Crítica | Um Drink no Inferno – A Série (1X09): Boxman

estrelas 3

A temporada está quase acabando e Robert Rodriguez dá uma guinada radical em toda sua estrutura. Esqueçam o filme original completamente, pois, em seu penúltimo episódio, Um Drink no Inferno toma contornos completamente próprios e o julgamento sobre se o caminho escolhido pelo showrunner faz sentido, de repente, fica suspenso.

Apesar da série ter se mostrado muito consistente ao longo dos primeiros sete episódios, com uma queda significativa no oitavo, fato é que a narrativa, apesar das diversas inserções de tramas e personagens novos, notadamente o Texas Ranger Gonzalez e o vampiro Carlos e suas respectivas histórias, vinha seguindo o que o filme oferecia. Mas Boxman, agora, desvia completamente a rota e mergulha em terreno pantanoso.

Começando no exato segundo quando La Conquista acaba, testemunhamos a transformação de Richie, com direito a flashback para a morte do pai dos irmãos Gecko já mencionada brevemente em capítulo anterior. A partir daí, porém, tanto Richie quanto Seth, em momentos diferentes, são levados para algo chamado – sem muita inspiração – de Labirinto da Mente, juntamente com Santánico Pandemonium que coloca os dois na missão de achar um sarcófago com seu sangue, para finalmente libertá-la de sua prisão (em tese, o templo onde estão). A partir daí, vemos os irmãos reencenando o último assalto de Seth, aquele que acabou levando-o para a prisão, em uma espécie de episódio no estilo de “filme de assalto”.

É interessante, por um lado, ver a troca completa de cenários: do templo asteca somos remetidos aos EUA e para um hotel de um chefão da máfia que guarda joias em um cofre bem defendido. Presumivelmente, essas joias representam o sangue de Santánico e elas são os alvos dos Gecko. Mas, como o nome do labirinto deixa claro, trata-se de um passeio pela mente dos dois, em que as regras pré-estabelecidas do “mundo normal” não mais se aplicam e fatos e personagens são misturados, com direito a uma estrutura de RPG, com os irmãos tendo que resolvem problemas para chegar na próxima “fase”.

Por outro lado, vemos um distanciamento gigantesco – e repentino – do caminho que a série vinha tomando. Não que isso seja necessariamente ruim, mas é que o episódio não permite um desenvolvimento muito grande dessa ideia de Labirinto da Mente, que deverá continuar no season finale, talvez com uma volta à realidade.

Mas o desvio não se limita ao labirinto. Do lado dos Fuller e de Sex Machine, vemos Gonzalez finalmente se juntar ao grupo, somente para eles se depararem com criaturas que provavelmente foram inspiradas no Gollum, em outro momento estranho da narrativa, que leva a um desenvolvimento potencialmente interessante envolvendo Sex Machine. No entanto, novamente, é difícil julgar essa “dança das cadeiras” efetivada por Rodriguez sem um maior desenvolvimento e exploração desse seu novo caminho.

O fato é que o trabalho de direção de Nick Copus mostra a competência que Fede Alvarez não teve em La Conquista, impedindo que Boxman caie no marasmo. Ao contrário até, pois Copus consegue, com competência, fazer uso de dois estilos diferentes de direção, um mantendo o frenesi de dentro do templo e outro espelhando a atmosfera mais sofisticada de “filmes de assalto”.

Qualquer tentativa de apostar o caminho que o episódio final tomará, depois do que assistimos em Boxman, é um exercício em futilidade. Rodriguez pode acabar sua primeira temporada tanto de forma gloriosa quanto de maneira esquizofrênica, sem personalidade e usando de subterfúgios para emprestar um tom falsamente diferente de tudo que veio antes. Não temos muito o que fazer a não ser esperar pelo melhor, mas sem esquecer de nos preparar para o pior.

Um Drink no Inferno – A Série (1X09): Boxman (From Dusk Till Dawn – The Series 1X09: Boxman, EUA – 2014)
Showrunner: Robert Rodriguez
Direção: Nick Copus
Roteiro: Matt Morgan, Ian Sobel (baseado em roteiro de Quentin Tarantino)
Elenco: D. J. Cotrona, Zane Holtz, Eiza Gonzalez, Jesse Garcia, Wilmer Valderrama, Robert Patrick, Brandon Soo Hoo, Madison Davenport, Don Johnson, Manuel Garcia-Rulfo, Jake Busey
Duração: 44 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.