Crítica | Um Drink no Inferno – A Série (1X06): Place of Dead Roads

estrelas 4

Pelo menos essa primeira temporada de Um Drink no Inferno será definitivamente lembrada com a “versão super-estendida” do filme em que se baseou. Mas enganam-se aqueles que acham isso óbvio e chato. Ao contrário até, Robert Rodriguez quer agradar dois mundos: o dos que adoram seu filme e o dos que esperam coisas diferentes. E, nesse sentido, ele tem sido muito bem sucedido. E Place of Dead Roads, que pode ser chamado de primeiro episódio da segunda metade da série, é um evidente sinal disso.

É que Rodriguez, com ajuda do roteiro de Alvaro Rodriguez, dessa vez, extrapolou na sua capacidade de ampliar a minutagem original, mais ou menos como já havia feito no episódio piloto, quando transformou 10 ou 15 minutos do filme em 45 minutos de série. Em Place of Dead Roads, algo que originalmente se passava em não mais do que sete ou oito minutos, ganha a mesma extensão e, o melhor de tudo, com significado e relevância. Não há muito uso de flashbacks e o episódio serve como momento de convergência de todos arcos narrativos. Já havíamos visto os Gecko cruzarem o caminho do Texas Ranger Gonzalez em sua sana vingativa no quarto episódio – Let’s Get Ramblin’ – e também com Carlos, aparentemente um dos chefões de um cartel mexicano e, incidentalmente, um vampiro que tem o poder de tomar a forma de outras pessoas. No entanto, ainda não havíamos visto as três linhas narrativas emergirem em um ponto único do espaço. E esse espaço não poderia ser melhor: é o Titty Twister, estranhíssimo bar que marca a metade da série e, claro, também do filme.

Os Gecko e os Fuller haviam acabado de chegar lá no episódio anterior e Gonzalez, capturado por Carlos no começo de Place of Dead Roads, também caminha para lá em uma história que, ao mesmo tempo que diverge do filme, mantém seus elementos principais, como o desbocado “porteiro” do lugar vivido originalmente por Cheech Marin e Sex Machine (Jake Busey, fazendo papel duplo na série), a decoração clássica e muita música mexicana, especialmente Malageña Salerosa, na mesma inesquecível versão de Chingón que ouvimos em Kill Bill, Vol. 2. De diferente, temos a progressão narrativa, que insere um novo personagem, Narciso (Manuel Garcia-Rulfo), que parece ser o rival de Carlos pelo controle do cartel, além de um interessante possível começo de um relacionamento meio “síndrome de estocolmo” entre Katey-Kate e Richie.

Em termos da fotografia, com a virada ocasionada no episódio interior, a paleta de cores muda radicalmente, não muito diferente do que vemos também no filme. Mas a mudança é necessária. Sai o amarelo que marcou a série até aqui e entra o vermelho, o que salienta para nós, nada discretamente (mas essa série não prima pela discrição e nem deveria), que acabou o road movie e começou o filme de vampiros. Não há mais disfarces. Todas as cartas estão na mesa (ou será que não?) e, a partir de agora, é o esperado banho de sangue falso.

Trabalhando também muitos outros personagens, se contarmos os coadjuvantes e os extras, a série ganha outro contorno. Acabou o lado mais intimista e, agora, o diretor (e provavelmente os próximos também) tem que lidar com tomadas abertas e uma composição de cena mais complexa e, no caso de Place of Dead Roads, Dwight Little tira a tarefa de letra, sem jamais confundir o espectador, mesmo quando é obrigado a recorrer a uma montagem picotada para nos transportar para os diversos ambientes em que as ações se passam quase que simultaneamente.

Começando uma segunda parte da primeira temporada, Place of Dead Roads mostra que Robert Rodriguez tem um plano muito bem estruturado para sua série, que vai muito além do esticamento vazio de cenas famosas de seu próprio filme. E, considerando a temática da série e o quanto essa mesma temática é maltratada em outras diversas obras que vemos por aí no cinema e na televisão, isso é uma excelente notícia.

Que venha Santánico Pandemonium!

Um Drink no Inferno – A Série (1X06): Place of Dead Roads (From Dusk Till Dawn – The Series 1X06: Place of Dead Roads, EUA – 2014)
Showrunner: Robert Rodriguez
Direção: Dwight Little
Roteiro: Alvaro Rodriguez (baseado em roteiro de Quentin Tarantino)
Elenco: D. J. Cotrona, Zane Holtz, Eiza Gonzalez, Jesse Garcia, Wilmer Valderrama, Robert Patrick, Brandon Soo Hoo, Madison Davenport, Don Johnson, Manuel Garcia-Rulfo, Jake Busey
Duração: 45 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.