Crítica | Um Drink no Inferno – A Série (1X07): Pandemonium

estrelas 3,5

Pandemonium é o episódio que, provavelmente, uma grande percentagem dos espectadores da série esperava ansiosamente: o da sensual dança de Santánico Pandemonium seguida de, bem…, o mais completo pandemônio trash. E é isso que Robert Rodriguez, voltando para a direção pela quarta vez, entrega com muita competência.

Para quem esperava uma repetição do que vemos no filme, devo dizer que Rodriguez mantém a familiaridade o máximo possível, repetindo o figurino escasso da dançarina, a cobra albina que ela segura e até a música que toca. Mas, assim como vem fazendo desde o começo da série, ele acrescenta seus próprios e novos elementos de forma que os fãs do filme e também aqueles que esperam diferenças, fiquem igualmente satisfeitos.

Longe de conseguir emular a sensualidade de Salma Hayek no original, Eiza González também não faz feio com sua dança hipnotizante, que é quase exatamente igual a de Hayek, apenas com um desfecho diferente, já que há a interferência do Texas Ranger Gonzalez que funciona como o catalisador da virada total da mesa, com a transformação dos vampiros. Daí em diante, é muito sangue voando, muitas cabeças decepadas, braços arrancados e estacas enfiadas, além de tiros e facadas aos borbotões, inclusive do hilário revólver-pênis de Sex Machine, a versão selvagem do Professor Tanner, especialista no culto dos Los Culebras, que conhecemos no terceiro episódio.

Usando uma montagem frenética, mas que não esconde a sanguinolência e tripas, Rodriguez mostra diversos focos de ação no Titty Twister, não economizando na trasheira total, exatamente como esperamos dele. Em termos de trama inédita, a roteiro trabalha um pouco mais a relação de poder existente entre Carlos e Narciso (apresentado no episódio anterior) e descobrimos que todo o clã trabalha para Nove Mestres ou algo semelhante que, provavelmente, serão explorados em temporadas futuras.

Não há, porém, muito impulsionamento da narrativa. Ficamos basicamente onde estávamos e não aprendemos muito mais do que a questão do clã que tratei acima. Mas isso já era esperado. Esse era para ser o episódio show, feito exclusivamente para entreter sem a necessidade de se pensar, exatamente como é a mesma sequência no filme.

O tom da fotografia permanece a mesma do episódio anterior, com fortes tons avermelhados que contrasta enormemente com uma sequência de sonho que faz o filtro amarelo retornar à série. Rodriguez perde um pouco a oportunidade de expandir a pancadaria para níveis estratosféricos e o que vemos parece ser bem mais domado do que na sequência original. No entanto, tenho para mim que isso é apenas impressão, pois Pandemonium não encerra a confusão dentro do Titty Twister. É muito provável que a sanguinolência fake continue por pelo menos mais um episódio.

Caminhamos para o final agora. Faltam apenas três episódios para a primeira temporada acabar e Rodriguez parece que conseguirá realmente tirar um coelho da cartola (ou seria uma cobra?) e transformar os 108 minutos originais em algo como 450 minutos que misturam muito bem e em doses iguais, repetição bem-vinda, enrolação inevitável e novidades essenciais. No frigir dos ovos, parece que o saldo será positivo. É aguardar para ter certeza.

Um Drink no Inferno – A Série (1X07): Pandemonium (From Dusk Till Dawn – The Series 1X07: Pandemonium, EUA – 2014)
Showrunner: Robert Rodriguez
Direção: Robert Rodriguez
Roteiro: Diego Gutierrez (baseado em roteiro de Quentin Tarantino)
Elenco: D. J. Cotrona, Zane Holtz, Eiza Gonzalez, Jesse Garcia, Wilmer Valderrama, Robert Patrick, Brandon Soo Hoo, Madison Davenport, Don Johnson, Manuel Garcia-Rulfo, Jake Busey
Duração: 50 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.