Crítica | Um Drink no Inferno – A Série (1X05): Self-Contained

estrelas 4

Metade da temporada, metade do filme em que a série foi baseada. Faz todo sentido. Mas será que, então, nos próximos cinco episódios, o material fonte original será esgotado e Rodriguez partirá para as fracas continuações de Um Drink no Inferno ou tentará algo completamente novo?

Bem, não adianta especular agora. O que adianta é se deliciar com Self-Contained, episódio dirigido espertamente por Joe Menendez quase que completamente passado dentro do trailer da família Fuller, agora sequestrada pelos irmãos Gecko, na fila da polícia de fronteira entre os EUA e o México. E a ação, já quase que completamente auto-contida, ainda é encapsulada por dois bookends em flashback, que revelam um pouco mais – talvez tudo, não sei – sobre o acidente que vitimou a esposa de Jacob e que o levou a abandonar o caminho de Deus. Com isso, Menendez consegue criar uma narrativa dentro de outra, sendo que a que se passa no passado de certa forma comenta a do presente. Os únicos momentos fora do trailer e da imediata vizinhança se relacionam com Gonzalez desesperadamente caçando os Gecko e, dessa vez, sem o apoio dos Texas Rangers, impedir a travessia de fronteira.

A tensão do episódio anterior continua também em Self-Contained, pois, agora, Richie tem que literalmente lidar com seus “demônios” em um espaço menor e que qualquer movimento mais brusco pode chamar a atenção da polícia de fronteira, para desespero de seu irmão Seth e, claro, de Jacob que sabe que o problema principal está mesmo no desequilibrado irmão. Paralelamente, do lado de fora, vemos a primeira efetiva interseção de Carlos com os Gecko, com os elementos sobrenaturais, dessa vez, sendo revelados para Gonzalez.

Vale especial atenção as atuações, que deixei de comentar em minhas críticas anteriores, por elas nunca realmente terem me chamado a atenção. Enquanto D.J. Cotrona tem uma interpretação apenas correta como Seth, Zane Holtz como Richie é outra história. Com sutis olhares e diálogos falados com perfeita intonação, seu personagem é, em partes iguais, insano e inteligente, mas o lado inteligente é perspicaz o suficiente para entender que seu outro lado apenas parece insano, pois o que vê, ao menos em tese, é realidade, por mais estranha que pareça. Robert Patrick, já mais veterano, torna-se um dos alicerces da série, com um trabalho sofrido, mas duro, sem perder o foco e passando ao espectador, convincentemente, sua preocupação com a família e todo os seus fantasmas que o atormentam sem folga. Madison Davenport, que vive Kate Fuller, parecia, antes, apenas um rostinho bonitinho, mas ela surpreendentemente ganha corpo e importância, cumprindo muito bem as exigências de maturidade do roteiro. Finalmente, Brandon Soo Hoo, o jovem Scott Fuller e Jesse Garcia, o Texas Ranger Gonzalez, são apenas caras e bocas (todas de zangado, com o cenho franzido) e ainda não tiveram a oportunidade de mostrar profundidade em seu trabalho, talvez justamente porque o roteiro não os tenha reservado nada de especial.

Esse episódio também apresenta um recurso muito interessante de elipse e narrativas sucessivas que nos faz reviver o terço final de forma muito instigante e reveladora. Isso e uma montagem muito eficiente que trabalha bem os espaços confinados, além da fotografia amarelada que já tradicionalmente marca a série, torna Self-Contained o melhor episódio de Um Drink no Inferno até agora.

Com isso, chegamos triunfalmente ao Titty Twister, no México, deixando para trás o road movie (ou seria road series?) e passamos a encarar o sobrenatural de frente. Pelo menos é isso que dita a lógica pautada no filme original. Se Rodriguez planeja seguir esse caminho, saberemos em breve.

Um Drink no Inferno – A Série (1X05): Self-Contained (From Dusk Till Dawn – The Series 1X05: Self-Contained, EUA – 2014)
Showrunner: Robert Rodriguez
Direção: Joe Menendez
Roteiro: Matt Morgan, Ian Sobel (baseado em roteiro de Quentin Tarantino)
Elenco: D. J. Cotrona, Zane Holtz, Eiza Gonzalez, Jesse Garcia, Wilmer Valderrama, Robert Patrick, Brandon Soo Hoo, Madison Davenport, Don Johnson
Duração: 48 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.