático é, em última análise, um desperdício de papel, pois nada acrescenta à história.

The Avengers #127 (EUA, setembro de 1974)
Roteiro: Steve Englehart
Arte: Sal Buscema, Joe Staton
Cores: Steve Englehart
Letras: Tom Orzechowski
Páginas: 24

Fantastic Four #150 (EUA, setembro de 1974)
Roteiro: Gerry Conway
Arte: Rich Buckler
Arte final: Joe Sinnott
Cores: L. Lessmann
Letras:  J. Constanza
Páginas: 24

Os Vingadores, Vol. 1 – #161 e 162

estrelas 4

Ultron, em seu modelo Ultron-8, volta três anos depois, em 1977, para tentar mais uma vez acabar com os Vingadores. Apesar de o roteiro usar a mesma estratégia de sempre – só revelar a presença do robô ao final e trabalhar controle mental – há traços de brilhantismo no roteiro de Jim Shooter, que merecia ser até expandido em mais do que apenas dois números.

O começo é confessadamente estranho, com o Homem-Formiga, desmemoriado, atacando seus colegas Vingadores (Homem de Ferro, Capitão América, Visão, Feiticeira Escarlate, Pantera Negra, Fera e Magnum, este último com um horrendo uniforme reformulado). O estranho fica por conta do fato que o diminuto herói literalmente quase consegue derrotar seus amigos simplesmente com o uso de um enxame de formigas comuns. Mas, se esquecermos esse “detalhe”, a trama fica interessante com a chegada da Vespa que relata os desequilíbrios mentais de seu marido e os eventos que culminaram no ataque. Mas é lógico que ela não sabe do verdadeiro motivo da insanidade de Pym e os heróis ficam às cegas até que, finalmente, Ultron entra em cena, revelando que foi reconstruído depois dos eventos de Quarteto Fantástico #150 por “peões escravizados mentalmente providenciados de antemão”, como em um plano de contingência.

mosaico ultron 2

Em princípio, porém, o que parece um simples ataque que leva à morte de três Vingadores (que, claro, não morrem), na verdade tem camadas muito mais sinistras. Ultron quer criar uma “noiva” e, para isso, planeja transportar a mente da Vespa para dentro de um corpo robótico que construíra. Para isso, porém, ele precisa da ajuda de seu “pai”, Hank Pym, que, ainda controlado, faz de tudo para levar o plano a cabo. As implicações edipianas e as referências à Frankenstein são constantes e muito bem inseridas no texto, ainda que Jim Shooter peque por ser didático demais, com o Pantera Negra contando-nos sobre a tragédia de Édipo para que os leitores possam fazer a conexão mais facilmente.

Esse roteiro acima da média casa muito bem com a sempre sensacional e detalhada arte de George Pérez, que sabe como ninguém lidar com um grande número de heróis em uma mesma página, distribuindo-os de maneira clara e funcional. Sua utilização dos quadros também merece destaque, especialmente nas sequências em que vemos a mente da Vespa ser absorvida pela criação de Ultron (que, depois, seria batizada de Jocasta, por razões mais do que óbvias).

E, para variar, Ultron não acaba destruído nesse arco, que só teria continuação direta no ano seguinte.

The Avengers #161 e 162 (EUA, abril e maio de 1977)
Roteiro: Jim Shooter
Arte: George Pérez
Arte final: Pablo Marcos
Cores: Jim Shooter, Don Warfield
Letras: Denise Wohl
Páginas: 24 cada

Os Vingadores, Vol. 1 – #170 e 171

estrelas 2,5

Tecnicamente, esse mini-arco está inserido dentro da gigantesca Saga de Korvac, que começa em Vingadores #167 e acaba em Vingadores #181 e envolve os Guardiões da Galáxia (se quiser saber mais sobre a saga, clique aqui). No entanto, esses dois números específicos, comentados aqui, apesar de fazerem referência à saga, são, em essência, continuação direta do mini-arco anterior em que Ultron cria Jocasta para ser sua “noiva”.

No entanto, diferente do trabalho anterior, Jim Shooter não estava inspirado e fez um trabalho burocrático, sem nenhuma imaginação.

Como vimos ao final de Vingadores #162, Jocasta não foi ativada. No entanto, descobrimos logo no início do arco que Hank Pym (sempre ele!) havia ficado com o corpo robótico inerte para fazer pesquisas, mas, como a Vespa não suporta mais vê-la em sua casa, eles decidem transferir Jocasta para a mansão dos Vingadores. Logicamente, o robô desperta, aparentemente seguindo comandos de seu “amado”. O que se segue é um embate rápido entre elas e os Vingadores (Capitão América, Jaqueta Amarela, Vespa, Fera, Magnum e Feiticeira Escarlate) e uma perseguição pelas ruas de Nova York que mais parece sair diretamente de um filme de Mack Sennett e seus Keystone Kops de tão ridícula que é. No meio do caminho, Carol Danvers, a Ms. Marvel, se junta ao desastrado grupo.

mosaico ultron 3

Ultron só aparece mesmo no segundo número (novamente a velha técnica do mistério antes da revelação do robozão) escondido em um convento (!!!) repleto de armadilhas para os Vingadores. O que raios Ultron faz em um convento? Para que as armadilhas? Porque ele tem freiras robóticas? Essas são só algumas perguntas que pulam na cabeça do leitor incrédulo, que percebe que Shooter deve ter deixado o sucesso subir à sua cabeça. Mas as perguntas continuam, especialmente quando Hank Pym revela que todos os Vingadores, agora, foram vacinados contra o “encéfalo-raio” de Ultron. Além disso, fica claro que o grande inimigo dos Vingadores deveria parar de construir “filhotes”, pois todos eles se rebelam contra o criador.

Com um plano atabalhoado desses, que mais parece vir da cabeça do ratinho Brain, da dupla Pinky & the Brain, não demora para que vejamos o fim de Ultron-8 que, ao final, tem sua essência arremessada ao espaço por Thor, onde se dissipa.

Em termos de arte, a história não desaponta, porém, pois novamente temos George Pérez no comando e poucos artistas são tão bem resolvidos para lidar com vários heróis ao mesmo tempo do que ele. Apesar do roteiro cambaleante de Shooter, as páginas são belas e dinâmicas, com boa distribuição e uso de quadros pequenos que ganham fluidez na medida em que o artista altera suas formas e números constantemente.

The Avengers #170 e 171 (EUA, abril e maio de 1978)
Roteiro: Jim Shooter
Arte: George Pérez
Arte final: Pablo Marcos
Cores: Phil Rachelson
Letras: Denise Wohl
Páginas: 24 cada

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.