Crítica | Ultron – Anos 80

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Criado por Henry “Hank” Pym e com uma história contada de forma não linear nos quadrinhos, Ultron apareceu pela primeira vez na Avengers Vol.1 #54, publicada nos Estados Unidos em julho de 1968. A presente postagem traz críticas rápidas das diversas publicações em que o robô apareceu durante a década de 1980. A nota atribuída é a média das edições criticadas. Leia sobre Ultron na década de 60 e 70, aqui.

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The Avengers, Vol. 1 – #202

estrelas 4

Baseada em um conto jamais publicado de Jim Shooter, Ultron Undying é uma interessantíssima história que mais uma vez recorre ao artifício de Utron (na versão Ultron-9) mantendo-se escondido por um tempo e surgindo “de surpresa” e no controle mental. Dessa vez, porém, a narrativa ganha contornos mais densos, pois o “controlado” da vez é o próprio Homem de Ferro, que é utilizado por Ultron com o objetivo de reconstruí-lo, algo que é feito fora da narrativa, ou seja, nunca vemos. O trabalho investigativo é o que faz a história realmente funcionar, com o próprio Homem de Ferro ajudando no processo ao desconfiar que sua integridade pode ter sido comprometida e estabelecendo um plano para reverter a situação.

Além disso, o impacto logo do quadro inicial, com o vidro reforçado da Mansão dos Vingadores sendo estilhaçado por um impacto somente para descobrirmos que o impacto foi causa pela Vespa, depois de arremessada por Jocasta em sua forma diminuta, torna o mistério inicial engajante sem apelar para exageros.

avengers 202

E David Micheline, no roteiro, se aproveita do plano dos Vingadores de manter a Feiticeira Escarlate sob vigilância o tempo todo, já que seu poder é o único que pode derrotar Ultron (como vimos em Os Vingadores #171), para ainda criar excelentes momentos de interação entre ela e seu marido Visão. A lógica fria do sintozóide versus a necessidade de calor humano de Wanda cria centelhas interessantes que ajudam, no longo prazo, a desconstruir o casamento dos dois.

Mais uma vez, porém, Ultron é derrotado sem cerimônias, com o uso de boas doses de adamantium derretido, o que começa um desconfortável caminho de banalização do personagem.

A arte de George Pérez, como sempre, é sensacional. Seus desenhos de “equipes de super-heróis” sempre impressionam em razão de seu olho para enquadramento de forma que cada um tenha função e destaque, sem parecer algo forçado.

The Avengers #202 (EUA, dezembro de 1980)
Roteiro: David Micheline (baseado em conto de Jim Shooter)
Arte: George Pérez
Arte-final: Mike Esposito
Cores: Don Warfield
Letras: John Costanza
Páginas: 24

Marvel Two-in-One, Vol. 1 – #92 e 93

estrelas 3

Coisa, Homem-Máquina e Jocasta enfrentam Ultron, em sua 10ª versão. Semelhante ao que acontece em Os Vingadores #202, o Ultron preso no adamantium endurecido controla Jocasta para que ela crie uma nova versão dele.

O roteiro de Tom DeFalco segue a estrutura padrão de uma “história de Ultron”, mas acrescenta muita melancolia e acontecimentos trágicos à narrativa. Jocasta, que até aquele momento vinha sendo trabalhada unicamente como personagem para lá de secundário em histórias dos Vingadores, finalmente ganha foco somente para, ato contínuo, se sacrificar pelos heróis. O Homem Máquina, então, em raiva incontida, literalmente destrói Ultron-10 por dentro, perdendo, com isso, a oportunidade de eventualmente salvar Jocasta. Com isso, esse pequeno arco se torna, de certa forma, memorável no uso de seus personagens robóticos, dando dimensão e profundida não só a Jocasta como, também, ao Homem Máquina, que sempre teve um quê trágico permeando sua vida.

mosaico ultron 7

É interessante notar, também, que nessa história vemos Ultron, pela primeira vez, construindo um exército de drones réplicas suas, elemento narrativo que seria muito usado a partir desse ponto.

Os desenhos de Ron Wilson carecem de detalhamento e usam uma estrutura burocrática de quadros. Parece um trabalho corrido, ainda que, de maneira geral, passe a informação que precisa passar. Mas nada mais.

Marvel Two-in-One #92 e 93 (EUA, outubro e novembro de 1982)
Roteiro: Tom DeFalco
Arte: Ron Wilson
Cores: George Roussos
Letras: Joe Rosen
Páginas: 24

Guerras Secretas (EUA, maio de 1984 a abril de 1985)

Leia meus comentários sobre essa saga aqui. Nela, Ultron, na forma Ultron-11, é recriado temporariamente pelo Beyonder e luta contra o Coisa, sendo destruído no processo.

Os Vingadores da Costa Oeste, Vol. 2 – #1
e
Visão e Feiticeira Escarlate, Vol. 2 – #1 e 2

estrelas 2

Esse crossover dá até dor de cabeça para ler. O maior problema é que são duas publicações começando, ainda que sejam os respectivos segundos volumes de cada uma delas, sendo que, no caso de Os Vingadores da Costa Oeste, o primeiro foi, apenas, uma minissérie e, no caso de Visão e Feiticeira Escarlate, seja uma segunda minissérie. Com isso, os números inaugurais são longos e atiram para todos os lados, com diversas linhas narrativas. Ultron é somente abordado de verdade no encerramento, que se dá em Visão e Feiticeira Escarlate #2.

mosaico ultron 5

E, para piorar, Steve Englehart acrescenta uma pouco saudável dose de complexidade à sua narrativa. Ainda que, olhando de longe, a estrutura clássica de “história de Ultron” esteja presente, com o robô novamente atacando para capturar Hank Pym, a questão toma contornos exagerados e estranhos quando Ultron se alia ao Ceifador, Golias (versão Erik Josten), Homem-Macaco e Garra Negra em um plano que envolve até zumbis. No entanto, a versão de Ultron é a versão 12, ou seja, posterior à usada em Guerras Secretas, mas sem que sua origem seja explicada.

A história confunde muito mais do que explica e tem uma arte simplista e nem mesmo Al Milgrom consegue resolver os problemas causados pela profusão de personagens utilizados.

The West Coast Avegers, Vol. 2 – #1 (EUA, outubro de 1985)
Roteiro: Steve Englehart
Arte: Al Milgrom
Arte-final: Joe Sinnott
Cores: Petra Scotese
Letras: Tom Orzechowski
Páginas: 48

Vision and the Scarlet Witch, Vol. 2 – #1 e 2 (EUA, outubro de 1985)
Roteiro: Steve Englehart
Arte: Richard Howell
Arte-final: Andy Mushynski
Cores: Janet Jackson
Letras: L. Lois Buhalis
Páginas: 40 (#1) 24 (#2)

Os Vingadores da Costa Oeste, Vol. 2 – #6 e 7

estrelas 3

Nesse mini-arco, Steve Englehart corrige as inconsistências do anterior ao determinar que o Ultron-12 que enfrentou os Vingadores da Costa Oeste, Visão e Feiticeira Escarlate, na verdade, é uma versão em que o Ultron-11 estava trabalhando logo antes de ser abduzido pelo Beyonder em Guerras Secretas. Assim, Ultron-12 é uma versão inacabada que termina de seu auto-programar e não tem as mesmas tendências megalomaníacas do Ultron normal.

Além disso, vemos que Ultron-12, que não é destruído no arco anterior, começa a se aproximar de Hank Pym para “reatar seus laços familiares” em um bizarro desvio de personalidade. Mas há uma explicação: em sendo uma versão incompleta de Ultron, Ultron-12 consegue vencer seu complexo edipiano e, como bom filho, tentar retornar à casa. Mas, claro, Ultron-11 volta e impede a reconciliação final, enfrentando os Vingadores e Ultron-12.

mosaico ultron 6

A história é interessante, mas poderia ter sido melhor desenvolvida. Ela é eficiente ao “explicar” as atitudes do Ultron que vimos no arco anterior, mas falha ao deixar de explorar o potencial de uma relação entre Pym e essa versão de Ultron. É, no final das contas, uma história que poderia ter evoluído sem que Ultron-11 voltasse tão rapidamente, somente para, mais uma vez, ser destruído. Ultron-12, por sua vez, é apenas desativado, com seu banco de dados apagado.

A arte de Al Milgrom é boa, mas ele peca na falta de detalhamento das sequências de ação e em alguns rostos com expressões teatrais demais, que acabam distraindo o leitor.

The West Coast Avegers, Vol. 2 – #6 e 7 (EUA, março e abril de 1986)
Roteiro: Steve Englehart
Arte: Al Milgrom
Arte-final: Kyle Baker (#6), Joe Sinnott (#7)
Cores: Ken Feduniewicz
Letras: Tom Orzechowski (#6), Janice Chiang (#7)
Páginas: 24

Demolidor, Vol. 1 #275 e 276

estrelas 4

Esse mini-arco começa em dezembro de 1989 e acaba em janeiro de 1990, mas decidi incluí-lo nessa postagem, pois, de certa forma, ele encerra um ciclo.

O Demolidor é um herói que normalmente não combina com ameaças tecnológicas e Ultron seria o último vilão que escolheria para colocar frente a frente com o Homem Sem Medo. No entanto, de alguma maneira, Ann Nocenti faz essa história funcionar, mesmo considerando que há até inumanos no meio (Górgon e Karnak) e a ameaça do Doutor Destino.

mosaico ultron

O Ultron que vemos é a versão 12 que Destino recria para matar o Demolidor e o batiza de Ultron-13. No entanto, o peculiar é que essa versão é que ele tem literalmente múltiplas personalidades, por ser uma amálgama de todas as versões anteriores, desde a primeira. Com isso, o roteiro de Nocenti tem ar filosófico e contemplativo, sem muita ênfase na ação, o que de toda sorte não combinaria, considerando que Ultron poderia muito facilmente derrotar o Demolidor em termos de força bruta.

Os traços são de John Romita, Jr., carinhosamente conhecido como Romitinha. Nunca fui fã dele, apesar de seu trabalho na minissérie O Homem Sem Medo ser espetacular. Aqui é outro exemplo de como ele pode se superar sempre que quer. Seu Ultron tem porte nobre, sendo uma das melhores versões do personagem que já vi e todo seu trabalho é muito fluido e repleto de detalhes que enriquecem a experiência.

Daredevil, Vol. 1 – #275 e 276 (EUA, dezembro de 1989 e janeiro de 1990)
Roteiro: Ann Nocenti
Arte: John Romita Jr.
Arte-final: Al Williamson
Cores: Christie Scheele
Letras: Joe Rosen
Páginas: 24

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.