Crítica | Um Drink no Inferno – A Série (1X01)

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estrelas 3

Com tanta série complexa, densa e/ou pesada por aí, como a recente True Detective e a aclamada House of Cards, é um alívio fugir para algo mais despretensioso e, em tese, menos cerebral sem ter que recorrer a sitcoms, às quais eu particularmente tenho dificuldades de me adaptar. A chance de encontrar algo mais bobo e depois de ter minha curiosidade aguçada pelo fato de ser Robert Rodriguez o produtor e showrunner da série Um Drink no Inferno, baseada em seu filme semi-trash de 1996 de mesmo nome, que foi seguido de duas semi-continuações lançadas direto em vídeo, me levou a animadamente sentar para assistir ao seu piloto.

E olha, surpreendentemente, a experiência foi exatamente aquilo que eu esperava: divertimento puro.

De forma a não alienar a audiência fiel que Rodriguez amealhou com seu filme (cujo roteiro é de Quentin Tarantino, seu mentor), o que vemos na telinha não diverge em quase nada do que vimos na telona há 18 anos (caramba, já se passou esse tempo todo?). Os 45 minutos do primeiro episódio correspondem a, basicamente, os primeiros cinco ou dez minutos do filme, quase que repetindo integralmente os diálogos, mas acrescentando três personagens novos. Mas é claro que Rodriguez, que dirigiu e escreveu o episódio, insere muito material novo para rechear a mitologia da série e permitir que ela continue por mais do que uma temporada.

Assim, em um rápido prólogo, vemos uma belíssima mulher (Eiza Gonzalez) fugindo de indígenas em uma floresta (provavelmente no México) que acaba capturada e jogada em uma tumba aberta cheia de cobras. Para os escolados na obra original, fica evidente que ela será Santánico Pandemónium mais para a frente, a não ser que Rodriguez tenha planos mais complexos escondidos na manga.

Corta para o deserto do Texas e vemos Seth e Richie Gecko (D.J. Cotrona e Zane Holtz respectivamente, nos papeis originalmente de George Clooney e Quentin Tarantino) em fuga chegando no Benny’s World of Liquor, onde toda a ação a partir daí se concentrará. Mas a narrativa não é linear, com idas e vindas para o passado recente dos irmãos e também do xerife Earl McGraw (Don Johnson, no papel antes de Michael Parks) e seu parceiro e pupilo Freddie Gonzalez (Jesse Garcia), esse o primeiro personagem novo, que inadvertidamente param no mesmo lugar. Lá dentro, há, ainda, duas jovens (também personagens novos) que ativam a lascívia do amalucado Richie, juntamente com visões de seres monstruosos (algo inédito e que liga o personagem fortemente com os eventos futuros).

Tudo a partir daí é uma tensa, mas previsível história policialesca confinada a um pequeno estabelecimento no meio de lugar nenhum. Funciona bem tanto para os que já viram o filme como, também, para os que não fazem ideia para onde essa história vai.

Filmado com filtro para forçar a saturação de cores, especialmente a amarela, o episódio passa de forma muito eficiente o calor do local e da tensão entre os personagens. O uso de ângulos radicais – versões mais exageradas do chamado “ângulo holandês” – adicionam estranheza a tudo que vemos, funcionando para aguçar a curiosidade e para impedir que desviemos o olhar.

Se a série vai funcionar, considerando a limitação do material fonte, é muito difícil ainda de saber, mas é certo que um pouco de diversão descerebrada e altamente estilizada, ao mesmo tempo com boas atuações dos envolvidos é algo raro de se encontrar. Para aqueles que curtiram o filme, será, seguramente, um passeio agradável, ainda que pouco surpreendente. Para aqueles que não conhecem a obra original, pode ser uma viagem cheia de deliciosas – e violentas – surpresas.

Um Drink no Inferno – A Série: Piloto (From Dusk Till Dawn – The Series – 1×01, EUA – 2014)
Showrunner: Robert Rodriguez
Direção: Robert Rodriguez
Roteiro: Robert Rodriguez (baseado em roteiro de Quentin Tarantino)
Elenco: D. J. Cotrona, Zane Holtz, Eiza Gonzalez, Jesse Garcia, Don Johnson, Wilmer Valderrama
Duração: 45 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.