Crítica | Um Drink no Inferno – A Série (1X04): Let’s Get Ramblin’

estrelas 3,5

Chegando próximo à metade da temporada, Um Drink no Inferno nos apresenta o episódio mais tenso até agora, trabalhando um ótimo twist em cima do momento em que os irmãos Gecko sequestram a família Fuller para atravessar para o México no enorme trailer Winnebago. Todo mundo sabe exatamente o que vai acontecer (afinal, presumo, com certo grau de certeza, que quase todo mundo que acompanha essa série viu o filme original), mas, como diz Vincent Vega, em Pulp Fiction, o que impressiona são as “pequenas diferenças”.

Com direção de Robert Rodriguez novamente e roteiro de seu irmão Marcel Rodriguez, Let’s Get Ramblin’ tem a grande vantagem de ser focado em apenas um aspecto, sem qualquer tipo de desvio para outros personagens que não os Gecko e os Fuller, com o Texas Ranger Gonzalez no meio. Os flashbacks continuam, mas o exagero que havia previsto em crítica anterior misericordiosamente não aconteceu. Ao contrário até: tornaram-se mais relevantes.

Depois dos eventos em Mistress, os Fuller finalmente chegam ao motel onde também estão hospedados os Gecko e Seth fica logo interessado em usar o enorme veículo em seu favor. Não demora e Seth e Richie mostram seus dentes para a família. Mas então vem a primeira e crucial “pequena diferença”. Katie havia ido para a piscina e Richie vai busca-la lá, gerando um interessante diálogo entre os dois antes que ele se revele como sequestrador. Vemos o aspecto da sensualidade de Katie ser trabalhado por Rodriguez em seus takes muito obviamente direcionados a isso, mas, de certa forma, essa questão é mantida sob controle e o foco vai todo para o estranho diálogo, que desvela com muita clareza que Richie vê muito mais do que um humano normal e que suas visões não são só povoadas de aparentes loucuras. Consequências de seu misterioso passado com o cartel mexicano? Provavelmente sim, pois Gonzalez, agora de posse da faca de Richie, também passa a ter suas próprias e perturbadoras visões.

Reveladas as cores dos Gecko para os Fuller, uma paciente ratoeira começa a ser armada por Gonzalez em sua incansável investigação. E aprendemos algo surpreendente em flashback que traz Don Johnson de volta à série: Gonzalez tem pavor de sangue. Como isso será trabalhado no futuro, teremos que esperar para descobrir, mas, considerando o mote da série, será no mínimo interessante ver o assustado Ranger lidando com esse seu problema.

Quando a armadilha vai se fechar ao redor dos Gecko, Rodriguez usa de toda sua engenhosidade na câmera para criar tensão e suspense, mesmo que, novamente, o resultado do confronto seja mais do que óbvio. Com cores quase saturadas, ele dá uma qualidade sanguínea ao episódio, o que impede que desviemos o olhar. Suas câmeras lentas nada discretas funcionam bem também com a sucessão bem encaixada e bem montada de acontecimentos que marcam os dez minutos finais em que vemos que policiais normais são atingidos por qualquer tiro dado na direção genérica deles, mas que um Ranger é, basicamente, invulnerável. No entanto, isso faz parte de qualquer diversão que se preze, não é mesmo?

Se alguém tinha alguma dúvida que Um Drink no Inferno seria um excelente guilty pleasure, Let’s Get Ramblin’ dissipa-a completamente. A caçada já era quente no original, mas as “pequenas diferenças” a tornam ainda melhor.

Um Drink no Inferno – A Série (1X04): Let’s Get Ramblin’ (From Dusk Till Dawn – The Series 1X04: Let’s Get Ramblin’, EUA – 2014)
Showrunner: Robert Rodriguez
Direção: Robert Rodriguez
Roteiro: Marcel Rodriguez (baseado em roteiro de Quentin Tarantino)
Elenco: D. J. Cotrona, Zane Holtz, Eiza Gonzalez, Jesse Garcia, Wilmer Valderrama, Robert Patrick, Brandon Soo Hoo, Madison Davenport, Don Johnson
Duração: 48 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.