Crítica | Um Drink no Inferno – A Série (1X03): Mistress

estrelas 3,5

Ok. O terceiro episódio, mais cedo do que eu imaginava, desamarra a série do filme que a baseou. E isso é muito bom.

Se o primeiro episódio, para funcionar como chamariz dos fãs da obra original, era fortemente atrelado a ele e se o segundo episódio já começava a mostrar um “universo expandido”, é no terceiro que Robert Rodriguez nos prova o potencial do que resolveu fazer para inaugurar seu canal El Rey, disponibilizado semanalmente no Brasil pelo serviço de streaming Netflix.

Não que Rodriguez tenha se esquecido da fonte da qual a série bebe. Claro que não. Está tudo lá seguindo mais ou menos o caminho que esperamos que a série siga, mas, agora, o recheio do bolo começa a aparecer. Não só vemos a ex-esposa de Seth (D.J. Cotrona) se encontrando com ele e ampliando o que conhecemos do assalto ao banco, mas também aprendemos mais sobre o vampiro/cobra Carlos (Wilmer Valderrama) e seus negócios escusos além da fronteira americana. Aliás, o sobrenatural invade de vez a série, que passa a equalizar, em parte iguais, road movie com thriller de monstro. Isso já era perfeitamente de se esperar, já que a estrutura hitchcockiana do filme seria impossível de ser repetida na série. Além disso, aprendemos um pouco mais sobre a aparente loucura de Richie (Zane Holtz), além de seu conhecimento enciclopédico e o quanto tudo está ligado de verdade a Carlos e ao culto a uma deusa-serpente.

Mas o episódio vai ainda além, apresentando-nos ao professor Tanner (Jake Busey), especialista em símbolos meso-americanos e que vem estudando há tempos o cartel do qual Carlos faz parte. Vemos o professor em uma longa conversa com o Texas Ranger Gonzalez (Jesse Garcia) e aprendemos muita coisa sobre os símbolos, além da personalidade um tanto perturbada do próprio professor, que pode ser uma adição muito peculiar à série. Nesse mesmo bar onde a sinistra conversa é travada, Jakob Fuller (Robert Patrick) entra para pedir ajuda já que seu Winnebago quebrara na estrada. Aos poucos, a família Fuller vai se aproximando dos irmãos Gecko e aos poucos também passamos a enxergar um passado tenebroso envolvendo Jakob.

O ponto de convergência desse episódio com o filme fica mesmo exclusivamente na relação de Richie com a bancária sequestrada vivida por Samantha Esteban. Apesar de ser uma versão muito mais longa do que vemos no original, o resultado é o mesmo (até na montagem), ainda que o lado sobrenatural envolvendo Richie seja completamente escancarado.

Agora sim com muita história para contar, Um Drink no Inferno prova que tem material para pelo menos duas temporadas. Se vai passar muito disso, depende do quanto Rodriguez está disposto a se desviar do material original sem afastar o público fiel.

Um Drink no Inferno – A Série (1X03): Mistress (From Dusk Till Dawn – The Series 1X03: Mistress, EUA – 2014)
Showrunner: Robert Rodriguez
Direção: Eduardo Sánchez
Roteiro: Carlos Coto (baseado em roteiro de Quentin Tarantino)
Elenco: D. J. Cotrona, Zane Holtz, Eiza Gonzalez, Jesse Garcia, Wilmer Valderrama, Robert Patrick, Brandon Soo Hoo, Madison Davenport, Samantha Esteban, Jake Busey
Duração: 48 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.