Crítica | Um Drink no Inferno – A Série (1X08): La Conquista

estrelas 2

Fede Alvarez, diretor do remake de A Morte do Demônio, empresta sua mão pesada no mais curto, mas ao mesmo tempo mais longo episódio da temporada: La Conquista. Repleto de diálogos expositivos que são tão artificialmente inseridos na narrativa, aprendemos muita coisa sobre o passado dos vampiros-serpentes, mas isso acaba retirando a cadência do episódio, arrastando-o dolorosamente.

Talvez depois do frenesi que foi Pandemonium, precisássemos de algum tipo de calmaria, e ela vem na forma de flashbacks para o começo de tudo. Mas o começo mesmo, bem antes dos acontecimentos do primeiro episódio. Aprendemos não só que Carlos (Carlos Felipe, na verdade) veio para o México com os conquistadores espanhóis, como descobrimos a razão por detrás da fuga desesperada de Santánico Pandemonium na abertura do primeiro capítulo. São, sem dúvida alguma, informações muito interessantes e certamente valiosas para o desenrolar da série, além de dar um tom épico a todo o clã vampiresco e ao trabalho do showrunner Robert Rodriguez.

Acontece que tudo isso nos é contado por intermédio de verdadeiras e bruscas interrupções no fluxo narrativo, como se os personagens todos parassem a ação, sentassem ao redor de uma fogueira e começassem a ouvir um narrador contar histórias de terror. Tudo é muito artificial e forçado, especialmente no que se refere aos dois maiores conflitos: o de Seth com Gonzalez e o de Carlos também com Gonzalez. Poderiam ter sido duas lutas excitantes, mas o que vemos, na primeira, é uma resolução completamente fora de caráter em relação aos personagens de Katey Kate, Jacob e até mesmo de Sex Machine. Na segunda, um pouco de luta até acontece, mas é algo tão anti-climático que o resultado chateia mais do que diverte.

Era evidente que uma história de origem seria em algum ponto necessária, mas, dessa vez, recebemos informações demais ao mesmo tempo – sobre Carlos e Santánico, além de um pouco sobre Gonzalez e como ele continua lutando depois de ser mordido por Santánico – e todas elas inseridas de maneira equivocada no arco dos personagens. Teria sido muito mais interessante, por exemplo, um episódio inteiro de flashback contando a origem de Carlos e Santánico há 500 anos ou mais e não o que Alvarez, baseado em roteiro de Marcel Rodriguez, faz em  La Conquista.

Como se isso não bastasse, na exploração mais profunda do Titty Twister – na verdade um templo antigo – Jacob, Katey Kate, Sex Machine e Seth deparam-se com mais um novo personagem, o Sargento Frost, que está escondido nas profundezas do lugar há muito tempo (apesar de estar arrumado e limpo como se tivesse acabado de tomar banho). Da mesma maneira que os personagens se entreolham, nós, espectadores, também ficamos sem saber o que esperar dessa “invenção” e o roteiro ainda nem tenta desenvolver essa história de maneira crível, ficando mais preocupado em criar e logo usar um deus ex machina completamente descartável. Ok, o próprio roteiro faz uma brincadeira com essa muleta narrativa no diálogo de Sex Machine e Seth sobre o deus sex machina não muito tempo antes, mas convenhamos que, de qualquer maneira, a coisa ficou forçada demais.

Do outro lado, temos Richie, que foi mortalmente baleado por Gonzalez ao final de Pandemonium. Era evidente que Santánico Pandemonium tentaria convertê-lo, mas o que vemos é um estranhíssimo diálogo entre os dois que ocorre em paralelo ao resto da ação, arrastando-se muito mais do que deveria e chegando ao mesmo final que já esperávamos desde os primeiros 30 segundos. A redundância é de revirar os olhos.

La Conquista é um episódio que permite que você veja os contornos do que ele poderia ter sido. Está tudo lá. História pregressa, ação, bons diálogos (reparem nas várias brincadeiras com clássicos do cinema) e boas atuações. No entanto, a direção pesada de Fede Alvarez e uma montagem sofrível fazem com que o episódio destoe completamente do resto da temporada, sendo de longe o pior até agora.

Bom, faltam só dois para o final. Resta torcer para que La Conquista tenha sido um ponto fora da curva.

Um Drink no Inferno – A Série (1X08): La Conquista (From Dusk Till Dawn – The Series 1X08: La Conquista, EUA – 2014)
Showrunner: Robert Rodriguez
Direção: Fede Alvarez
Roteiro: Marcel Rodriguez (baseado em roteiro de Quentin Tarantino)
Elenco: D. J. Cotrona, Zane Holtz, Eiza Gonzalez, Jesse Garcia, Wilmer Valderrama, Robert Patrick, Brandon Soo Hoo, Madison Davenport, Don Johnson, Manuel Garcia-Rulfo, Jake Busey
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.